Neurologista alerta sobre a importância do diagnóstico precoce e como o tratamento pode trazer qualidade de vida
O dia 30 de maio marca o Dia Mundial da Esclerose Múltipla (EM), doença que afeta cerca de 40 mil brasileiros, segundo estimativa do Ministério da Saúde. Autoimune e crônica, a EM afeta o sistema nervoso central, sendo mais comum em mulheres jovens entre 15 e 50 anos.
A condição é caracterizada por surtos e sintomas que podem comprometer a visão, o equilíbrio, a força muscular e a sensibilidade. Apesar de não ter cura, os avanços nos tratamentos têm permitido que pacientes mantenham qualidade de vida e controlem a atividade da doença.
Segundo o neurologista José Luiz Inojosa, do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, os primeiros sinais costumam surgir de forma repentina e persistir por mais de 24 horas. “Em geral, são mulheres e adultos jovens que vão apresentar perda visual ou embaçamento da visão em um dos olhos, algum tipo de dormência, fraqueza, dificuldade para andar ou alterações urinárias. Esses sintomas precisam durar mais do que 24 horas e ocorrer na ausência de febre”, explica o médico. Ele destaca que sintomas visuais e dificuldades de equilíbrio merecem atenção imediata e devem motivar a procura urgente por atendimento médico.
Manifestação da Esclerose Múltipla
A doença acontece quando o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo, especialmente a mielina, camada que reveste os neurônios e permite a transmissão adequada dos impulsos nervosos. “A esclerose múltipla é considerada uma doença crônica, inflamatória, autoimune e desmielinizante que acomete o sistema nervoso central”, detalha José Luiz Inojosa.
Apesar de ainda não existir uma causa única definida, fatores genéticos e ambientais podem contribuir para o surgimento da doença. Além disso, baixa exposição solar, deficiência de vitamina D, infecções virais e tabagismo estão entre os fatores associados ao aumento do risco.
As mulheres são as mais afetadas pela esclerose múltipla, e os hormônios femininos podem ter relação com essa predominância. “Com raras exceções, quase todas as doenças inflamatórias autoimunes são mais comuns nas mulheres. Em tese, as oscilações hormonais contribuem para o descontrole do sistema imune e podem facilitar tanto o controle quanto o descontrole desse sistema”, afirma o neurologista.
Quanto à prevalência em adultos jovens, o médico explica que sistema imunológico ativo nessa faixa etária influencia no desenvolvimento da doença, considerando que o EM é também uma doença autoimune. “Nos jovens, o sistema imunológico está mais ativo, sendo mais combativo e efetivo na sua atividade. Portanto, se há um erro do controle do sistema autoimune, a pessoa na faixa etária mais jovem paga um preço, pois acaba tendo mais atividade de doença e mais inflamação”. O neurologista afirma que, apesar de ser mais comum em pessoas entre 15 e 50 anos, existe também a esclerose múltipla infantil e casos onde a doença persiste em faixas etárias acima de 50 anos.
Tratamento é possível?
Por ser crônica, a esclerose múltipla não tem cura, mas conta com tratamento para controlar a doença, com o objetivo de trazer qualidade de vida, diminuir surtos, retardar a progressão e aliviar sintomas.
Segundo o Ministério da Saúde, existem atualmente 14 medicamentos aprovados pela Anvisa para tratamento da doença, que atuam modificando a resposta imune do organismo e a sua progressão a longo prazo.
O especialista ressalta que os tratamentos mudaram no decorrer do tempo, evoluindo significativamente nos últimos anos. “Muitos pacientes jovens ficam com medo da doença, porém, hoje em dia, as terapias são cada vez mais modernas, seguras e de alta eficácia. Muitos pacientes conseguem entrar em remissão, ou seja, continuam com o diagnóstico, mas sem sintomas e sem atividade da doença nos exames”, explica.
O neurologista alerta, porém, para os riscos da interrupção do tratamento. “Quanto mais precoce for o tratamento, maior a chance de preservar estruturas importantes do sistema nervoso e manter uma expectativa de qualidade de vida alta para esses pacientes”, conclui José Luiz Inojosa.








