UFPE lamenta falecimento da professora emérita, Adair Pimentel Palácio

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A pesquisadora era uma das pioneiras em estudos de línguas indígenas no Brasil

Faleceu no domingo (7), por causa naturais, a professora emérita da UFPE Adair Pimentel Palácio, aos 89 anos. Adair, que era ligada ao Departamento de Letras, recebeu o título de professora emérita em 9 de abril de 2010. A pesquisadora era uma das pioneiras em estudos de línguas indígenas no Brasil, com reconhecimento internacional, tendo sido a primeira pesquisadora brasileira a escrever uma tese sobre uma língua indígena brasileira. O corpo de Adair foi sepultada ontem no Cemitério Parque das Flores.

A pesquisadora integrava o grupo que fundou o Núcleo de Estudos Indigenistas (NEI) no Departamento de Letras da UFPE, que completou 40 anos de existência este ano. Aposentada pela UFPE, onde ingressou em 1974, dedicou-se ao ensino da linguística na graduação e, na pós-graduação, concentrou-se, especialmente, na área de fonologia de línguas indígenas brasileiras e outras línguas. Também atuava na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), onde ajudou a implementar o doutorado em Linguística e outro núcleo de estudos indigenistas.

Adair foi a primeira linguista brasileira a escrever uma tese sobre uma língua indígena brasileira, “Guató: a língua dos índios canoeiros do Rio Paraguai”, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 1984. Foi orientada pelo pesquisador Aryon Dall’Igna Rodrigues, ícone brasileiro em linguística indigenista. Formada em Letras pela UFPE em 1960, ela iniciou sua carreira lecionando língua inglesa. No final dos anos 70, com o estabelecimento da ciência linguística no Brasil, ela ingressou no ramo.

Stella Telles, professora aposentada do Departamento de Letras da UFPE, ex-aluna, ex-orientanda e amiga de Adair, conta que ela era uma professora muito motivada e atuante em causa políticas e de minorias. Por isso, aproximou-se da causa indigenista a fim de colaborar com o conhecimento, resgate e preservação das línguas indígenas brasileiras. “Àquela altura, quase não existiam linguistas no Brasil e muito menos dedicados às línguas indígenas”, explica Stella.

“Ela foi a primeira pesquisadora brasileira a realizar uma tese sobre uma língua indígena brasileira, em 1984, sobre a língua Guató. Os índios Guató eram dados como extintos pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Foi o seu estudo que deu visibilidade e os ressuscitou para a sociedade não índia, que achava que os Guató não existiam mais”, conta.

Depois da defesa da tese, Adair voltou à UFPE para continuar sua carreira como professora de linguística. Participou da construção da área de pesquisa e da pós-graduação na subárea de linguística ligada ao Departamento de Letras. Em 1980, ela criou o NEI, junto a um grupo de professores, dentro do Departamento de Letras, que foi registrado pelo vice-reitor à época, o professor Geraldo de La Penda.

“Era uma pessoa apaixonada pelo que fazia, com um vigor, uma vitalidade, leveza enormes. Inspirava alunos da graduação e da pós-graduação e estudantes, que vinham de outros estados em busca dessa linha de pesquisa que ela ajudou a implantar dentro da pós-graduação em Letras na UFPE”, lembra Stella. Adair é considerada fundamental na área de linguística indígena brasileira, tendo contribuído para a formação de diversos especialistas em estudos indigenistas espalhados por universidades de todas as regiões do país.

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