Simony Cesar, filha de uma cobradora de ônibus, que estudou em escola pública e se formou em universidade federal, dá uma lição ao mundo
A CEO da startup recifense Super NINA, Simony Cesar, que está nesse momento em San Francisco (Califórnia/Estados Unidos), anuncia o país norte americano como primeiro mercado internacional para a startup pernambucana. Simony foi selecionada para o programa Young Leaders of the Americas Initiative do Governo dos EUA, onde participa de uma imersão de quatro semanas.
A startup brasileira de tecnologia contra a violência de gênero quer abrir o mercado americano por meio de parcerias de revenda e ajudar a influenciar políticas públicas de segurança na mobilidade urbana, começando por San Francisco, no norte da Califórnia. A história começa na periferia do Recife, onde Simony Cesar, filha de uma cobradora de ônibus, estudou em escola pública e se formou em universidade federal. Nesse momento, ela está em San Francisco, no coração do Vale do Silício, à frente da expansão internacional da empresa de tecnologia que fundou: a Super NINA, voltada ao enfrentamento da violência de gênero na mobilidade urbana.
Não passa despercebido o simbolismo dessa trajetória: a filha de uma mulher que passou a vida dentro do transporte público hoje lidera uma empresa que usa tecnologia para tornar esse mesmo transporte mais seguro para outras mulheres e leva essa missão para fora do Brasil.
O anúncio: os Estados Unidos como primeiro mercado internacional
A Super NINA dá início em 2026 ao seu movimento de expansão internacional, e o primeiro mercado-alvo fora do Brasil são os Estados Unidos. A estratégia foi desenhada durante uma imersão de quatro semanas em San Francisco, conduzida por Luke Jubb, Founder e CEO da empresa.
O plano de entrada no país tem como base parcerias de revenda: a empresa busca firmar acordos com companhias locais para que comercializem o software da Super NINA, e conta com uma profissional brasileira radicada há três anos nos Estados Unidos com trajetória em outra empresa de tecnologia, para liderar essa revenda no mercado americano. Entre as conversas em andamento está uma possível parceria com Luke Jubb, fundador da Strike.
Além da venda: a ambição de impacto social
Mais do que vender software, a ambição da Super NINA é de impacto social. Uma vez estabelecida a revenda, o objetivo é ajudar a influenciar a criação de políticas públicas de combate à violência de gênero nos Estados Unidos — um movimento que deve começar em San Francisco, mas com a meta de alcançar todo o território americano.
Um problema de escala nacional
O assédio em espaços públicos e no deslocamento urbano é uma realidade documentada nos Estados Unidos. Segundo o #MeToo 2024 Report, da Tulane University, que ouviu mais de 3.300 adultos no país, 73% das mulheres e 24% dos homens relataram ter sofrido assédio em locais públicos como ruas, parques, lojas, ônibus ou metrô. O mesmo levantamento aponta que 82% das mulheres e 42% dos homens já passaram por assédio ou violência sexual ao longo da vida.
Estudos focados em transporte reforçam o cenário: uma pesquisa do Mineta Transportation Institute, conduzida na San José State University, constatou que 63% dos passageiros entrevistados relataram ter sofrido algum tipo de assédio sexual ao usar trem ou ônibus, o que leva muitos a reduzir o uso do transporte público.
“Minha mãe foi cobradora de ônibus. Eu cresci entendendo o que é depender do transporte público todos os dias. Levar a Super NINA para os Estados Unidos é provar que uma solução nascida no Brasil, pensada para proteger pessoas, pode virar política pública em qualquer lugar do mundo”, destacou Simony Cesar, Founder e CEO da Super NINA.
Sobre a Super NINA
A Super NINA é uma empresa brasileira de tecnologia que desenvolve soluções para o enfrentamento da violência de gênero na mobilidade urbana e no transporte público. O trabalho é pautado em gerar dados que empresas governos e instituições necessitam para garantir segurança e inclusão para todos nos espaços urbanos. Aliando mobilidade, inovação e tecnologia, queremos desenvolver cidades inteligentes (ou SMART CITIES) garantindo o direito de ir e vir em todos os ambientes e a equidade de gênero na mobilidade urbana.
A Super NINA é uma startup brasileira que une tecnologia, dados e propósito social para enfrentar a violência de gênero nos transportes. A iniciativa já foi reconhecida em diversos eventos nacionais e internacionais.
Sobre programa americano “Young Leaders of the Americas Initiative”
Simony Cesar foi selecionada para o programa Young Leaders of the Americas Initiative do Governo dos EUA. A CEO startup recifense SUPER NINA foi uma das 17 selecionadas no Brasil para o “Young Leaders of the Americas Initiative”, um programa do Departamento de Estado dos EUA que capacita jovens empreendedores e líderes da América Latina, Caribe e Canadá, oferecendo intercâmbio nos Estados Unidos com treinamento em liderança e empreendedorismo, mentoria em empresas americanas e networking para fortalecer seus negócios e impacto social, visando desenvolver soluções inovadoras e impulsionar o desenvolvimento econômico e social na região.
As atividades Incluem experiência imersiva nos EUA, com colocações profissionais, currículo de liderança empreendedora e networking com líderes empresariais e governamentais. O objetivo do programa é promover o desenvolvimento socioeconômico e a colaboração entre as Américas, fortalecendo as redes de parceria. Simony embarcou no mês de abril, onde passa 45 dias, retornando no final de maio. A empreendedora, nascida em Dois Unidos, periferia do Recife, mais uma vez, conquistando o mundo.








