Julho Verde: câncer de cabeça e pescoço pode comprometer fala, respiração e alimentação quando não diagnosticado precocemente

0
Foto: Divulgação

No Brasil, quase 80% dos casos de câncer de cabeça e pescoço são diagnosticados em estágio avançado, segundo o INCA

Problemas na fala, respiração, mastigação e na capacidade de engolir. Essas são algumas das principais consequências do câncer de cabeça e pescoço, já que a doença afeta diretamente as estruturas responsáveis por essas funções. Por provocar tantos impactos no dia a dia do paciente, além de exigir tratamentos mais agressivos quando não é diagnosticada de forma precoce, o mês de julho, marcado pela campanha Julho Verde, é dedicado à conscientização da população sobre a prevenção, diagnóstico precoce e formas de tratamento do câncer de cabeça e pescoço.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil está entre os países com maior número de casos de tumores de cabeça e pescoço. Em estudo divulgado em 2025 pelo Instituto, com base em dados de 2000 a 2017, foi constatado que 78,2% dos pacientes recebem o diagnóstico quando a doença já se encontra nos estágios III ou IV, reduzindo as chances de cura e exigindo intervenções mais agressivas.

O oncologista Bruno Pacheco, do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, explica que este tipo de câncer é um conjunto de tumores que podem surgir em diferentes regiões do organismo. “A cabeça e o pescoço englobam a região cervical e outras regiões extremamente importantes. Temos boca, língua, garganta, faringe e até áreas da pele próximas ao nariz e aos olhos. São estruturas fundamentais para a fala, a respiração e a deglutição. Por isso, quando são acometidas pela doença, os sintomas costumam ser muito intensos”, explica.

De acordo com o especialista, os pacientes frequentemente apresentam dor ao engolir, dificuldade para respirar e até para ingerir líquidos, comprometendo significativamente a qualidade de vida. “Boca, língua e garganta são regiões que trazem muitos sintomas. Além disso, o próprio tratamento também provoca sintomas importantes. Para alcançar a cura, o paciente geralmente enfrenta um período difícil por causa dos efeitos relacionados a essas áreas”, relata.

Mudança na lista de fatores de risco chama atenção

Durante muitos anos, o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas foram considerados os principais responsáveis pelo surgimento desses tumores. No entanto, esse cenário vem mudando. Segundo o oncologista, as campanhas antitabagismo contribuíram para reduzir parte dos casos relacionados ao cigarro e ao álcool, enquanto a infecção pelo HPV passou a ganhar maior importância.

“O tabagismo e o álcool sempre foram os grandes causadores do câncer de cabeça e pescoço. Entretanto, com as campanhas, como o próprio Julho Verde e o acesso à informação, os casos relacionados a esses fatores diminuíram, enquanto os associados ao HPV aumentaram. Hoje, uma das principais causas é o HPV, que pode provocar alterações nas células e favorecer o surgimento de tumores nessas regiões”, alerta Bruno Pacheco.

Nesse cenário, uma palavra surge como aliada no combate a esse tipo de câncer: imunização. “A vacinação contra o HPV é fundamental porque protege não apenas contra os cânceres do colo do útero, do pênis e do ânus, mas também contra diversos tipos de câncer de cabeça e pescoço”, reforça o oncologista.

Quando é necessário ficar atento?

O diagnóstico precoce é um dos principais aliados no combate a qualquer tipo de câncer, e com o de cabeça e pescoço não é diferente. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de sucesso nos cuidados médicos e menores os impactos para o paciente.

“Quanto mais rápido diagnosticarmos o câncer de cabeça e pescoço, maior será a chance de cura. O tratamento tende a ser menos invasivo, menos complicado e menos tóxico. Quando o diagnóstico acontece tardiamente, as intervenções costumam ser mais agressivas e com menores chances de cura.”

Segundo estudo do INCA, a proporção de casos avançados varia conforme o local do tumor. Na hipofaringe, a chance de o paciente chegar ao atendimento especializado já em estágio avançado é de 91,3%; na orofaringe, de 86,6%; na cavidade oral, de 75,1%; e, na laringe, de 69,5%.

Sinais de alerta e prevenção: ao que é preciso ficar atento?

A boca, língua e garganta são as partes do corpo que sofrem alguns sinais de alerta que não podem ser ignorados. “Feridas na boca que não cicatrizam por mais de um mês, que sangram ou aumentam de tamanho precisam ser avaliadas por um profissional de saúde o quanto antes. Quanto mais cedo o paciente procurar atendimento, melhores serão as perspectivas de tratamento”, alerta o oncologista.

Além da conscientização da população, o especialista destaca o papel dos profissionais de saúde na identificação precoce da doença. “É importante investir em educação, tanto para os pacientes quanto para profissionais como dentistas, fonoaudiólogos e médicos, para que esses sinais sejam reconhecidos precocemente”, afirma.

Embora a vacinação contra o HPV seja uma das principais formas de prevenção, outros hábitos saudáveis também ajudam a reduzir o risco da doença. “As principais medidas de prevenção incluem a vacinação contra o HPV, a boa higiene bucal, a prática de atividade física, o abandono do tabagismo e a não ingestão excessiva de bebidas alcoólicas. Além disso, quanto mais informação a população tiver, mais cedo as pessoas procurarão atendimento médico, permitindo um diagnóstico precoce e aumentando as chances de cura”, finaliza Bruno Pacheco.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here