O uso de canetas emagrecedoras, cada vez mais popular no Brasil, exige atenção redobrada durante o Carnaval, período marcado por consumo elevado de bebidas alcoólicas, alimentação desregrada e longos intervalos sem refeições
A combinação entre medicamentos que atuam no controle do apetite e excessos típicos da folia pode provocar efeitos adversos, sobrecarga metabólica e comprometer a segurança do tratamento.
“Esses medicamentos atuam diretamente na regulação da saciedade, no esvaziamento gástrico e no controle glicêmico. Quando associados ao excesso de álcool e comida, especialmente alimentos gordurosos, o risco de náuseas, vômitos, hipoglicemia, desidratação e mal-estar intenso aumenta consideravelmente”, explica a endocrinologista Leila Gonzaga.
Dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) mostram que mais de 56% dos adultos brasileiros vivem com excesso de peso. Paralelamente, cresce o uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, muitas vezes sem orientação adequada. No Carnaval, esse cenário se torna ainda mais sensível, já que o álcool potencializa efeitos colaterais e favorece a desidratação — fator crítico para quem faz uso dessas terapias.
Segundo a especialista, um erro comum nesse período é acreditar que a medicação “protege” contra exageros. “As canetas não anulam os efeitos do álcool nem dos excessos alimentares. Pelo contrário: o organismo fica mais vulnerável. Forçar o corpo nesse contexto pode gerar quadros de indisposição severa e até levar à interrupção do tratamento”, alerta.
Outro ponto de atenção é o jejum prolongado, comum durante blocos e festas. “Ficar muitas horas sem comer, ingerir álcool e usar medicamentos que reduzem o apetite é uma combinação perigosa. O risco de hipoglicemia e queda de pressão aumenta”, reforça Leila Gonzaga.
A recomendação para quem pretende curtir o Carnaval sem comprometer a saúde é manter hidratação constante, evitar exageros alcoólicos, respeitar horários de alimentação e, principalmente, não suspender, ajustar ou iniciar medicamentos por conta própria. “O tratamento não deve ser moldado à festa. A saúde precisa vir antes da folia”, conclui.
SERVIÇO:
Dra. Leila Gonzaga
Instagram: @dra.leilagonzaga








