‘Amor é sobre muitos tipos de coragem’: Projeto iniciado nas redes sociais vira livro de poesias

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Débora Andrade faz sua estreia na literatura pernambucana, com livro que apresenta as linhas do amor no cotidiano

Enquanto o ano de 2020 esteve permeado pela maior crise sanitária do nosso tempo, impedindo que os encontros presenciais – combustível de troca e afeto – seguissem seu curso natural, foi também imbuído neste cenário de perdas que a arte tornou-se, mais que nunca, um manifesto potente, ou, como muitos acreditam, uma fagulha capaz de aquecer nossos sonhos e retomar a esperança em dias mais justos e amorosos. Tanto para quem cria quanto para quem consome, o conteúdo artístico – disseminado de maneira ainda mais intensa na esfera digital – passou a ser não apenas uma alternativa interessante, mas uma necessidade básica.

Mais que nunca bálsamo em tempos áridos, a arte tem sido aliada em um cenário tão volátil, surtindo o efeito de uma vacina para manter em dia a saúde mental, uma pílula de sensibilidade para perceber outras valiosas perspectivas. Não à toa, muitas pessoas se descobriram artistas durante a pandemia, outras, cuja relação com a arte precedia o isolamento, comentam sobre o quanto o tempo presente – instável e caótico – também foi capaz de possibilitar uma relação mais íntima entre criação e compartilhamento.

É na toada de quem cria para manter-se viva, que a escritora Débora Andrade, 27 anos, traça seu caminho na poesia pernambucana. Em fevereiro de 2020, pouco antes do início da quarentena, ela passou a usar sua conta no Instagram (@palavrasetcetal) para compartilhar sentimentos diversos, amores, ansiedades e saudades, que passaram a reunir cerca de 14,5 mil seguidores, uma audiência interessada em ouvir e contar histórias cotidianas. Muitas poesias, inclusive, misturam-se com as imagens do Recife, através de lambe-lambes que a própria Débora passou a colar pelas ruas esvaziadas da cidade.

O caleidoscópio de emoções criado pela poeta durante a pandemia, se materializa, a partir desta quinta-feira (27), nas páginas de seu primeiro livro, intitulado “Amor é sobre muitos tipos de coragem”. Recalibrando as rotas do afeto, Débora apresenta sua poesia a partir da miríade de sentimentos vividos durante suas histórias de amor. A impressão que temos, no decorrer da leitura, é a de estarmos revirando uma mala, como se cada poema fosse uma peça de roupa, um fragmento do que foi vivido

Em “Amor é sobre muitos tipos de coragem”, a pernambucana conversa com todos aqueles e aquelas que amaram e acompanharam o processo de esfacelamento de um amor. “É para os que nutriram saudades, suportaram dores pungentes e se reinventaram depois do fim. Trata-se de um convite aos leitores e leitoras – qualquer que seja a fase em que se encontram – para trilhar um caminho para dentro, observar sensações, sentimentos, medos, mas, sobretudo, identificar as coragens nas quais viver consiste”, comenta Débora.

À frente do projeto, está a editora mineira “Crivo”, que conheceu o trabalho desenvolvido pela autora através das redes sociais. Além disso, a própria Débora ilustra as páginas da obra, trazendo consigo um time de mulheres artistas: a capa é da colagista Jennifer Simionato, com revisão de Amanda Bruno, doutoranda em estudos literários, e a diagramação fica por conta da designer Lila Bitter. No prefácio, leitores e leitoras deparam-se com as linhas pensadas por Lua Ferreira, outra escritora insurgente das redes sociais. Mulheres que, de alguma forma, apreciam e criam arte como quem fabrica o próprio fôlego.

DÉBORA ANDRADE – Além do livro, a poeta, que é graduada em Direito, estudante de Jornalismo e atua na área da comunicação organizacional, possui outros projetos que primam pela disseminação da arte, da poesia, pelo contato – da forma que hoje é possível. U…

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