Cultura organizacional na pandemia – o que muda?

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Segundo especialistas, o foco nas empresas deve ser a colaboração e visão humana, como as estratégias mais eficientes nesse cenário de crise

Como fica a cultura organizacional durante essa fase de pandemia? Empresas tiveram de fazer ajustes inesperados nesse cenário. Imagina de repente receber um decreto de que todos vão precisar trabalhar de casa. E agora? Será que o time dá conta? Qual será a estratégia?

Tivemos inúmeros especialistas em gestão e liderança apresentando posicionamentos importantes nesse contexto, o que poderia ser feito e qual a melhor medida. Confira alguns dos principais pontos quando o assunto é cultura organizacional em cenário atípico, levantados pela Plano Consulting.

Foram unânimes em focar na colaboração e visão humana diante desse cenário delicado como a estratégia mais eficiente.

E a cultura? Como a cultura da empresa é afetada no cenário de pandemia?

Primeiro, vamos recordar o que é cultura organizacional e qual a sua importância.

Cultura é como os colaboradores se comportam e se organizam, sendo a personalidade dessa empresa.

Uma organização pode ter uma cultura harmoniosa, fluída. Seria possível, por exemplo, copiar a cultura da Ambev e apresentar os mesmos resultados?

Dificilmente. Uma cultura é moldada também por questões subjetivas, como cada colaborador enxerga o ambiente, mantem conexões e, a partir disso, forma seu próprio modelo. É um sistema de conhecimentos, crenças e valores na empresa.

O que define uma cultura:

  • Estilo de liderança;
  • Como os colaboradores se posicionam frente aos acontecimentos sociais;
  • Como enxergam o mundo;
  • Propósitos definidos;
  • Definição de produto e mercado;
  • Preparo para lidar com incertezas e mudanças;
  • Modelo hierárquico vivenciado na organização, etc.
Por que se preocupar com a cultura organizacional durante a pandemia?Diante de uma situação complexa e incerta o senso comum faz com que busquemos pela segurança e a melhor estratégia como fórmula para vencer a turbulência.

Gestores e líderes podem criar a melhor estratégia para o cenário, como o apoio de diferentes tecnologias, por exemplo, treinamentos, dentre outros, mas se tudo isso for contrário à cultura, será definitivamente inválido.

Em um Webinar a especialista em Carreira e Cultura, professora da Insper, Maria Candida Baumer de Azedo, destaca pontos imprescindíveis na cultura organizacional durante a pandemia. Afirma que é inviável adotar exatamente a mesma cultura utilizada na estratégia anterior.

Diante das mudanças, a cultura também deve caminhar junto, estando flexível às transformações. Portanto, revisitar a cultura de tempos em tempos é imprescindível de acordo com a especialista.

Menciona como exemplo as empresas que descartaram a importância da cultura e foram engolidas pelo mercado como a Nokia, Blackberry e Varig.

“Se mantém no páreo quem está o tempo todo no mercado e ajustando a sua cultura para que ela se torne uma alavanca da estratégia”. Maria Candida Baumer, Professora da Insper.

Como as empresas e a cultura estão reagindo nesse cenário?

Vale refletir sobre posicionamentos comuns adotados por muitas empresas e que de alguma forma transparece a cultura da organização.

Não existe cultura positiva ou negativa, mas maneiras assertivas ou equivocadas de reagir levando em conta o contexto vivido pelos colaboradores, como estão sentindo e percebendo o cenário em relação à postura da empresa.

Atitudes com o time durante a pandemia que ressoam na cultura da organização:

Evitar o diálogo

Tiveram empresas e líderes que adotaram a postura de demitir via e-mail, Whatsapp, de maneira fria e distante.

No que essa postura reflete?

Distanciamento com o time e falta de coragem de lidar com os questionamentos, peso da hierarquia e individualismo.

Postura contraditória

Tiveram empresas que se posicionaram publicamente contra as demissões e após apoiar a ação “Não Demita” preencheram listas de desligamento dos funcionários. Tal postura refletindo inclusive na imprensa e principais canais de comunicação.

No que essa postura reflete?

Falta de transparência e omissão da verdade.

Redução de salário

Exemplos de redução de salário contrastantes. Quando a liderança se sacrifica por todo o time e corta primeiro para si. Outro exemplo quando a hierarquia não teve cortes, equipe acaba carregando a liderança e os privilégios são para poucos. E também quando a medida cabível para todos, com igualdade e cooperação, sem protecionismo.

No que essas posturas refletem?

O quanto a empresa atua verdadeiramente de maneira colaborativa e partilha de resultados igualitários, seja na alegria ou na tristeza.

“O legado cultural se reconstrói a cada reação da empresa, o quanto é convergente ou divergente do seu discurso”. Maria Candida Baumer, professora da Insper.

Cultura organizacional no trabalho remoto, como funciona?

Será que cada trabalhador trabalhado da sua casa existe uma cultura? Como isso funciona?

O psicólogo holandês Geert Hofstede definiu um modelo teórico sobre as práticas culturais em uma empresa como os símbolos, heróis, rituais e valores.

Símbolos: palavras, gestos, ações e aspectos visuais

Heróis: personagens com prestígio numa cultura organizacional que são modelos de comportamento

Rituais: atividades coletivas e indispensáveis

Valores: o que a empresa pratica

A cultura da empresa se mantém em qualquer espaço que os colaboradores estiverem. Se a empresa tiver características colaborativas isso irá se fortalecer, por outro lado, posturas individualistas que antes estavam disfarçadas podem vir à tona.

Embora esse seja um cenário extremamente delicado, as fortalezas e fraquezas da empresa atingem um alto nível de transparência, tornando essencial a revisão na cultura e a possibilidade de moldar aspectos indesejáveis.

Mesmo em distanciamento físico, a cultura de uma empresa prevalece, seus pontos fortes e delicados.

 

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