Como aproveitar a IA no meio acadêmico sem perder senso crítico e autonomia

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Gilliatt Falbo / Foto: Divulgação / FPS

Coordenador acadêmico da FPS, Gilliatt Falbo, destaca como a nova realidade impacta no mundo acadêmico

No meio acadêmico, especialmente na formação de profissionais de saúde, a tecnologia tem auxiliado estudantes e professores em diferentes etapas do processo de aprendizagem. O desafio, no entanto, está em encontrar o equilíbrio entre aproveitar os recursos oferecidos pela IA e preservar o pensamento crítico, a autonomia e a responsabilidade humana.

A Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS) lançou este ano um curso de Letramento Digital e Inteligência Artificial em Saúde destinado aos estudantes e mantém iniciativas voltadas à utilização crítica e ética da tecnologia. Para Gilliatt Falbo, coordenador acadêmico da FPS, a inteligência artificial pode ser uma aliada importante no processo de aprendizagem e no estudo, desde que seja utilizada como ferramenta de apoio — e não como substituta da capacidade de raciocínio do estudante.

“A inteligência artificial pode ajudar no planejamento dos estudos, identificando artigos científicos sobre o tema, a fazer resumos e resenhas dos artigos com os principais aspectos do assunto, a buscar na literatura questões de avaliação permitindo que o estudante teste seus conhecimentos, identifique lacunas e tenha contato com diferentes possibilidades de abordagem de um determinado tema. Mas é fundamental que esse processo seja acompanhado pelo raciocínio e pela avaliação crítica do próprio aluno”, analisa o coordenador acadêmico.

A elaboração de questões, a organização de conteúdos, a produção de resumos, o planejamento de atividades e a busca inicial por referências estão entre as possibilidades de uso acadêmico da tecnologia. Documentos da própria FPS já apontam a utilização da IA no aprimoramento de casos e problemas, questões de múltipla escolha e atividades avaliativas, além do apoio aos estudantes na pesquisa de referências e na elaboração de resumos.

PERSONALIZAÇÃO – Outro benefício está na possibilidade de personalização do estudo. A partir de uma orientação adequada, ferramentas de IA podem ajudar o estudante a revisar determinado conteúdo, formular perguntas, comparar conceitos e simular situações que estimulem a aprendizagem ativa.

Mas, para Falbo, a facilidade proporcionada pela tecnologia não pode levar à acomodação.”O maior benefício acontece quando ela estimula o estudante a pensar mais, e não quando pensa por ele. Se o aluno simplesmente aceita a primeira resposta apresentada pela ferramenta, ele perde uma das partes mais importantes da formação acadêmica, que é justamente a capacidade de questionar, analisar e construir conhecimento”.

A tendência é que a IA esteja cada vez mais presente na educação superior. Para acompanhar essa transformação, instituições de ensino precisam investir não apenas no acesso às novas ferramentas, mas também na formação de pessoas capazes de compreender seus limites. Afinal, em uma época em que máquinas conseguem produzir respostas em poucos segundos, uma das competências mais importantes do estudante continua sendo saber fazer a pergunta certa — e ter conhecimento suficiente para avaliar se a resposta está correta.

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