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Sábado, 27 de Maio 2017.



COLUNISTAS

Questões da vidaLéo Galiza

25/05/2010 01:33:37

Quando nos fechamos

Estou tendo um sonho... Nele, vejo um homem numa rua escura, cuja penumbra
a tornar ainda mais sombria. E ele caminha devagar, de cabeça baixa.

A Cada passo seu, está difícil de ser dado. Sua face é triste e os olhos
são carregados, mais parecem que trazem o espelho da dor que ele não mais
consegue esconder. Porém, para ele nada mais importa, seu semblante está
manchado e dolorido.

E ele caminha... Pobre homem! O que lhe ocorreu? O que lhe matou
por dentro? Onde está o amor, a alegria de viver? Que
sofreguidão é essa que o torna tão penoso? Não consigo mais
tirar meus olhos daquele homem que continua diante de mim.

Sua trajetória é sem rumo, sem mundo!

Agora parou e encostou-se ao poste, deixando a neblina cair sobre seu
rosto. A rua molhada tem apenas sua sombra por companheira. Devagar, ele
foi escorregando suas costas de encontro ao chão. E já sentado, elevou
suas mãos ao rosto, tentando talvez, aliviar o peso da angustia que
carrega. Mas de nada adianta! Meu coração começa a chorar diante da cena.
Que dor... Que tristeza... Procuro falar, me aproximar, mas é em vão...
Apenas o vejo. E vendo, sofro. E sofrendo, consigo sentir a sua aflição.
Essa agonia, me faz imaginar a dor daqueles que, como pra ele, a rua se
fechou. Não há para onde ir ou com quem falar. Minha voz não sai, não
posso tocá-lo, apenas olhá-lo. E ele, de cabeça deitada sobre os joelhos,
começa a chorar; seu choro não é mais reprimido, e não há mais vergonha de
externá-lo. Talvez, porque saiba que está só, simplesmente só. Como queria
dizer que estou ali com ele.

Como desejaria mostrar-lhe que posso ajudá-lo, demonstrando que suas
lágrimas são também as minhas. Enquanto sofro com o que vejo, ele continua
lá, sozinho, ignorando a minha presença. Não consigo mais olhar impassível
a essa cena! Seus soluços começam a incomodar a sua respiração, suas
forças vão se esgotando diante de seu sofrimento, é como se não restasse
mais nada a fazer... Esse mesmo chão que o abriga está tão frio quanto a
sua alma. Não suportando mais presenciar tanta sofreguidão, supliquei a
Deus, com toda a fé, para que intercedesse por aquela pobre criatura, que
estava ali jogada ao chão.

E, alguns instantes depois, eu pude ouvir uma voz, que falava assim: –
Escute-me bem filho. Ao longo dos tempos criei o mundo, o universo, os
seres, os homens. Dei-lhes amor, carinho e dedicação. Tornei-os a minha
semelhança, ensinando o caminho da paz e união. E hoje, ainda hoje, muitos
de meus filhos me ignoram e me culpam pelas suas escolhas. Pudestes, filho
meu, sentir um pouco de como me sinto ao ver aqueles a quem dei a vida com
tanto amor, sofrendo isolado, jogados nas esquinas, por terem escolhido
afastar-me de seus corações. Entretanto, quero que saibas querido filho,
que mesmo assim, estarei caminhando ao lado deles, sofrendo com eles.
Esperando o momento em que abram a porta de suas almas e me chamem, para
que meus abraços possam ampará-los e protegê-los, como sempre fiz através
dos tempos. Porque o meu amor é eterno e minha esperança é infinita... E
assim o silencio se fez presente.

Quando olhei para aquele pobre homem, as lágrimas escorreram dos meus
olhos novamente. Todavia, era de emoção, de felicidade, pois pude
contemplar a mais bela imagem que um mortal poderia ter. Vi um anjo de luz
abraçando-o, cuja energia emanava paz, a mesma paz que me enchia o
coração. E o homem ergueu sua cabeça, demonstrando serenidade em sua face;
seus olhos que antes apertados estavam, reluziam brilho. Já de pé, ainda
abraçado pelo anjo, o homem começou a caminhar, porém agora; firme,
seguro, amado!

Léo Galiza


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