Especialista do Hospital das Clínicas (HC), da UFPE, alerta para a importância da vacinação

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A unidade possui um serviço de imunização que atende sua demanda interna, principalmente os recém-nascidos egressos da maternidade

Em 17 de outubro é comemorado o Dia Nacional da Vacinação. A data criada pelo Ministério da Saúde tem como objetivo dar visibilidade à importância da vacina na prevenção e no combate a doenças graves e suas complicações. O Hospital das Clínicas da UFPE, unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), possui um serviço de imunização que atende sua demanda interna, principalmente os recém-nascidos egressos da Maternidade do HC-UFPE.

“O momento que vivemos é uma janela de oportunidades que está aberta para debater a relevância das vacinas”, afirma o chefe do Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP) do HC, Paulo Sérgio Ramos, que destaca a vacinação como uma das principais maneiras de combate a infecções virais e bacterianas, como a caxumba, febre amarela, coqueluche, meningite e as hepatites A e B.

“No contexto atual, uma vacina para a Covid-19 será possivelmente a única ferramenta que nos permitirá ter controle do cenário de pandemia”, diz Paulo Sérgio. Apesar da expectativa geral, criada devido ao cenário pandêmico, o processo de distribuição global de uma vacina é bastante complexo, o que vai gerar demora em uma imunização massiva. O infectologista ainda acrescenta que, possivelmente, no primeiro momento da disponibilidade da vacina para a Covid-19, haverá priorização de grupos de risco, como idosos, diabéticos, obesos e profissionais de saúde.

O Brasil possui um programa de referência internacional em saúde pública, criado em 1973, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que garante à população brasileira acesso gratuito – por meio de equipes de vacinação ou postos de saúde – a todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “O PNI é um dos programas mais robustos do Brasil do ponto de vista de saúde pública. O início deste programa está intimamente relacionado à redução da mortalidade infantil”, explica o infectologista. No mundo, devido a um incisivo processo de imunização, a varíola foi erradicada e a poliomielite existe apenas em pontos muito focais do continente asiático. Por isso, a grande relevância da vacinação.

Contudo, segundo levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é um dos países que mais regrediram nos últimos cinco anos na cobertura de vacinação contra doenças infecciosas – a difteria, o tétano e a coqueluche são as mais preocupantes atualmente no país. Esse declínio, causado pela atuação do movimento antivacina e, especificamente, no ano de 2020, devido à interrupção das campanhas por consequência da pandemia, ameaça reverter o progresso conquistado em décadas.

“O movimento antivacina é apontado pela OMS como um dos 10 graves problemas que ameaçam a saúde pública no mundo. Ele vem ganhando força, principalmente, na Europa e nos EUA, e em parte pode ser responsável pela reemergência do sarampo na comunidade europeia”, conclui Paulo Sérgio Ramos.

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