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Segunda, 16 de Julho 2018.



INTERNACIONAL

15/05/2018 06:59:00

Confrontos em Gaza deixam mais de 50 palestinos mortos

Conflitos entre Israelitas e Palestinos, buscam dividir capital Jerusalém

(FOTO: IBRAHEEM ABU MUSTAFA/REUTERS)

Os Estados Unidos inauguraram sua embaixada em Jerusalém nesta segunda-feira (14), dia em que o Estado de Israel completa 70 anos e em que confrontos na fronteira com a Faixa de Gaza deixaram dezenas de mortos.
Os palestinos protestam na fronteira desde o dia 30 de março, na chamada Grande Marcha do Retorno, que evoca o direito dos palestinos de voltarem para os locais de onde foram removidos após a criação do Estado de Israel, em 1948. Nesta segunda, ainda protestam contra a inauguração da representação diplomática dos EUA em Jerusalém.
Até as 19h30, pela hora de Brasília, havia 58 mortos, segundo autoridades palestinas. O Ministério da Saúde palestino informou ao jornal "Haaretz" que há mais de 2200 feridos. De acordo com o embaixador palestino na ONU, entre os mortos há 8 crianças com menos de 16 anos.
O premiê israelense Benjamin Netanyahu defendeu o uso da força na Faixa de Gaza: "Todo país tem a obrigação de defender o seu território. A organização terrorista Hamas proclama a sua intenção de destruir Israel e envia com esse fim milhares de pessoas para forçar a fronteira", disse pelo Twitter reiterando que Israel segue atuando "com determinação" para impedir isso.
A Casa Branca também culpou o Hamas pela violência e afirmou que Israel tem o direito de se defender.
Houve ainda protestos do lado de fora do prédio em que passa a funcionar a embaixada americana. A polícia tentou conter e afastar os manifestantes, e 14 pessoas foram detidas.
A cerimônia de abertura foi conduzida pelo embaixador americano em Israel, David Friedman.
Em uma mensagem gravada em vídeo, o presidente Donald Trump disse que era necessário "admitir o óbvio": que a capital de Israel é Jesusalém. Também afirmou que os EUA estão comprometidos com a paz na região.
"Os EUA continuam totalmente comprometidos em facilitar um acordo de paz duradouro. Os EUA sempre serão um grande amigo de Israel e um parceiro na causa da liberdade e da paz", disse Trump.
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse que estava "profundamente emocionado e profundamente grato".
"Que dia glorioso. Lembrem este dia. Que dia histórico!", afirmou.
"Este é um momento histórico. Presidente Trump, ao reconhecer o que pertence à história, você fez história", disse Netanyahu.
Entre as personalidades israelenses também estavam presentes o presidente de Israel, Reuven Rivlin, e o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat. Entre a delegação americana, Ivanka Trump e Jared Kushner, filha e genro e conselheiros do presidente americano, e Steven Mnuchin, secretário de Tesouro dos EUA.
A nova embaixada está no bairro de Arnona, em Jerusalém Ocidental, num prédio construído em 2010. Parte do terreno era considerada, até a Guerra dos Seis Dias (1967), terra de ninguém.
Em uma primeira fase, a embaixada ficará dentro da seção de vistos do consulado-geral dos EUA em Jerusalém. O imóvel sofreu adaptações para receber o embaixador David Friedman e sua equipe. Em até um ano, um novo anexo será construído para ampliar o espaço da embaixada. O objetivo é construir uma sede própria para a representação diplomática em até dez anos.
Confrontos em Gaza
Na fronteira com a Faixa de Gaza, milhares de palestinos se reuniram em diversos pontos e pequenos grupos se aproximaram da cerca de segurança vigiada por soldados israelenses. Os grupos tentaram avançar contra a barreira e lançaram pedras na direção dos soldados, que responderam com tiros.
Após os confrontos, o Exército de Israel anunciou que lançou bombardeios contra alvos do Hamas, o movimento islâmico palestino que governa a Faixa de Gaza. "Os aviões atacaram os postos militares do Hamas perto de Jabalia, depois que as tropas receberam disparos vindos do norte da Faixa. Nenhum soldado ficou ferido", indicou o exército em comunicado.
Reação internacional
A Autoridade Palestina acusou Israel de cometer um "massacre horrível" na fronteira. A Anistia Internacional pediu a Israel o fim da "abominável violação" dos direitos humanos na Faixa de Gaza. A OLP (Organização para a Libertação da Palestina) anunciou uma greve geral nos territórios palestinos para esta terça, em luto pelo "martírio" na Faixa de Gaza.
O alto comissário para os Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra'ad Al Hussein, reagiu sobre os confrontos em Gaza dizendo: "A morte chocante de dezenas de pessoas e os centenas de feridos por tiros de munição real em Gaza devem parar imediatamente, e os autores dessas violações flagrantes dos direitos humanos devem ser responsabilizados".
A União Europeia pediu "máxima moderação" depois das mortes em Gaza. O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou a violência das forças armadas israelenses contra os manifestantes palestinos durante conversas por telefone com o presidente palestino Mahmoud Abbas e o rei Abudllah da Jordânia.
O governo da África do Sul retirou até segunda ordem seu embaixador de Israel e o governo da Turquia chamou para consultas seus embaixadores em Tel Aviv e Washington.
Os países árabes solicitaram, através do Kuwait, uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, que deve ser realizada na terça-feira.
Decisão polêmica
A decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e de transferir a representação diplomática de Tel Aviv para essa cidade é muito polêmica e foi criticada pela União Europeia e por países árabes porque rompe com o consenso internacional de não reconhecer a cidade como capital da Palestina ou de Israel até que um acordo de paz seja firmado entre as duas partes.
A liderança da Autoridade Palestina se recusa a conversar com os representantes do governo Trump desde o anúncio da transferência da embaixada, nem sequer com o genro do presidente, Jared Kushner, que havia sido designado para estimular o processo de paz.
Nesta segunda, o governo do Reino Unido ressaltou seu desacordo em relação à transferência da embaixada americana e deixou claro que a delegação britânica continuará em Tel Aviv.
A Rússia expressou o temor de que a tensão aumente em toda a região do Oriente Médio. O Líbano classificou a mudança como uma "nova catástrofe" para os palestinos.
O Irã condenou a mudança da embaixada e advertiu que esta medida só fortalecerá "a determinação da nação palestina oprimida para resistir à ocupação" de Israel.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar "profundamente preocupado" e pediu uma "necessária contenção" perante as notícias sobre a morte de um "número significativo" de pessoas.
Entenda a disputa
No conflito entre Israel e palestinos, o status diplomático de Jerusalém, cidade que abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, é uma das questões mais polêmicas e ponto crucial nas negociações de paz.
Israel considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível. Mas os palestinos reivindicam parte da cidade (Jerusalém Oriental) como capital de seu futuro Estado.
Apesar de apelos por parte de líderes árabes e europeus, e de advertências que a decisão poderia desencadear uma onda de protestos e violência, Trump resolveu adotar uma nova abordagem sobre o tema, considerando que mesmo com a postura anterior dos EUA, a paz na região até hoje não foi atingida.
Atualmente, a maioria dos países mantém suas embaixadas em Tel Aviv, justamente pela falta de consenso na comunidade internacional sobre o status de Jerusalém. A posição da maior parte da comunidade internacional é a de que o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz.

Fonte: G1





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