“Ele só faz isso porque me ama”: Paula Cassim revela 9 comportamentos que não devem ser confundidos com amor

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Paula Cassim / Foto: Divulgação

Ciúme, cobrança, controle do celular e afastamento de amigos podem começar de forma sutil. Escritora e autora de livros sobre relacionamentos, explica como identificar comportamentos que merecem atenção

Nem todo comportamento que parece demonstração de amor é, de fato, saudável. Ciúme, preocupação, cobranças e até algumas atitudes que costumam ser interpretadas como prova de carinho, podem, quando ultrapassam determinados limites, transformar a relação em um espaço de controle. Para a escritora Paula Cassim, autora dos livros “Como Reconquistar Seu Ex” e “Conquistar é Fácil, Difícil é Manter”, o primeiro passo é aprender a diferenciar cuidado de controle e afeto de comportamento que limita a liberdade do outro.

“Ele só pergunta onde estou toda hora, porque se preocupa comigo.”

“Ele pede minha senha porque para ele, não podemos ter segredos.”

“Ele fica bravo porque quer o meu bem.”

Frases como essas podem fazer com que determinados comportamentos sejam interpretados como demonstrações de amor, quando, em alguns casos, podem esconder uma dinâmica de controle. Paula chama atenção para um ponto que costuma passar despercebido: um relacionamento não precisa começar com uma agressão evidente para apresentar sinais de uma dinâmica abusiva. Segundo a autora, o problema muitas vezes aparece primeiro em pequenas atitudes que vão sendo normalizadas até que a pessoa perceba que deixou de tomar decisões livremente.

“O problema não é perguntar. É quando você passa a ter medo da reação”

Para Paula, uma das perguntas mais importantes não é apenas “o que ele faz?”, mas “como eu me sinto diante desse comportamento?” Uma pergunta sobre onde você está pode ser completamente normal em um relacionamento. O problema começa quando a pergunta deixa de ser uma demonstração de interesse e passa a funcionar como fiscalização.

“Existe uma diferença enorme entre alguém querer saber como foi seu dia e você sentir que precisa prestar contas de cada minuto para evitar uma discussão”, explica Paula.

 

A seguir, ela lista 9 atitudes que merecem atenção e que não devem ser confundidas com amor:

 

1. Você começou a pedir permissão para fazer coisas que antes decidia sozinha

Não se trata de combinar planos com o parceiro. Em uma relação saudável, decisões importantes podem ser conversadas. O sinal de alerta aparece quando a pessoa começa a sentir que precisa de autorização para sair, viajar, encontrar amigos, usar determinada roupa ou fazer escolhas pessoais.

2. Você evita determinadas atitudes para não provocar uma reação

Este pode ser um dos sinais mais importantes. Quando alguém começa a modificar constantemente seu comportamento para evitar uma discussão, uma crise de ciúmes, ameaças ou punições emocionais, vale observar o que está acontecendo. Relacionamento não deveria funcionar como um campo minado em que você precisa calcular cada passo. Se você evita contar tudo ou a verdade com medo da reação do outro, o sinal de alerta deve acender.

3. O celular deixou de ser privado e virou objeto de fiscalização

Perguntar sobre uma mensagem é uma coisa. Exigir senha, verificar conversas, monitorar localização, cobrar respostas imediatas ou investigar constantemente quem curtiu uma publicação são comportamentos diferentes. Segundo Paula, confiança não significa ausência de limites individuais.

4. Você está se afastando das pessoas que ama

Um relacionamento não deveria exigir que uma pessoa abandone sua rede de apoio. Se, aos poucos, amigos e familiares começam a desaparecer da sua vida porque o parceiro critica todos, cria conflitos ou faz você se sentir culpada por encontrá-los, é importante observar esse padrão.

5. Seus sentimentos são constantemente desqualificados

“Você está exagerando.”
“Você é muito sensível.”
“Isso é coisa da sua cabeça.”

Quando essas frases se tornam uma resposta constante diante de situações que machucam, a pessoa pode começar a duvidar da própria percepção. Paula ressalta que discordar de alguém é diferente de fazer a pessoa acreditar que seus sentimentos não têm valor.

6. O ciúme é apresentado como prova de amor

Ciúme pode aparecer em diferentes relacionamentos, mas não deve ser usado para justificar controle. “Se ele tem ciúme, é porque me ama” pode parecer romântico em determinadas situações, mas amor não transforma controle em demonstração de afeto.

7. Você sente que precisa provar constantemente que é fiel

Relacionamentos precisam de confiança. Quando uma pessoa precisa apresentar provas constantemente, explicar cada conversa, justificar cada curtida ou demonstrar o tempo todo que não fez nada errado, existe um desgaste emocional que merece atenção.

8. Você começou a acreditar que tudo é culpa sua

Um relacionamento envolve responsabilidade dos dois lados. Se qualquer conflito termina com você acreditando que é sempre a culpada, que nunca faz nada certo ou que precisa mudar completamente para evitar problemas, é importante parar e observar essa dinâmica.

9. Você percebe que está deixando de ser quem era

Para Paula, esse talvez seja o sinal que mais merece reflexão. “Às vezes a pessoa olha para a própria vida e percebe que deixou de fazer coisas que gostava, parou de encontrar determinadas pessoas, mudou sua maneira de se vestir, de falar e até de pensar para evitar conflitos. Nesse momento, ela precisa se perguntar: estou mudando porque quero ou porque tenho medo?”, afirma. Mudar para manter ou salvar um relacionamento é abrir mão de quem você é por algo que talvez não dure o tempo que você espera.

 

Mas afinal, todo ciúme significa que existe abuso? Não. E esse é justamente um dos cuidados que Paula considera importantes ao falar sobre o assunto. Um comportamento isolado não permite diagnosticar uma relação. O que merece atenção é a repetição, a intensidade, o controle, o medo e o impacto que essas atitudes provocam na vida da pessoa. Normalmente quem está de fora percebe primeiro e tenta alertar e é muito importante que você escute esse alerta.

“Não cabe a uma postagem na internet determinar se alguém está ou não vivendo uma relação abusiva. O objetivo é oferecer perguntas para que a própria pessoa consiga olhar para a situação com mais clareza”, explica a escritora.

Mas afinal, qual é a pergunta que pode mudar a forma de enxergar o relacionamento? Paula sugere uma reflexão simples: “Eu me sinto livre para ser quem sou dentro desta relação?”
Se a resposta for constantemente “não”, talvez seja hora de olhar com mais atenção para a dinâmica do relacionamento. A autora também lembra que ninguém deve enfrentar sozinho uma situação de violência ou ameaça. Quando existe medo, ameaça, agressão, perseguição ou risco à integridade física, a prioridade deve ser buscar apoio seguro e ajuda profissional ou especializada.

Sobre a autora

Paula Cassim é escritora, palestrante e criadora de conteúdo sobre relacionamentos, comportamento e inteligência emocional. É autora dos livros “Como Reconquistar Seu Ex” e “Conquistar é fácil, difícil é manter”, no qual compartilha reflexões, estratégias e orientações práticas para ajudar pessoas a compreenderem melhor seus relacionamentos, desenvolverem inteligência emocional e tomarem decisões mais conscientes na vida afetiva.

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