Economia linguística ganha espaço na comunicação digital e preocupa educadores

0
Foto: Divulgação

x

Abreviações, siglas, emojis e palavras reduzidas fazem parte da rotina de comunicação de milhões de brasileiros, especialmente entre os mais jovens. O fenômeno, conhecido como “economia linguística” consiste na simplificação da linguagem para tornar a comunicação mais rápida e eficiente. Impulsionada pelas redes sociais, aplicativos de mensagens e pelo consumo acelerado de conteúdo digital, a prática tem se tornado cada vez mais frequente e desperta debates sobre seus impactos na escrita formal.

Expressões como “vc”, “pq”, “blz”, “fds” e até a substituição de palavras por emojis refletem uma tendência que acompanha a necessidade de agilidade na troca de informações. “A economia linguística surge da necessidade humana de otimizar a comunicação. O problema não está nesse tipo de escrita em contextos informais, mas na dificuldade de como os estudantes usam-na para adequar a linguagem ao contexto exigido”, explica a professora de Redação do Colégio CBV, Maria Pereira.

Tida como uma adaptação da língua aos contextos de uso, a “economia linguística” tem levado muitos jovens a transportarem hábitos da comunicação digital para produções textuais. “É cada vez mais comum encontrarmos marcas da escrita informal em redações escolares. Isso acontece porque o estudante passa grande parte do tempo consumindo e produzindo textos curtos. Por isso, é fundamental desenvolver a consciência de que cada situação exige um registro linguístico diferente”, afirma o professor de Redação Eduardo Santos.

Para combater os impactos negativos dessa tendência, os especialistas defendem o fortalecimento dos hábitos de leitura e escrita formal. “O contato frequente com livros, artigos, reportagens e textos literários amplia o repertório vocabular, sociocultural e contribui para a compreensão das diferentes formas de uso da língua. Além disso, a prática constante da produção textual ajuda os estudantes a desenvolverem maior domínio sobre a norma padrão”, ressalta Eduardo.

Outro aspecto importante é lembrar que “os diferentes registros linguísticos são porosos e intercambiáveis, o que significa que, em algum momento, usos considerados não normativos serão incorporados e que outros usos serão secundarizados ou até mesmo deixarão de ser feitos. Claro que é importante que o estudante e qualquer outro usuário da língua construam um repertório linguístico variado, de modo a saber quando um registro passou a ter outro status no quadro da visada normativa e, sobretudo, quando pertinente ou não mobilizar as variantes linguísticas”, enfatiza Maria.

Maria frisa que os alunos necessitam do máximo de atenção para não comprometer a capacidade de comunicação em situações formais. “A linguagem digital faz parte da realidade dos estudantes, mas eles precisam ser capazes de transitar entre diferentes formas de comunicação, utilizando a linguagem apropriada para cada contexto”, conclui.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here