Obesidade infantil como efeito da pandemia da Covid-19

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Uma recente pesquisa da Sociedade Brasileira de Pediatria mostrou que, entre as consequências da pandemia, está o ganho de peso das crianças

O isolamento social provocado pela pandemia da Covid-19 causou uma série de modificações na alimentação e atividades física e social das crianças, acarretando repercussões importantes. Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mostraram que essa alteração na rotina dos pequenos, adotada na tentativa de frear a transmissão do novo coronavírus, está acarretando ganho de peso – fator que pode levar ao desenvolvimento da obesidade infantil e de doenças futuras.

“A pandemia fez com que as crianças ficassem muito mais em casa e quebrassem a rotina de irem à escola e de fazer atividades físicas. Isso fez com que houvesse um ganho de peso considerável no público infantil, uma vez que o aumento do consumo de industrializados nesse período aumentou bastante. As crianças passaram a comer muito mais biscoito, chocolate, salgadinho, refrigerantes. Foi até uma forma de os pais compensarem o fato de seus filhos não poderem sair, encontrar os amigos ou não irem à escola”, analisa a nutricionista que atua no SESI-PE, Lídia Bandeira.

Além da obesidade infantil, o risco pode ser ainda maior. Isso porque, quando se fala de alimentação, os resultados são colhidos a longo prazo. “É bem provável que essas crianças que ganharam peso, caso não haja uma intervenção precoce, desenvolvam outras doenças como hipertensão, diabetes ou colesterol alto”, alerta Lídia.

Ela conta que as estratégias de emagrecimento para criança são diferentes das para o adulto. “A criança tem necessidade de nutrientes, pois está em fase de crescimento. O que fazemos, então, é: em vez de cortar os alimentos, substitui-los por calorias saudáveis”, diz, complementando que o gasto energético também é fundamental. “Além da alimentação saudável, tem que ser trabalhada a atividade física para que os pequenos gastem a reserva energética”.

Prestar atenção nas compras da casa pode ser um bom começo. “É preciso melhorar as escolhas do que está entrando em casa. Se o carrinho está cheio de produtos industrializados, dificilmente, a criança escolherá a fruta à barra de chocolate, pois ela não tem consciência da consequência do consumo daquele alimento, então os pais precisam estar atentos nesse momento, pois a melhor forma de evitar comer um alimento não-saudável é não tê-lo na despensa”, adverte Lídia.

ATIVIDADES FÍSICAS – Embora estejamos vivendo um momento no qual o contato físico está restrito, a orientadora de atividade física do SESI-PE Marília Ayala reforça a importância dos exercícios para crianças, principalmente nos quesitos cognitivo e emocional. Para ela, uma saída para que os pequenos tenham um lazer ativo e consigam ter um gasto energético é explorar os espaços públicos ao ar livre, que já começaram a ser liberados para a realização de atividades físicas.

“Os espaços dentro de casa foram reduzidos a escritórios, mas temos, agora, parques públicos e orlas enormes para levar as crianças para gastarem a energia que precisam. É possível leva-las para caminhar ou andar de bicicleta. Atitudes como essas podem combater a obesidade e tornar a criança mais ativa”, analisa Marília, emendando que clubes esportivos que estejam seguindo os protocolos sanitários também podem ser uma alternativa. “Desde que estejam cumprindo as medidas sanitárias, atividades como natação, vôlei e futebol são uma saída para os pequenos que se identificam mais com modalidades esportivas”, complementou.

Com um convívio restrito ao núcleo familiar, a orientadora de atividade física reforça que um lazer ativo e saudável junto aos familiares pode ser um ponto bastante positivo. “Nada como a família brincar junto da criança. Vai criar um momento de memórias afetivas que vai agregar no futuro dela. Além disso, aumentam as chances de ela se tornar um adulto ativo, que pratique atividades físicas”, diz.

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