Segundo a especialista, Dra. Letícia Gomes de Barros, da Clínica Florence Recife, novas terapias, quando comprovadas, podem ampliar possibilidades de cuidado, mas, não substitui a reabilitação intensiva, estratégia já consolidada na recuperação de lesões medulares
As lesões medulares estão entre as condições neurológicas mais graves e desafiadoras da medicina. De acordo com o National Institutes of Health, elas afetam de 250 a 500 mil pessoas anualmente no mundo, com predomínio no sexo masculino (aproximadamente 80%) e em jovens, embora os casos em idosos estejam aumentando.
As novas alternativas terapêuticas, muitas ainda em estudo, trazem perspectivas promissoras e ampliam o horizonte de tratamento. Mas, diante dessas inovações, surge uma dúvida: qual éj, hoje, o cuidado mais eficaz na recuperação desses pacientes?
Atualmente, a reabilitação multidisciplinar intensiva é um dos pilares centrais no cuidado de pacientes com lesões medulares. “A medula é responsável por transmitir as informações entre o cérebro e o corpo, então, quando ela é lesionada, pode haver perda de movimentos, de sensibilidade e de funções importantes, como o controle urinário e intestinal”, explica a médica fisiatra, Dra. Letícia Gomes de Barros, da Clínica Florence Recife.
De acordo com a especialista, o impacto da lesão vai além da mobilidade, afetando diversas funções essenciais do corpo, o que exige o envolvimento de uma equipe multiprofissional, com médicos fisiatras, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, nutricionistas, educadores físicos e outros profissionais. Entre as causas mais graves de lesão medular está o trauma raquimedular (TRM), geralmente causado por acidentes como quedas, colisões de trânsito ou mergulhos em água rasa. Nesses casos, a reabilitação precoce e intensiva é determinante para a evolução clínica.
“A reabilitação nas fases aguda e pós-aguda, realizada de forma intensiva, aproveita a capacidade de adaptação do sistema nervoso, conhecida como neuroplasticidade, especialmente nos primeiros meses após a lesão”, afirma Letícia. “A reabilitação não é apenas um complemento. Ela é uma parte central do tratamento”, complementa.
REABILITAÇÃO SÓ PARA VOLTAR A ANDAR?
Segundo a médica, é um equívoco associar a reabilitação apenas à recuperação dos movimentos. “Ela abrange a recuperação em todas as esferas: desde o físico até o psicoemocional e o social. Atua diretamente na autonomia, na independência para as atividades do dia a dia e na qualidade de vida.”
Isso inclui desde reaprender tarefas básicas, como se vestir e se alimentar, até a reinserção social, o retorno ao trabalho e o suporte emocional.
Além disso, a reabilitação também tem papel importante na prevenção de complicações comuns em pacientes com lesões medulares, como dor crônica, úlceras por pressão e infecções.
QUAL É O PAPEL DAS NOVAS TERAPIAS?
Nesse cenário, especialistas defendem que o avanço de novas terapias deve caminhar junto com estratégias já consolidadas, e não em substituição a elas.
A fisiatra reforça que, embora as novas substâncias e abordagens terapêuticas representem avanços importantes e tragam novas perspectivas para o futuro, elas ainda não substituem o cuidado já consolidado na prática clínica.
“Elas são vistas como potenciais complementos ao tratamento. A inovação é sempre bem-vinda, especialmente quando se mostra segura e eficaz, mas a reabilitação continua sendo o que traduz a recuperação em vida prática, porque é ela que transforma qualquer ganho neurológico em função real no dia a dia do paciente”, afirma Letícia Gomes de Barros.








