Redes de Tacaratu, bordado de Passira e cachaça de Pernambuco passam a integrar estratégia do Sebrae e da Adepe, de valorização da riqueza dos territórios. Ao todo, lista contempla 19 produtos
Mais três riquezas pernambucanas acabam de entrar no caminho do reconhecimento como Indicação Geográfica (IG). As redes de Tacaratu, o bordado de Passira e a cachaça de Pernambuco são as novas integrantes da estratégia da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe) e do Sebrae Pernambuco para valorizar produtos cuja identidade e características estão intimamente ligadas aos territórios onde são produzidos. Para essa nova etapa, serão investidos R$ 660 mil no diagnóstico e estruturação do processo de reconhecimento junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Em comum, os três produtos carregam muito mais do que características próprias de seus territórios. Eles representam saberes transmitidos entre gerações, movimentam a economia e ajudam a contar a história do estado. O bordado manual de Passira é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco e fez do município a Capital Nacional do Bordado Manual. Em Tacaratu, as redes dão nome à cidade e sustentam toda uma cadeia produtiva. Já a cachaça está ligada à produção de cana-de-açúcar em Pernambuco, com registros que remontam ao século XVI.
“A inclusão desses três produtos nesse projeto amplia a diversidade de riquezas locais que podem ser valorizadas e reconhecidas a partir de sua origem. A Indicação Geográfica pode fortalecer cadeias produtivas, ampliar a competitividade dos pequenos negócios e gerar novas oportunidades de mercado, sem deixar de preservar os saberes e as tradições que tornam cada produto único. É uma forma de transformar as vocações dos nossos territórios em desenvolvimento e geração de renda”, destaca o superintendente do Sebrae/PE, Murilo Guerra.
ESTRATÉGIA
Com essa ampliação, a estratégia desenvolvida pelo Sebrae Pernambuco e pela Adepe passa a contemplar 19 produtos de diferentes regiões e segmentos do estado. Iniciada em 2025, a iniciativa busca identificar produtos e processos cujas características estejam relacionadas ao território de origem, utilizando a IG como instrumento de valorização, proteção e desenvolvimento econômico. Os demais produtos estão em diferentes estágios do processo de reconhecimento.
“Pernambuco é um estado rico e diverso. Ampliar o alcance deste projeto é também mostrar que o Governo do Estado está presente, valorizando e fortalecendo aquilo que é nosso. O bordado de Passira, as redes de Tacaratu e as nossas cachaças são exemplos de riquezas que já recebem esse olhar, por meio da Fenearte e da Loja Bebidas de Pernambuco e tantas outras iniciativas. O Governo, junto ao Sebrae, toma a frente para abrir caminhos, dar visibilidade e levar a identidade de Pernambuco cada vez mais longe.”, detalha Roberta Andrade, diretora-presidente da Adepe.
PRÓXIMOS PASSOS
Os três produtos passam agora por uma etapa de diagnóstico para avaliar a viabilidade de cada um para a identificação como Indicação Geográfica. A partir dos resultados, os produtos que apresentarem potencial de reconhecimento avançam para a fase de estruturação, que inclui a organização da governança territorial, a constituição das entidades representativas e a elaboração de documentos, como o Caderno de Especificações Técnicas. Nele, são definidas as características do produto, os padrões de qualidade e as regras necessárias para preservar os saberes e as tradições relacionados à sua produção.