Câncer bucal: sinais que aparecem na boca e não devem ser ignorados

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Foto: Dayvison Nunes

Especialista Adriana Morosini, cirurgiã-dentista e implantodontista, destaca sintomas iniciais e reforça a importância da prevenção

Feridas persistentes na boca, dificuldade para mastigar ou alterações na fala podem parecer problemas comuns do dia a dia, mas também podem ser sinais de alerta para o câncer bucal. A doença está entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil e, quando não diagnosticada precocemente, pode comprometer funções essenciais e reduzir significativamente as chances de cura.

No Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, a atenção se volta para a conscientização, a prevenção e o diagnóstico precoce de todos os tipos de câncer, incluindo o câncer de boca, que muitas vezes passa despercebido em seus estágios iniciais. Criada em 2005 pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), a data é uma campanha global de utilidade pública que busca reduzir milhões de mortes evitáveis todos os anos por meio da informação e da mobilização da sociedade e dos governos.

No Brasil, os números reforçam a necessidade de atenção a esse tipo específico da doença. De acordo com a Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil (INCA), entre 2023 e 2025 o país deve registrar mais de 15 mil novos casos por ano de câncer na cavidade oral. O tipo ocupa a oitava posição entre os cânceres mais frequentes, desconsiderando o câncer de pele não melanoma, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.

Segundo a cirurgiã-dentista e implantodontista Adriana Morosini, o câncer de boca é uma condição relativamente comum e que pode estar associada a fatores do cotidiano. “É uma área de muito atrito e movimentação, usada constantemente para mastigar e falar. Muitos pacientes utilizam próteses que causam traumas repetitivos na mucosa, o que pode começar com uma pequena ferida e evoluir para um câncer”, explica.

A especialista destaca que existem diferentes tipos de câncer bucal. “O mais frequente é o carcinoma de células escamosas, que é o que a gente vê com maior incidência. Também temos o carcinoma verrucoso, que costuma ter evolução mais lenta e ser menos agressivo, além dos cânceres das glândulas salivares, que hoje em dia também são bastante comuns”, detalha.

Sinais que merecem atenção

De acordo com Adriana Morosini, observar os sintomas é fundamental para o diagnóstico precoce. Entre os principais sinais de alerta estão a dificuldade para mastigar ou engolir, sensação persistente de algo preso na garganta, dormência em regiões da boca, dificuldade para movimentar a língua, alterações na fala, além de inchaço no pescoço.

“Feridas que não cicatrizam após duas semanas merecem atenção especial. As aftas são comuns, mas geralmente cicatrizam em até 10 ou 14 dias. Já o câncer de boca não cicatriza ou pode até desaparecer e reaparecer no mesmo local, o que é um sinal bastante importante”, alerta a dentista. Outros sintomas associados incluem perda de peso sem causa aparente e sangramentos frequentes na cavidade oral.

Diagnóstico precoce salva vidas

O câncer bucal tem maiores chances de cura quando identificado nas fases iniciais. “Quando o diagnóstico é tardio, existe o risco de comprometimento dos linfonodos do pescoço e até de metástases. Consultas regulares com o cirurgião-dentista permitem identificar alterações ainda no início e aumentam muito as chances de sucesso no tratamento”, reforça Adriana Morosini.

A orientação é procurar um profissional sempre que surgirem alterações persistentes na boca. “A prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo as ferramentas mais eficazes no combate ao câncer, inclusive o câncer de boca”, conclui.

SERVIÇO:

Adriana Morosini é cirurgiã-dentista e implantodontista

Instagram: @dra.adrianamorosini

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