Os principais erros antes do exame de sangue que podem comprometer resultados; especialista orienta como se preparar

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De acordo com a médica patologista clínica e fundadora do Grupo Nabuco, Sofia Acioli, não existe um preparo único que sirva para todos os exames / Foto: Divulgação

Exercício intenso, álcool, medicamentos, jejum inadequado e horário incorreto da coleta, estão entre os principais fatores que podem interferir nos exames laboratoriais

Um exame de sangue é uma importante ferramenta para avaliar o funcionamento do organismo, mas o resultado pode ser influenciado por hábitos e situações que antecedem a coleta. Prática de exercícios físicos intensos, consumo de bebidas alcoólicas, uso de medicamentos e até o horário escolhido para a coleta estão entre os principais pontos de atenção. De acordo com a médica patologista clínica e fundadora do Grupo Nabuco, Sofia Acioli, não existe um preparo único que sirva para todos os exames. “O exame de sangue funciona como uma ‘fotografia’ do organismo naquele momento. Por isso, algumas situações podem modificar temporariamente essa fotografia”, explica.

A primeira recomendação é observar corretamente as orientações de preparo fornecidas pelo médico ou pelo laboratório. E, caso o paciente não consiga seguir algumas delas, a recomendação é informar a equipe antes da coleta. “O mais importante é informar ao laboratório antes da coleta. Não é recomendável esconder que comeu, ingeriu álcool, fez exercício ou tomou algum medicamento. A equipe avaliará se o exame pode ser realizado normalmente ou se é mais seguro remarcar”, afirma.

Seguem abaixo os aspectos mais importantes a serem observados antes de sentar na cadeira de coleta:

Exercício intenso – A prática de atividades físicas intensas nas horas que antecedem a coleta também merece atenção. O exercício provoca alterações temporárias no metabolismo e na musculatura e pode modificar determinados parâmetros laboratoriais, mesmo em pessoas saudáveis. Entre os exames que podem sofrer maior influência estão aqueles relacionados à atividade muscular, como CK ou CPK, além de AST/TGO, LDH, PSA e lactato. Dependendo da intensidade do exercício, também podem ocorrer alterações em glicose, eletrólitos e componentes do hemograma. “Como orientação geral, é prudente evitar exercícios muito intensos nas 24 horas anteriores à coleta. Para exames específicos, entretanto, o médico ou o laboratório pode recomendar um período diferente”, esclarece a patologista Sofia Acioli.

Medicamentos e suplementos – Outro ponto importante é comunicar ao laboratório todos os medicamentos, vitaminas e suplementos utilizados. Alguns deles podem alterar os resultados ou interferir nos métodos empregados pelos laboratórios. Segundo Sofia Acioli, “corticoides, por exemplo, podem modificar a glicemia e alguns hormônios. Diuréticos podem interferir nos níveis de sódio e potássio. Medicamentos utilizados no tratamento da tireoide, diabetes e terapias hormonais também podem influenciar exames específicos”. Ainda segundo ela, a biotina, presente em alguns suplementos, é outro exemplo de substância que pode interferir em determinados testes laboratoriais. A recomendação, entretanto, é não suspender nenhum medicamento por conta própria. “Quando uma pausa for necessária, ela deve ser orientada pelo médico ou pelo laboratório. O paciente nunca deve suspender um medicamento por conta própria para realizar um exame”, alerta.

Álcool – O consumo de bebidas alcoólicas antes da coleta é outro fator que pode comprometer determinados resultados. O álcool provoca alterações metabólicas temporárias, que variam de acordo com a quantidade ingerida e a frequência de consumo. Exames relacionados ao fígado e ao metabolismo merecem atenção especial. Enzimas hepáticas, triglicerídeos e glicose, entre outros parâmetros, podem sofrer influência. “Como orientação geral, recomenda-se evitar bebidas alcoólicas por pelo menos 24 horas antes da coleta, especialmente quando serão avaliados metabolismo e função hepática. E, dependendo do exame, o período de restrição pode ser diferente”, alertou.

Horário da coleta – O organismo possui um relógio biológico, conhecido como ritmo circadiano, que faz com que a concentração de algumas substâncias varie naturalmente ao longo do dia. O cortisol é um exemplo. Seus níveis podem apresentar diferenças significativas conforme o horário da coleta. A testosterona também apresenta variação diária e, em determinadas investigações, a coleta é recomendada no período da manhã. “Por isso, se o médico determinar um horário específico para o exame, essa orientação deve ser seguida, mesmo quando houver também recomendação de jejum. Quando o horário é especificado, ele faz parte do preparo do exame e deve ser respeitado juntamente com o jejum, quando necessário. Se houver dificuldade para cumprir as duas orientações, o paciente deve consultar o laboratório antes da coleta”, orienta Sofia Acioli.

Jejum – Um dos equívocos mais comuns é acreditar que todo exame de sangue exige jejum prolongado. Isso não é verdade. Exames como o hemograma, por exemplo, geralmente não necessitam de jejum. Já a glicemia de jejum requer, em geral, pelo menos oito horas sem ingestão calórica. Sofia Acioli reforça que, durante o período de jejum, em geral, a ingestão de água pura é permitida. “Café, chá, sucos e refrigerantes, porém, não devem ser considerados substitutos da água e podem interferir no preparo de determinados exames”, explica.

Segundo ela, de modo geral, informar corretamente todas as condições antes da coleta é uma medida simples que pode evitar resultados inadequados, preocupações desnecessárias e até a necessidade de repetir o exame.

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