Pesquisa-ação desenvolvida pela UFPE, em parceria com organizações sociais, será encerrada com seminário entre os dias 17 e 19 de agosto, em Pernambuco, com participação do secretário Nacional de Pesca, Cristiano Ramalho na abertura do evento
O projeto “Petróleo e os Povos da Pesca Artesanal: Enfrentando o Racismo e a Injustiça Ambiental” chega à etapa final após dois anos e meio de pesquisa-ação voltada à identificação dos impactos socioambientais provocados pelo derramamento de petróleo que atingiu o litoral do Nordeste em 2019. Considerado um dos maiores crimes ambientais da história do país, o episódio completa sete anos sem respostas efetivas para muitas das comunidades afetadas.
O encerramento das atividades será marcado por um seminário, que acontece entre os dias 17 e 19 de agosto de 2026, no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (CENEPE), localizado em Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco.
A iniciativa é resultado do Termo de Execução Descentralizada nº 78/2023, entre a Secretaria Nacional de Pesca Artesanal do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNPA/MPA) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e é desenvolvida e executada no Centro de Estudos Avançados da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), por uma equipe gestora composta de professores do CEA e do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema/UFPE). O projeto conta com a participação de pesquisadores do CEA e do PRODEMA, da UFBA, estudantes de graduação, mestrado e doutorado, além da organização popular de base comunitária Caranguejo Uçá e do apoio do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP).
Iniciada em janeiro de 2024, a pesquisa se estende até agosto de 2026 e tem como objetivo contribuir para a elaboração e implementação de políticas públicas voltadas à proteção dos recursos naturais, das práticas culturais e dos modos de vida sustentáveis das comunidades de pesca artesanal dos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.
O projeto também busca enfrentar situações de racismo e injustiça ambiental vivenciadas pelas populações pesqueiras, especialmente diante dos impactos provocados pelo derramamento de petróleo, além de outros problemas socioambientais que afetam os territórios tradicionais.
Pesquisa, extensão e participação comunitária
A iniciativa combina pesquisa científica e extensão universitária, com participação direta das comunidades pesqueiras. O trabalho busca conhecer as especificidades, os problemas e as potencialidades de cada território, além de levantar informações sobre as condições de saúde de pescadoras e pescadores e o acesso às políticas públicas, considerando as situações de racismo e injustiça ambiental enfrentadas pelas comunidades.
Como atividade de extensão, o projeto promove ações de educação ambiental, fortalecimento das organizações comunitárias e incentivo a atividades econômicas complementares à pesca artesanal.
Entre as ações desenvolvidas está o monitoramento das condições de saúde de pescadoras e pescadores que vivem e trabalham em áreas estuarinas e de manguezais. A proposta é ampliar o conhecimento das comunidades sobre os impactos ambientais e sanitários existentes nos territórios e contribuir para a construção de alternativas que fortaleçam a pesca artesanal e outras atividades sustentáveis.
O projeto também considera possibilidades como o Turismo de Base Comunitária, processos de formação e capacitação, atividades econômicas complementares e estratégias de prevenção e enfrentamento de novos impactos ambientais.
Outro eixo da pesquisa está relacionado à prevenção de riscos e desastres. O projeto busca identificar mecanismos que permitam às comunidades antecipar-se e enfrentar possíveis impactos decorrentes de derramamentos de fluidos e dejetos provenientes de embarcações, portos, tubulações e outras atividades realizadas nas áreas litorâneas e estuarinas.
Saúde e impactos socioambientais
Entre os resultados esperados está a caracterização dos aspectos econômicos, sociais e culturais, bem como dos principais problemas e potencialidades de cada comunidade participante.
A pesquisa também dá destaque às condições de saúde das populações pesqueiras, considerando enfermidades de origem endêmica e pandêmica e aquelas associadas aos impactos socioambientais provocados pelo derramamento de petróleo, pela ausência de saneamento básico, pelo lançamento de efluentes químicos e por outros agentes contaminantes.
A partir desse levantamento, a iniciativa pretende contribuir para a identificação de alternativas socioeconômicas e de estratégias de fortalecimento das comunidades de pesca artesanal, respeitando seus conhecimentos tradicionais, seus modos de vida e sua relação com os territórios.
Resultados serão apresentados em seminário
Os resultados da pesquisa serão apresentados e validados junto às pescadoras e aos pescadores artesanais que participaram do projeto durante o seminário de finalização, que será realizado de 17 a 19 de agosto de 2026, no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (CENEPE), em Tamandaré.
Os conhecimentos e resultados produzidos ao longo da pesquisa deverão ser sistematizados em diferentes formatos, incluindo relatórios, cartilhas, livretos, mapas, artigos científicos e trabalhos acadêmicos, como trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de doutorado produzidos por estudantes da UFPE.
Ao aproximar universidade, organizações sociais e comunidades tradicionais, o projeto busca fortalecer a participação popular na construção de políticas públicas e ampliar a capacidade das comunidades pesqueiras de enfrentar os impactos ambientais, sociais e econômicos que ameaçam seus territórios e modos de vida.
Programação
17 de agosto (segunda-feira)
Tarde
13h – Almoço
15h – Mesa de abertura
16h – Intervalo e lanche
16h30 – Apresentação: “Saúde e trabalho no pós-desastre: resistências em comunidades pesqueiras”
Professora Ana Angélica (UFBA)
18h – Encerramento
19h – Jantar
20h – Momento Saúde: interação planta-pescadora
18 de agosto (terça-feira)
Manhã
8h – Dinâmica para início da Ciranda dos Aprendizados
9h – Ciranda dos Aprendizados
10h20 – Intervalo e lanche
10h40 – Retorno à Ciranda dos Aprendizados
12h – Encerramento
Tarde
12h30 – Almoço
14h – Papo de Maré
15h40 – Intervalo e lanche
16h – Plenária de validação das discussões realizadas na Ciranda dos Aprendizados
19 de agosto (quarta-feira)
Manhã
8h – Dinâmica do Bom Dia
8h30 – Apresentação: “Impactos do derramamento de petróleo na saúde do pescador artesanal”
Professor Marcos André Silva (UFPE)
9h30 – Intervalo e lanche
10h – Mesa de encerramento
Apresentação dos resultados consolidados pelos participantes e dos produtos do projeto.
12h – Almoço
14h – Deslocamento das pessoas para suas comunidades








