Anvisa libera tirzepatida para adolescentes com diabetes tipo 2 no Brasil

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Endocrinologista Leila Gonzaga / Foto: Divulgação

A endocrinologista Leila Gonzaga, especialista em emagrecimento e saúde metabólica, avalia que a aprovação representa um avanço importante, mas exige cautela

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação da indicação da tirzepatida, comercializada como Mounjaro, para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos. A decisão torna o medicamento o primeiro agonista duplo dos receptores GIP/GLP-1 autorizado para uso pediátrico no Brasil, ampliando as possibilidades terapêuticas para uma população que enfrenta crescimento preocupante da doença.

Atualmente, cerca de 213 mil adolescentes convivem com diabetes tipo 2 no país, além de mais de 1,4 milhão com pré-diabetes — condição que eleva o risco de evolução para a forma estabelecida da doença. O aumento dos casos está diretamente associado ao crescimento da obesidade infantil e ao sedentarismo, fatores que impactam o metabolismo ainda na juventude.

A endocrinologista Leila Gonzaga, especialista em emagrecimento e saúde metabólica, avalia que a aprovação representa um avanço importante, mas exige cautela. “Estamos falando de uma população em fase de crescimento e desenvolvimento hormonal. A indicação precisa ser individualizada, com acompanhamento rigoroso, porque o tratamento não substitui mudança de estilo de vida e suporte familiar”, afirma.

A tirzepatida atua nos hormônios GIP e GLP-1, envolvidos no controle da glicose e do apetite. Na prática, o medicamento ajuda a reduzir os níveis de açúcar no sangue e pode contribuir para a perda de peso — fator relevante em adolescentes com diabetes tipo 2 associado à obesidade.

A decisão da Anvisa foi baseada em estudo clínico internacional de fase 3, publicado na revista científica The Lancet, que demonstrou eficácia no controle glicêmico nessa faixa etária. Os efeitos adversos observados foram semelhantes aos registrados em adultos, principalmente sintomas gastrointestinais como náusea, diarreia e vômito, geralmente leves a moderados e mais frequentes no início do tratamento. Não houve registro de hipoglicemia grave no estudo.

Segundo Leila Gonzaga, a ampliação da indicação abre uma nova alternativa terapêutica para casos em que outras estratégias não foram suficientes. “É uma ferramenta importante, especialmente para adolescentes com resistência à insulina e obesidade associada. No entanto, o uso deve ser criterioso, sempre conduzido por endocrinologista, com avaliação clínica completa e monitoramento constante”, ressalta.

A especialista reforça que o tratamento do diabetes tipo 2 na adolescência precisa envolver abordagem multidisciplinar. “Medicamento não atua sozinho. Alimentação equilibrada, atividade física regular, apoio psicológico e acompanhamento familiar são fundamentais para evitar complicações futuras, como doenças cardiovasculares e renais”, conclui.

A nova autorização marca um passo relevante no enfrentamento do diabetes tipo 2 em jovens, mas também reforça a necessidade de diagnóstico precoce, prevenção e políticas de saúde voltadas à infância e adolescência.

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