De acordo com o parlamentar, gastos com o evento de 2026, já somam até o momento, R$ 19,4 milhões, enquanto nos anos anteriores, os números foram significativamente menores: R$ 7,5 milhões em 2023, R$ 7,8 milhões em 2024 e R$ 8,5 milhões em 2025
Um dia após o anúncio oficial da programação do Carnaval 2026 da Prefeitura do Recife, o Vereador Eduardo Moura (NOVO) criticou duramente os gastos da gestão com o evento de 2026, que já somam, até o momento, R$ 19,4 milhões. A declaração do parlamentar foi feita em um vídeo postado nas redes sociais, na manhã desta sexta-feira (23), e tem repercutido no debate político, sobretudo por se tratar de um ano eleitoral. De acordo com Moura, o valor previsto para este ano representa quase o triplo do que foi gasto no Carnaval de 2025, quando a Prefeitura desembolsou R$ 8,5 milhões. Nos anos anteriores, os números também foram significativamente menores: R$ 7,5 milhões em 2023 e R$ 7,8 milhões em 2024. O compilado dos números foi trazido pelo líder da oposição, Vereador Felipe Alecrim, que também pertence ao NOVO.
A crítica de Eduardo Moura é direcionada à gestão municipal, que, além de administrar uma cidade com dificuldades estruturais em áreas como saúde, educação e infraestrutura, é apontado como possível candidato ao governo de Pernambuco. O Vereador questiona a prioridade da gestão municipal. “Olha o que está acontecendo em 2026, ano em que a prefeitura tem dívidas e que prefeito vai se candidatar a governador. Por enquanto, 19,4 milhões de reais, até o dia 10 de janeiro, tá?”, criticou Eduardo, que também levantou questionamentos sobre a existência de patrocínios privados de Bets em eventos promovidos pela Prefeitura, e ainda assim, houve aumento expressivo das despesas. “Mesmo com patrocínio, tá gastando quase o triplo, por quê? Essa é a pergunta que foi levantada pelo Vereador Felipe Alecrim e que é levantada por mim”.
O líder do NOVO na Câmara do Recife chamou atenção para uma licitação específica, no valor de quase R$ 5 milhões, que prevê a contratação de mão de obra para eventos de grande, médio e pequeno porte ao longo do ano. Segundo ele, o contrato de 12 meses extrapola o período carnavalesco. “Isso pode estar englobando também o São João, o Réveillon do ano que vem… pode estar englobando várias coisas. Mas, no meio tem eleição. Veja, eu não estou dizendo que é pra isso, mas acho que cabe à Prefeitura dizer que não é”, questionou.
Em tom crítico, Moura relacionou o aumento dos gastos com festas à precariedade de serviços essenciais oferecidos à população. “Esse é o preço que a população paga pra estar sorrindo durante o carnaval, que vai durar 4, 5, 6, 7 dias, mas pra passar o resto do ano todo na lama, no esgoto, sem atendimento médico, sem vaga pro filho na escola, sem suporte pro filho TEA, sem segurança na rua”. O parlamentar reforçou que não é contra o Carnaval ou quaisquer manifestações culturais, mas defende um novo modelo de financiamento para grandes eventos no Recife. “Sou totalmente a favor de Carnaval, de São João, de qualquer festa, mas pra mim, era zero custo pra cidade. Pelo contrário, era lucro. Quando se fala assim, ‘ah, o carnaval gerou 2 bilhões de reais’, não pra cidade! Gerou pros hotéis, pros restaurantes, pros motoristas de aplicativo. Ok, isso é bom, movimentou o comércio. Mas, e o imposto da população? Volta como?”, argumentou o vereador, defendendo que empresas privadas arquem com os custos dos eventos, incluindo uso do solo urbano, limpeza e segurança, em troca da exploração comercial e publicitária.








