Professora Ana Lídia Queiroz, do Colégio Imaculado Coração de Maria, em Olinda, revela estratégias para melhorar a nota, explica erros que comprometem o desempenho e destaca como dados de Pernambuco podem enriquecer os argumentos dos candidatos
A redação pode ser um dos grandes diferenciais para quem disputa uma vaga no ensino superior por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com pontuação máxima de mil pontos, a prova exige muito mais do que escrever corretamente: é preciso compreender o tema, defender uma opinião com argumentos consistentes e apresentar uma proposta de intervenção para o problema discutido. Para ajudar os candidatos nessa preparação, a professora de redação Ana Lídia Queiroz, do Colégio Imaculado Coração de Maria, em Olinda, destaca estratégias que podem contribuir para um desempenho melhor no exame.
O desafio exige preparação contínua, especialmente em um cenário no qual a capacidade de interpretar informações, selecionar referências e construir um raciocínio coerente é fundamental. A redação é avaliada em cinco competências, cada uma com pontuação máxima de 200 pontos, que contemplam o domínio da escrita formal, a compreensão do tema, a organização dos argumentos, a coesão textual e a elaboração de uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
“O estudante não deve se preparar apenas tentando adivinhar o tema da redação. É fundamental desenvolver a capacidade de interpretar diferentes situações, construir uma tese e defender seu ponto de vista com argumentos bem fundamentados. A prática frequente da escrita, acompanhada de correção e revisão, faz diferença nesse processo”, orienta Ana Lídia Queiroz.
Pernambuco oferece exemplos para ampliar o repertório sociocultural
A realidade pernambucana também pode contribuir para a preparação dos candidatos. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que Pernambuco alcançou Ideb de 4,7 no ensino médio em 2025, acima dos 4,5 registrados em 2023. O resultado representa o maior índice da série histórica para essa etapa, iniciada em 2005.
O indicador pode ajudar os estudantes a refletir sobre políticas públicas, qualidade da educação, desigualdade de oportunidades e desafios da aprendizagem no Brasil. Outros assuntos presentes na realidade do estado, como mudanças climáticas, preservação ambiental, mobilidade urbana e acesso a serviços públicos, também permitem relacionar os conteúdos estudados em sala de aula aos debates da sociedade.
Para a professora, entretanto, não basta memorizar números ou inserir citações conhecidas no texto. O repertório sociocultural precisa estar conectado ao argumento apresentado.
“Um dado estatístico, uma referência histórica ou uma obra literária só contribui efetivamente para a redação quando o candidato consegue explicar sua relação com o tema. O importante é demonstrar conhecimento e saber utilizá-lo para sustentar o próprio raciocínio”, destaca.
Dez estratégias para melhorar a nota na redação
Para orientar os estudantes, Ana Lídia Queiroz recomenda medidas práticas que podem ser incorporadas à rotina de preparação:
1 – Leia a proposta com atenção: identifique o tema e o recorte solicitado para evitar fugir do assunto.
2 – Planeje antes de escrever: organize a tese e os principais argumentos antes de começar o texto.
3 – Construa uma introdução objetiva: apresente o problema e deixe claro o posicionamento que será defendido.
4 – Desenvolva os argumentos: explique causas e consequências, utilizando exemplos e informações pertinentes.
5 – Amplie o repertório sociocultural: acompanhe notícias, leia reportagens e estude referências históricas, científicas e culturais.
6 – Evite citações decoradas: utilize referências que realmente contribuam para a discussão.
7 – Use conectivos adequadamente: estabeleça relações claras entre frases, argumentos e parágrafos.
8 – Elabore uma proposta de intervenção completa: indique o responsável pela ação, a medida proposta, a forma de execução e o resultado esperado.
9 – Treine com tempo marcado: produza redações completas para desenvolver agilidade e aprender a administrar o tempo disponível.
10 -Revise e reescreva: identifique erros de gramática, problemas de coerência e argumentos pouco desenvolvidos, utilizando as correções para melhorar os textos seguintes.
Por que a redação merece atenção especial?
Embora o Enem também seja composto por questões objetivas, a redação exige um conjunto específico de habilidades que precisam ser exercitadas regularmente. Uma boa nota pode favorecer o desempenho geral do candidato, mas seu impacto na classificação depende dos critérios de seleção e dos pesos adotados pela instituição e pelo curso pretendido.
Entre os erros que merecem atenção estão a interpretação inadequada do tema, a apresentação de argumentos sem aprofundamento, o uso de repertório desconectado da discussão e a elaboração de propostas de intervenção vagas. A dificuldade de organizar as ideias e conectar os parágrafos também pode comprometer a qualidade do texto.
A recomendação é utilizar a Cartilha do Participante do Enem 2026, disponibilizada pelo Inep, como referência para conhecer os critérios de avaliação e analisar exemplos de redações bem avaliadas.
“A evolução acontece quando o estudante entende o que precisa melhorar e coloca esse aprendizado em prática. Escrever, receber correções, reescrever e acompanhar a própria evolução são etapas fundamentais. Mais importante do que decorar um modelo é desenvolver autonomia para argumentar diante de qualquer tema”, conclui a professora.
Com orientações que unem conhecimento, prática e análise crítica, o Colégio Imaculado Coração de Maria, em Olinda, reforça a importância da preparação para a redação como parte da formação dos estudantes e do desenvolvimento de competências essenciais para o ingresso no ensino superior.








