Estudante de Psicologia da UniFG equilibra os estudos com a criação da filha e representa uma geração de pais que exercem o “paternar” ativamente
O Dia dos Pais tem evidenciado uma mudança importante na forma como a paternidade é vivida no Brasil. Se antes a figura paterna era associada quase exclusivamente ao papel de provedor financeiro, hoje ganha cada vez mais espaço o chamado “pai participativo”: aquele que divide os cuidados, acompanha o desenvolvimento dos filhos, oferece suporte emocional e compartilha as responsabilidades da criação.
Essa transformação encontra respaldo na legislação. Desde a promulgação da Lei nº 13.058/2014, a guarda compartilhada passou a ser a regra no Brasil, desde que ambos estejam aptos ao exercício do poder familiar. A constituição reforça que a responsabilidade pela criação dos filhos deve ser dividida, independentemente da configuração familiar ou da convivência entre os genitores. Além disso, o Código Civil estabelece que compete a ambos os pais dirigir a criação e a educação dos filhos.
Na prática, essa corresponsabilidade vai muito além das decisões judiciais. Ela se manifesta no dia a dia e na presença constante na vida das crianças. É essa realidade que vive Breno Pontes, pai de Ana Luiza (de cinco anos), e estudante de Psicologia da UniFG Pernambuco, integrante da Ânima Educação, o maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil. Desde o nascimento da filha, ele participa ativamente dos cuidados.
Quando a esposa Joicy Pontes retornou ao trabalho, Ana tinha apenas cinco meses e foi ele quem assumiu boa parte da rotina: “Eu dava banho, preparava o leite, trocava as fraldas e fui o primeiro a ver o primeiro dentinho nascer. Cada um desses momentos fortaleceu ainda mais o nosso vínculo. Até hoje faço questão de participar de tudo: consultas médicas, escola e cada fase do crescimento dela. Dividimos os cuidados, as responsabilidades e também a alegria de acompanhar seu desenvolvimento”.
Em algumas noites, quando a mãe da criança está trabalhando, ele leva Ana para a faculdade. Na UniFG, o estudante diz ter construído uma rede de apoio que o acolhe e dá suporte para que siga estudando, sem deixar de exercer seu papel como pai.
“Meus colegas brincam com a Ana, ajudam quando preciso assistir às aulas e os professores sempre demonstraram muita compreensão. Muitos já conhecem minha filha e, quando ela não está comigo, perguntam por ela. Essas experiências mostram que ser pai é estar presente e que ninguém constrói essa jornada sozinho”, comenta.
Para o professor de Psicologia da UniFG Pernambuco, Francisco Souza, a paternidade vai além do vínculo biológico e representa uma escolha cotidiana. “Quando você é pai, existe uma decisão consciente de exercer a paternidade. É o paternar. A mãe tem seu papel e o pai também, mas a função de criar os filhos pertence aos dois ”.
Ainda segundo ele, a presença do pai exerce papel importante na construção emocional e social da criança. “O pai costuma representar segurança, disciplina e estabilidade. Seja qual for a composição familiar, é importante que exista essa referência de cuidado. Para muitas crianças, o pai é um exemplo, alguém que inspira confiança e ajuda na formação do caráter”, analisa o especialista.
É cada vez mais difundido que a qualidade da presença paterna tem impacto positivo no desenvolvimento social infantil, favorecendo vínculos afetivos, autoestima e segurança emocional. A paternidade contemporânea, portanto, é marcada pela convivência e participação ativa na vida dos filhos. Histórias como a de Breno mostram que o maior presente para uma criança continua sendo a presença.
“A Ana foi muito planejada e esperada. Quando soube da gravidez, fiquei extremamente feliz, mas também inseguro. Eu não tive uma figura paterna presente na minha vida e me perguntava constantemente se seria um bom pai. Descobri que ninguém nasce sabendo exercer a paternidade. Aprendemos todos os dias, com amor, dedicação e vontade de fazer o nosso melhor”, conclui orgulhoso o estudante.








