A luta da negritude vai além dos negros

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Programação da SDSCJ encerrou o Mês da Consciência Negra com reflexão para toda sociedade 

Depois de mais de 400 anos da escravidão, o racismo estrutural continua sendo uma barreira para o crescimento, igualdade e desenvolvimento entre negros e brancos da sociedade brasileira.O despertar e convocação dos brancos brasileiros para engajamento na luta contra o racismo e o fim do conservadorismo da sociedade são necessários para a construção de uma nova realidade no Brasil.

O debate infindável sobre o tema Desenvolvimento Social da População Negra aconteceu, ontem (25), no último encontro que a Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude (SDSCJ) promoveu para o Mês da Consciência Negra com a participação de estudiosos sobre políticas públicas para a população negra no Brasil. “O Governo do Estado trabalha de forma incansável para acabar as desigualdades sociais em todos os âmbitos. Ampliamos as políticas públicas para a população negra de Pernambuco nos últimos anos a fim de garantir direitos. Continuamos trabalhando e dando grandes passos para conquistas históricas dos negros e negras pernambucanos”, comemora Sileno Guedes, secretário de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude do Estado.

“Não teremos democracia plena enquanto não tivermos direitos iguais para todas e todos, independentemente da cor da pele”, alertou o secretário executivo de Política para o Desenvolvimento Social- SEPDS, Rosano Carvalho. A programação, que este ano teve o tema “Ona Agbon- Caminho da Sabedoria. Um diálogo dos negros para a sociedade na década afrodescendente”; foi uma realização da SEPDS com a Secretaria de Juventude e a  Direitoria de Igualdade Racial do Estado. Durante todo o mês houve debates de interesse público para discussão de temas na perspectiva da população negra, como: LGBTQI+, Mulheres, Juventude, Direitos Humanos e Educação/Étnico Racial.

O racismo estrutural no nosso país é transversal.Perpassa por diversas áreas que influencia diretamente no bem viver da população negra. “Na educação precisamos executar a Lei N°10.639 que garante o ensino afrobrasileiro e indígena nas escolas. Precisamos da geração de emprego e renda para dar condições de igualdade de crescimento para o povo negro no mercado de trabalho. Na saúde, precisamos cuidar das especificidades de doenças que atingem prioritariamente o povo negro, como a anemia falciforme e hipertensão arterial. Precisamos preservar a juventude negra que está sendo exterminada por políticas racistas de segurança e por último a compreensão de que a cultura negra é elemento fundamental e estratégico para a mudança”, disse Zulu Araújo, diretor-geral  da Fundação Pedro Calmon e ex-presidente da Fundação Palmares.

Para o pró-reitor de Extensão e Cultura da UFRPE, Moisés  Santana, na área da educação teve grande avanço na luta contra o racismo no Brasil ao longo dos últimos 20 anos. “Conseguimos políticas públicas importantes, como a lei de Cotas, a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e do Estatuto da Igualdade Racial no Governo Lula. Mas precisamos de mais no campo do conhecimento, a exemplo de parceria com a Facepe para incentivo de pesquisas na área”, lembra o pró-reitor.

Ser negro no Brasil é sinônimo de luta, e ser mulher negra é ainda mais cruel. Segundo relato da educadora, blogueira e poetisa Rosângela Nascimento, ½ da violência contra a mulher no país atinge a negra. “Precisamos de amparo, fortalecimento e sabedoria ancestral. A mulher preta, pobre e periférica no nosso país é marginalizada e, muitas vezes, é ela a chefe da família que leva o sustento para casa. Não existe desenvolvimento enquanto houver racismo, desigualdade e desrespeito às mulheres negras”, frisou.

A necessidade da criação de cidades antirracistas é latente. A afirmação é da técnica da Política de Igualdade da Diretoria de Igualdade Racial do Estado, Marta Almeida. Segundo ela, muitos avanços foram constatados no país ao longo dos anos, mas também houve retrocessos. “Precisamos estudar a situação da população preta. Quesito raça/cor; levantamento dos quilombos, grupos e movimentos e a mortalidade do povo negro. A criação do Sistema de Promoção da Igualdade Racial e Enfrentamento ao Racismo é urgente e estamos trabalhando para isso. Perceber o quanto já construímos enquanto Governo Estadual, transversalizar e interiorizar as nossas ações”, comemorou Almeida.

O evento teve a palavra final da Coordenadora da Diretoria de Igualdade Racial do Estado de Pernambuco, Mãe Lúcia de Oyá. Com sabedoria e firmeza nas palavras, ela tratou com delicadeza e acolhimento os pretos e pretas do nosso estado os conclamando para a luta. “Avançamos sim. O racismo estrutural é perverso e o fomento pelo ódio que existe em Brasília, mata. Não é apenas um mês. Temos 12 meses de luta em busca de uma sociedade melhor, em busca do povo que estruturou o nosso país. Que se retroceder, seja para avançar muito mais!”, concluiu.

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