Pele acneica exige mais do que controle da oleosidade: rotina adequada e informação fazem diferença

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Foto: divulgação

Entenda por que a acne é uma condição multifatorial, quais hábitos podem agravar o quadro e como construir uma rotina de cuidados sem comprometer a barreira da pele

A acne está entre as condições dermatológicas mais comuns e não deve ser encarada apenas como consequência de pele oleosa ou de falta de higiene. Cravos, espinhas e lesões inflamadas estão relacionados a uma combinação de fatores, como produção de sebo, alterações na queratinização dos folículos, ação da bactéria Cutibacterium acnes e processos inflamatórios. Por isso, o cuidado com a pele acneica exige uma abordagem individualizada e atenção aos produtos e hábitos utilizados no dia a dia.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a acne é uma doença inflamatória crônica do folículo pilossebáceo e pode aparecer principalmente na adolescência, mas também persistir ou surgir na idade adulta. A entidade destaca ainda que a condição pode provocar impactos emocionais e sociais, especialmente quando as lesões são intensas ou deixam cicatrizes.

Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia apontam que a acne atinge cerca de 80% dos adolescentes e jovens em algum momento dessa fase da vida. A condição, entretanto, não está restrita a esse público. Nas mulheres adultas, por exemplo, alterações hormonais podem contribuir para o surgimento ou agravamento das lesões, principalmente na região inferior do rosto, mandíbula e queixo.

Para Alice Lisboa, professora do curso de Estética da Wyden, um dos principais erros no cuidado com a pele acneica é associar o excesso de oleosidade à necessidade de uma limpeza agressiva. “A pele acneica precisa de equilíbrio, e não de agressão. Quando a pessoa tenta retirar toda a oleosidade por meio de sabonetes muito adstringentes, esfoliações frequentes ou procedimentos inadequados, pode comprometer a barreira cutânea e aumentar a sensibilidade e a inflamação. O objetivo do cuidado estético deve ser controlar a oleosidade sem retirar da pele aquilo que ela precisa para se proteger”, explica.

A rotina de cuidados deve começar pela higienização adequada. A recomendação geral é utilizar produtos compatíveis com o tipo de pele, evitando água muito quente e fricção excessiva. Outro ponto importante é a hidratação. Mesmo peles oleosas ou acneicas precisam de hidratantes, preferencialmente formulações leves e não comedogênicas, que ajudem a preservar a barreira cutânea.

“O conceito de que pele oleosa não precisa de hidratação é um dos mitos que mais atrapalham o tratamento. A hidratação adequada contribui para a manutenção da barreira da pele e pode tornar a rotina mais confortável. O importante é escolher uma formulação adequada às características individuais, e não simplesmente retirar o hidratante da rotina”, afirma Alice.

A fotoproteção também é fundamental. Além de proteger contra os efeitos da radiação ultravioleta, o uso diário de protetor solar é especialmente relevante para quem apresenta manchas após as inflamações. A chamada hiperpigmentação pós-inflamatória pode permanecer por meses depois que a espinha desaparece, principalmente em peles mais pigmentadas.

Outro cuidado importante é evitar manipular as lesões. Espremer cravos e espinhas pode aumentar a inflamação, favorecer infecções e elevar o risco de marcas e cicatrizes. “A espinha é uma manifestação inflamatória, portanto, mexer constantemente na lesão pode transformar um quadro que poderia evoluir naturalmente em uma inflamação maior e deixar marcas. O cuidado não deve ser baseado na urgência de retirar a lesão, mas em controlar os fatores que contribuem para o quadro”, orienta a coordenadora.

A alimentação também costuma ser associada ao aparecimento da acne, mas a relação é mais complexa do que simplesmente apontar um alimento como causa. Segundo a American Academy of Dermatology Association (AAD), alguns estudos indicam associação entre dietas de alto índice glicêmico e o agravamento da acne em determinadas pessoas. A entidade ressalta, porém, que mais pesquisas são necessárias para compreender completamente essa relação.

Além dos hábitos cotidianos, a escolha de cosméticos merece atenção. Maquiagens, hidratantes, protetores solares e outros produtos devem ser escolhidos considerando as características da pele. A expressão “não comedogênico”, frequentemente encontrada em cosméticos destinados a peles oleosas, indica produtos formulados para reduzir a probabilidade de obstrução dos poros, embora não seja uma garantia absoluta de que determinado produto funcionará igualmente para todas as pessoas.

A acne também não deve ser tratada apenas como uma questão estética. Quadros persistentes, dolorosos, extensos ou que deixam cicatrizes podem exigir avaliação médica. A SBD recomenda procurar um dermatologista para diagnóstico e definição do tratamento adequado, especialmente em casos moderados e graves.

“O cuidado estético tem um papel importante na saúde e na autoestima, mas é fundamental reconhecer os limites de atuação. Quando há uma condição persistente, inflamatória ou com risco de cicatrização, o trabalho deve ser integrado ao acompanhamento dermatológico. Quanto mais cedo o quadro é avaliado corretamente, maiores são as possibilidades de evitar complicações e marcas permanentes”, finaliza Alice Lisboa.

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