Segundo a terapeuta transgeracional Flávia Távora, o amor que vivemos hoje carrega marcas do que aprendemos antes mesmo de amar
Com a chegada do Dia dos Namorados, vitrines se enchem de corações, restaurantes lotam e as redes sociais celebram encontros e declarações. Mas, para além dos presentes e jantares românticos, junho pode ser um convite a um olhar mais profundo sobre o amor. Especialistas alertam que todo relacionamento é, na verdade, o encontro de duas histórias – e de duas linhagens inteiras que caminham silenciosamente ao lado de cada pessoa.
A psicogenealogia e a abordagem transgeracional defendem que ninguém começa do zero quando decide amar. Herdam-se não apenas traços físicos, mas crenças sobre relacionamentos, modelos de convivência, medos, padrões de escolha e até dores não elaboradas que atravessam gerações. Segundo a terapeuta transgeracional Flávia Távora, o amor que vivemos hoje carrega marcas do que aprendemos antes mesmo de amar.
“Fomos moldados pela forma como nossos pais se relacionaram, pelos conflitos que testemunhamos, pelos silêncios familiares e pelos padrões que se repetiram como se fossem destino. Isso cria um campo afetivo que influencia quem escolhemos e como nos comportamos no relacionamento”, explica.
Esse histórico invisível ajuda a entender por que, muitas vezes, o amor desperta reações intensas e aparentemente desproporcionais. Inseguranças antigas, medo de abandono, ciúmes excessivos ou dificuldade de confiar podem estar ligados a experiências emocionais herdadas. “O parceiro não é o causador da dor, ele é o espelho que revela o que já estava ali. Quando um relacionamento ativa algo muito profundo, geralmente não é apenas sobre o presente, mas sobre histórias que ainda pedem reconhecimento”, afirma Flávia.
Dados recentes apontam que conflitos afetivos estão entre as principais causas de sofrimento emocional relatadas em atendimentos psicológicos. Em um cenário de altos índices de ansiedade e estresse, refletir sobre os padrões repetidos nos relacionamentos se torna um movimento de autocuidado. Para a terapeuta, o mês dos namorados pode ser oportunidade de diferenciar o que é escolha consciente do que é herança emocional. “Amar com maturidade é perceber quais comportamentos são realmente nossos e quais são lealdades invisíveis à nossa família. Quando identificamos isso, ganhamos liberdade”, destaca.
A proposta não é buscar culpados no passado, mas compreender contextos. Ao reconhecer padrões de abandono, traição, silenciamento ou dependência afetiva presentes na árvore genealógica, o casal pode construir uma nova narrativa. “Relacionamentos conscientes deixam de ser palco de repetição e se tornam espaço de cura. É possível honrar a própria história sem repetir suas dores”, pontua Flávia Távora.
Neste Dia dos Namorados, o maior presente pode não estar embrulhado em papel colorido. Pode estar na coragem de olhar para dentro, compreender a própria história e escolher um amor que não aprisiona ao passado, mas constrói um futuro mais saudável. Porque amar é sempre um ato de entrega – e amar com consciência é também um ato de libertação.
SERVIÇO:
Terapeuta transgeracional Flávia Távora
Endereço: Rua das Pernambucanas, 136, sl 08 – Graças
Instagram: @flaviatavora_terapia








