Doença silenciosa que pode levar à cegueira: glaucoma atinge cerca de 1 milhão de brasileiros

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Foto: Divulgação

Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, aproximadamente 70% das pessoas seguem sem diagnóstico no Brasil

Principal causa de cegueira irreversível do mundo, de acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma, tal doença surge a partir do aumento da pressão intraocular, que vai danificando o nervo óptico, estrutura responsável por conduzir as imagens da retina ao cérebro. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, a estimativa é de que cerca de 1 milhão de brasileiros tenham glaucoma; desses, aproximadamente 70% ainda seguem sem diagnóstico. No mundo, são mais de 70 milhões de pessoas com a doença, segundo a World Glaucoma Association (WGA).

Segundo Pablo Fonseca, oftalmologista e especialista em glaucoma do Instituto de Olhos Recife (IOR), a ausência de sintomas costuma atrasar o diagnóstico, o que pode levar a sequelas graves. “É uma doença silenciosa na maioria dos casos. Quando não é diagnosticada ou tratada corretamente, vai danificando o nervo óptico aos poucos. Essa perda começa pela visão periférica e pode evoluir até a cegueira total”, explica o médico. “E o mais importante é que o que foi perdido não pode ser recuperado. Por isso, o diagnóstico precoce é primordial”, complementa.

No dia 12 de março celebra-se o Dia Mundial do Glaucoma. Com o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos, diagnóstico e tratamento da doença, entre os dias 8 e 14 de março de 2026 é realizada a Semana Mundial do Glaucoma.

Diagnóstico precoce é possível

O diagnóstico do glaucoma é feito por meio de exames realizados pelo oftalmologista. Como a doença costuma ser silenciosa, é necessário ficar atento aos fatores de risco e manter acompanhamento regular. Entre eles estão:

* Pessoas acima de 40 anos
* Histórico familiar de glaucoma
* Pressão intraocular elevada
* Pessoas negras e asiáticas, dependendo do tipo de glaucoma
* Pacientes com miopia alta ou hipermetropia
* Uso prolongado de corticoides
* Doenças como diabetes e hipertensão

“Não podemos deixar de reforçar que qualquer pessoa pode ter glaucoma, mesmo sem fatores de risco. O ideal é realizar exames oftalmológicos periódicos para detectar qualquer alteração o quanto antes”, afirma Pablo Fonseca.

Sem cura, mas com tratamento — principalmente com diagnóstico precoce

Apesar de ser uma doença irreversível, o glaucoma possui tratamento capaz de controlar sua progressão. O objetivo é reduzir a pressão intraocular, evitando novos danos ao nervo óptico e a gradação da perda de visão.

O tratamento pode ser realizado por meio de colírios, laser ou cirurgia. Os colírios, apesar de eficazes e não invasivos, podem causar irritação ocular e exigem uso contínuo. “O colírio é uma boa opção, porém muitos pacientes se esquecem de utilizar ou fazem o uso de forma inadequada, o que pode levar à piora do glaucoma”, alerta Pablo Fonseca.

Segundo o especialista, o laser é um procedimento rápido e seguro, que pode reduzir ou até substituir o uso de colírios em alguns casos. No entanto, o efeito pode não ser permanente e, em alguns pacientes, pode diminuir com o tempo. “Hoje, inclusive, já existem evidências científicas mostrando que o laser pode ser uma excelente opção como tratamento inicial em determinados casos”, explica.

As cirurgias, por sua vez, são indicadas para casos que não respondem ao tratamento clínico. “A escolha do tratamento depende de cada caso. Porém, em todos os cenários é necessário um acompanhamento contínuo entre médico e paciente”, orienta Pablo. “Quando diagnosticado precocemente e tratado corretamente, é possível preservar a visão por toda a vida”, finaliza o oftalmologista.

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