Para a terapeuta transgeracional Flávia Távora, a culpa feminina muitas vezes não nasce apenas das exigências contemporâneas, mas de padrões emocionais herdados ao longo de gerações
Ansiedade constante, dificuldade de descansar sem culpa, medo de errar e sensação permanente de insuficiência. Esses sentimentos fazem parte da rotina de muitas mulheres brasileiras e têm reflexos diretos na saúde mental e na vida profissional. Dados do Ministério da Saúde indicam maior prevalência de transtornos de ansiedade entre mulheres, enquanto levantamentos sobre mercado de trabalho apontam que elas seguem acumulando jornada dupla e níveis elevados de exaustão emocional.
Embora o debate costume focar na sobrecarga atual, especialistas defendem que parte desse peso pode ter raízes mais profundas. Para a terapeuta transgeracional Flávia Távora, a culpa feminina muitas vezes não nasce apenas das exigências contemporâneas, mas de padrões emocionais herdados ao longo de gerações. “A forma como nossas mães e avós viveram – muitas vezes em contextos de escassez, silenciamento e sacrifício -, influencia crenças inconscientes como ‘preciso dar conta de tudo’ ou ‘não posso falhar’”, explica.
Segundo Flávia, a psicogenealogia estuda como experiências marcantes do sistema familiar atravessam o tempo e moldam comportamentos atuais. Histórias de abandono, perdas financeiras, humilhações ou responsabilidades precoces podem se transformar em mandatos invisíveis. “Muitas mulheres cresceram vendo suas mães se sacrificarem, suportarem críticas e colocarem as próprias necessidades em último lugar. Sem perceber, reproduzem esse modelo no trabalho e nos relacionamentos”, afirma.
No ambiente profissional, essa herança pode se manifestar na dificuldade de negociar salário, na tendência a assumir tarefas extras para provar valor ou no medo de se posicionar. Pesquisas sobre liderança feminina mostram que mulheres ainda ocupam menos cargos estratégicos e, em muitos casos, hesitam em se candidatar a promoções quando não atendem a todos os requisitos formais. Para a terapeuta, a raiz pode estar na autocrítica excessiva. “A culpa se transforma em autocobrança permanente. O erro deixa de ser parte do aprendizado e passa a ser vivido como ameaça de exclusão”, pontua.
O impacto também é físico. Esgotamento, insônia e irritabilidade são sintomas recorrentes entre mulheres que vivem em estado constante de alerta. “O corpo responde ao peso emocional acumulado. Quando a culpa é internalizada como obrigação de ser perfeita, a saúde paga o preço”, alerta Flávia Távora.
A proposta da terapia transgeracional não é buscar culpados no passado, mas trazer consciência. A partir da análise da árvore genealógica, é possível identificar padrões repetitivos e compreender de onde vêm determinadas crenças. “Quando a mulher entende que aquela culpa não começou nela, ela ganha liberdade para fazer escolhas diferentes. Pode honrar sua história sem repetir o sofrimento”, destaca.
Ao ampliar o debate sobre saúde mental feminina, a especialista reforça que reconhecer essas heranças é um passo estratégico para ambientes de trabalho mais saudáveis e trajetórias mais equilibradas. “Romper o ciclo não significa negar a história da família. Significa atualizar essa história. A geração atual pode escolher prosperar sem carregar o peso do passado”, conclui.
A culpa invisível pode ser silenciosa, mas seus efeitos são concretos. Olhar para as raízes emocionais é um movimento que impacta não apenas a saúde individual, mas também produtividade, relações profissionais e qualidade de vida.
SERVIÇO:
Terapeuta transgeracional Flávia Távora
Endereço: Rua das Pernambucanas, 136, sala 08 – Graças – Recife/PE
Instagram: @flaviatavora_terapia








