Predadores, é o artigo de José Ambrósio

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José Ambrósio é jornalista e membro da Academia Cabense de Letras.

Por José Ambrósio

Hoje pela manhã, caminhando pela praia de Barra de Jangada, logo cedinho, me deparei com um sorridente “pescador”. Ele acabara de fisgar um bagre de cerca de menos de 1 kg. Significa que se tratava de um animal muito jovem, uma vez que essa espécie que habita a costa brasileira mede até um metro e chega a pesar até 5 kg na fase adulta.

O sorridente “pescador” estava estrategicamente instalado na foz do rio Jaboatão, em pleno estuário. Caso o anzol pertencesse a um pescador profissional o bagrinho certamente seria devolvido a seu habitat, possivelmente com um lamento do pescador pelo ferimento causado.

Ao contrário, o sorridente “pescador” preparava nova isca em seu moderno equipamento de pesca. O bagrinho fisgado ainda se debatia, exposto como um troféu e não como alimento para a família. Outro “pescador” já cuidara de registrar com a lente de seu celular o “feito” do amigo, clicando o bagrinho quando tentava se livrar do anzol.

Cenas como essa são vistas diariamente nesse local, em Barra de Jangada. São pequenos peixes sendo fisgados no nascedouro. E por pessoas que apenas se divertem com a pescaria. Querem diversão? Afastem-se do estuário, caminhem um pouco mais. Vão a Candeias, Piedade. São cinco km de praias. A natureza agradece; as famílias de pescadores agradecem; o bom senso e a cidadania agradecem.

Alguns podem alegar a ausência de placas de orientação/proibição/regulamentação da pesca. Elas deveriam existir, sim. Mas, a ausência do poder público não redime a insensatez.

Candeias, 28 de janeiro de 2020

*José Ambrósio é jornalista e membro da Academia Cabense de Letras

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