Milhares de empreendimentos enfrentam dificuldades financeiras nos primeiros anos de atividade, muitas vezes por falhas básicas de gestão e planejamento
O Brasil vive um movimento crescente de abertura de empresas impulsionado pela chamada “pejotização”. Cada vez mais profissionais deixam o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para atuar como pessoa jurídica, seja por exigência do mercado, seja pela busca de maior autonomia e remuneração. No entanto, especialistas alertam que abrir um CNPJ não significa, necessariamente, estar preparado para administrar um negócio.
Segundo dados do Sebrae, os pequenos negócios representam cerca de 99% das empresas brasileiras e respondem por aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Apesar disso, milhares de empreendimentos enfrentam dificuldades financeiras nos primeiros anos de atividade, muitas vezes por falhas básicas de gestão e planejamento.
Para o contador Paulo de Tarso, da CSMalta Contabilidade, um dos principais equívocos é acreditar que a mudança de CLT para pessoa jurídica exige apenas a abertura do CNPJ. “Muitos profissionais continuam administrando a empresa como se fosse uma extensão da conta pessoal. Recebem, gastam, não registram despesas e não sabem exatamente quanto estão lucrando. Isso compromete completamente a saúde financeira do negócio”, afirma.
Entre os erros mais comuns, o especialista destaca a mistura das finanças pessoais com as empresariais, a ausência de fluxo de caixa, a falta de reserva financeira, o desconhecimento da carga tributária e a inexistência de planejamento para pagamento de impostos. “É comum encontrar profissionais que faturam bem, mas chegam ao fim do mês sem capital de giro porque não fizeram uma gestão adequada dos recursos”, explica.
Outro problema recorrente é a falta de controle sobre os custos da atividade. Muitos novos empresários concentram esforços em conquistar clientes, mas deixam de acompanhar indicadores fundamentais, como margem de lucro, despesas fixas e rentabilidade. “Faturamento não é sinônimo de lucro. Uma empresa pode vender muito e, ainda assim, operar no prejuízo”, ressalta Paulo de Tarso.
O contador também chama atenção para a importância da organização contábil desde o início das atividades. Além de evitar problemas com o Fisco, uma contabilidade estruturada oferece informações que ajudam o empresário na tomada de decisões. “A contabilidade deixou de ser apenas uma obrigação legal. Hoje ela é uma ferramenta estratégica para controlar custos, planejar investimentos e garantir o crescimento sustentável da empresa”, afirma.
Com o encerramento do primeiro semestre de 2026, Paulo de Tarso recomenda que empresários aproveitem o momento para fazer um diagnóstico financeiro do negócio. Revisar receitas, despesas, impostos, fluxo de caixa e margem de lucro pode fazer a diferença no desempenho da empresa durante a segunda metade do ano.
“Quem abriu um CNPJ precisa mudar também a forma de administrar o dinheiro. Empresa não pode ser gerida no improviso. Quanto antes o empreendedor desenvolver uma cultura de planejamento e controle financeiro, maiores serão as chances de crescimento e longevidade do negócio”, conclui o contador da CSMalta Contabilidade.
SERVIÇO:
CSMalta Contabilidade
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