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Pais atípicos também precisam de cuidado: saúde mental de quem cuida, entra no debate sobre autismo

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Foto: Cassiano Henrique

Sobrecarga emocional, culpa e dificuldade de estabelecer limites estão entre os desafios enfrentados por responsáveis; psicóloga explica por que o acompanhamento desses familiares também é importante

Quando uma criança recebe o diagnóstico de autismo, grande parte da atenção naturalmente se volta para ela: terapias, consultas, escola, desenvolvimento e adaptações da rotina. Mas existe um personagem que muitas vezes fica em segundo plano nessa história: o pai, a mãe ou o responsável que acompanha todo esse processo.

A rotina de cuidados pode exigir mudanças profundas na dinâmica familiar e, em alguns casos, fazer com que os responsáveis deixem a própria saúde emocional em segundo plano. É nesse ponto que o debate sobre saúde mental ganha espaço dentro das famílias atípicas e encontra no Setembro Amarelo um importante momento de reflexão.

Ansiedade, exaustão, culpa, preocupação constante e dificuldade para encontrar tempo para si estão entre questões que podem aparecer nesse contexto. Para a psicóloga e diretora corporativa clínica do Instituto do Autismo, Carla Patrícia, cuidar da saúde mental dos responsáveis não deve ser visto como algo secundário.

“Quando toda a atenção da família está voltada para as necessidades da pessoa autista, é comum que os pais deixem de perceber os próprios limites. Participar de atividades relacionadas ao cuidado cria um espaço em que esse responsável também pode ser ouvido, compreender o que está sentindo e desenvolver estratégias para lidar melhor com a rotina”, explica.

A profissional destaca ainda que buscar acompanhamento não significa que os pais estejam despreparados para exercer o papel de cuidadores. Pelo contrário. Reconhecer a própria necessidade de apoio pode contribuir para relações familiares mais equilibradas e para uma rede de cuidado mais saudável.

“O cuidador também precisa de uma rede de proteção. Não podemos falar em cuidado integral de uma criança ou adolescente sem considerar as condições emocionais de quem está ao lado dela diariamente”, acrescenta Carla Patricia.

É com essa perspectiva de que quem cuida também precisa ser cuidado que o Instituto do Autismo desenvolve o projeto Família em Ação. Realizado diariamente, o projeto promove encontros, atividades, passeios, movimento e momentos de troca entre as famílias, criando oportunidades de acolhimento, conexão e fortalecimento de vínculos.

Mais do que reunir familiares, a iniciativa busca construir uma rede de apoio e lembrar que o cuidado não precisa ser uma experiência solitária. Ao proporcionar momentos de convivência e troca, o Família em Ação amplia o olhar para além das necessidades da pessoa autista e inclui também aqueles que estão diariamente envolvidos nessa jornada.

A discussão ganha importância especialmente durante o Setembro Amarelo. No caso das famílias atípicas, ampliar essa conversa significa olhar não apenas para a pessoa que recebe o diagnóstico, mas também para quem vivencia diariamente os desafios, descobertas e transformações provocados por ele.
No Instituto do Autismo, iniciativas como o Família em Ação fazem parte dessa perspectiva de cuidado, oferecendo espaços de escuta, acolhimento, convivência e troca para as famílias.

Mais do que falar sobre diagnóstico e tratamento, a proposta é colocar em evidência uma pergunta que ainda recebe pouca atenção: quando uma família precisa aprender a cuidar de uma pessoa atípica, quem ensina essa família a cuidar de si mesma?

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