Usina de Arte celebra dez anos com reencontro histórico de artistas e programação especial em Pernambuco

0
Para os idealizadores Ricardo e Bruna Pessôa de Queiroz, a celebração representa mais do que uma retrospectiva / Foto: Divulgação

“Arte na Usina – Safra 2026: Encontro de Origens” reúne artistas que participaram do nascimento do projeto e celebra uma década de transformação de uma antiga usina de açúcar em território de arte, educação, natureza e convivência

Há dez anos, um grupo de artistas chegou a uma antiga usina de açúcar na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Entre galpões industriais, máquinas desativadas e estruturas monumentais, encontrou um território repleto de possibilidades. Daquele primeiro encontro, marcado pela experimentação e pelo entusiasmo coletivo, nasceu um festival e, com ele, o embrião de um projeto que transformaria profundamente aquele lugar.

De 5 a 8 de novembro de 2026, a Usina de Arte, em Água Preta, promove o Arte na Usina – Safra 2026: Encontro de Origens, reunindo artistas que participaram de sua criação para celebrar uma década de história e descobrir o que se tornou aquela ideia que ajudaram a imaginar. Entre os participantes estão Hugo França, Fábio Delduque, Paulo Bruscky, Marcelo Silveira, José Rufino, Luiz Braga, Bené Fonteles, Diógenes Moura, Luciana Brites e Benjamim Taubkin, entre outros nomes ligados à trajetória do projeto.

Diferentemente das edições anteriores, o festival deste ano não seguirá o formato tradicional de uma sequência de grandes atrações. A proposta privilegia o reencontro, a convivência e a experimentação artística, em uma programação que reúne música, cinema, literatura, visitas guiadas e experiências compartilhadas entre artistas e comunidade.

Um dos momentos mais aguardados será a apresentação de DJ Dagga e Orquestra, no sábado (7), às 20h, no Pátio da Usina, prometendo surpreender o público com o encontro entre diferentes linguagens musicais e a atmosfera singular da arquitetura industrial. A programação inclui ainda shows de Natascha Falcão e Clave de Fá, uma audição conduzida por Bené Fonteles, leitura dramatizada com Luciana Brites, apresentação do Show da Percha (PB), como parte do Festival de Circo do Brasil, e exibição do filme “Inflexível como o Inferno”, seguida de conversa com Diógenes Moura.

Outro momento simbólico será o lançamento comunitário do livro Usina de Arte – A Construção de uma Utopia: 10 Anos, de Bruno Albertim, no sábado (7), às 17h.

Dez anos em reinvenção

Ao longo dessa década, a antiga Usina Santa Terezinha se reinventou. O complexo industrial passou a abrigar um parque artístico-botânico, obras de arte contemporânea, espaços educativos e iniciativas de regeneração ambiental. Mais do que transformar a paisagem, o projeto criou novas oportunidades de formação, convivência e participação para a comunidade e os municípios do entorno.

O reencontro será também o tema de um documentário, provisoriamente intitulado Dez Anos Depois – O reencontro com a Usina. O filme acompanhará o retorno dos artistas, suas memórias do primeiro festival e suas reações diante das transformações do território, colocando em diálogo o olhar de quem ajudou a imaginar o projeto e a experiência de quem hoje vive e frequenta aquele espaço.

Para os idealizadores Ricardo e Bruna Pessôa de Queiroz, a celebração representa mais do que uma retrospectiva. “É a oportunidade de reunir aqueles que acreditaram nas primeiras possibilidades de transformação e compartilhar com eles os frutos de uma construção coletiva que continua em movimento”, detalha Ricardo.

“Mais do que celebrar o passado, o Encontro de Origens reafirma a essência da Usina de Arte: a capacidade de transformar um território por meio da arte, preservando sua memória e criando novas possibilidades para o futuro”, arremata Bruna.

Sobre a Usina de Arte

Instalada onde funcionou a Usina Santa Terezinha (maior produtora de álcool e açúcar do Brasil nos anos 1950), na cidade de Água Preta, Mata Sul de Pernambuco, o projeto Usina de Arte conecta arte, cultura e meio ambiente, a partir de um museu de arte contemporânea ao ar livre, dentro de um Parque Artístico Botânico. Nele, estão instaladas mais de 45 obras e instalações de nomes como Alfredo Jaar, André Komatsu, Anne e Patrick Poirier, Artur Lescher, Bené Fonteles, Carlos Vergara, Carlos Garaicoa, Camille Kachani, Claudia Jaguaribe, Denise Milan, Flávio Cerqueira, Frida Baranek, Geórgia Kyriakakis, Helena Simões, Hugo França, Iole de Freitas, José Rufino, José Spaniol, Juliana Notari, Julio Villani, Liliane Dardot, Marianne Peretti, Marina Abramović, Maria Tereza e Thiago Sobreiro, Marcelo Silveira, Márcio Almeida, Matheus Rocha Pitta, Paulo Bruscky, Paulo Meira, Regina Silveira, Rizza, Rodrigo Sassi, Ronaldo Tavares, Ricardo Pessôa de Queiroz, Saint Clair Cemin, Túlio Pinto e Vanderlei Lopes.

Em meio a um trabalho de reflorestamento com plantas de mais de 1.000 espécies, em uma área com mais de 44 hectares, o Parque Artístico Botânico é eixo central da iniciativa que irriga outras ações de desenvolvimento para a criação de estruturas para geração de renda e valor para a comunidade de 6 mil moradores no entorno do projeto. São exemplos o Fab Lab Mata Sul – Usina de Arte com terminais de computadores conectados à internet, impressoras em 3D e cortadora a laser para projetos da comunidade, a Escola de Música, a Biblioteca e Centro de Conhecimento público com mais de 5 mil títulos, além de parceria com as unidades escolares no apoio de novas práticas pedagógicas.

O objetivo é estimular o turismo, e a consequente atividade econômica na região da Mata Sul de Pernambuco, criando um ambiente favorável ao empreendedorismo na localidade, que viu nascer restaurantes, pousadas, pesque-e-pague, centro de artesanato, guias para passeios ecoturísticos, camping e a cultura de hospedagens domiciliares. “Essa guinada não seria possível sem o intenso envolvimento da comunidade, parte efetiva de todo o processo, e que, ao se sensibilizar com o potencial transformador da arte, tem contribuído sistematicamente com o projeto, desde a sua gestação até a atual condição de pilar de sustentação dele”, explica Bruna Pessoa de Queiroz, presidente da Associação Socioambiental e Cultural Jacuípe, que gere a Usina de Arte. O grupo reúne mais de 40 membros de segmentos plurais da comunidade da Usina Santa Terezinha, sendo viabilizado a partir do apoio de pessoas físicas e jurídicas.

SERVIÇO:

Arte na Usina – Safra 2026 | Encontro de Origens – 10 anos

Quinta-feira, 5/11
14h – Visita guiada – Roteiro: História e Memória Social
17h – Pôr do Sol – Local: Salão das Meninas

Sexta-feira, 6/11
10h – Visita guiada – Roteiro: Arte e Botânica
11h – Festival de Circo do Brasil – Show da Percha (PB) –  Local: Mercado dos Arcos
16h30 – Audição com Bené Fonteles – “…do amor e da alegria” – Local: Átrio
20h – Show: Clave de Fá
22h – Show: Natascha Falcão

Sábado, 7/11
9h – Leitura dramatizada com Luciana Brites – Local: Escola de Música
17h – Lançamento comunitário do livro “Usina de Arte – A Construção de uma Utopia: 10 Anos”
18h – Filme “Inflexível como o Inferno” e conversa com Diógenes Moura – Local: Biblioteca e Centro de Conhecimento
20h – DJ Dagga e Orquestra – Pátio da Usina

Domingo, 8/11
10h – Visita guiada – Roteiro: Caminhos das Artes Visuais

Na Usina de Arte — Usina Santa Terezinha (Rodovia PE-99, Km 10 – Água Preta)
Acesso: gratuito

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here