Especialista do HC alerta para os cuidados com a pré-eclâmpsia, doença de grandes riscos para a gestante e para o feto

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No Brasil, essa condição acomete de 7% a 10% das gestantes e pode levar à morte da mãe e do bebê

A pré-eclâmpsia é uma doença característica da segunda metade da gestação, marcada pela hipertensão arterial e por alterações sistêmicas (como as renais, cerebrais e hepáticas). O 22 de maio é dedicado ao Dia Mundial da Pré-Eclâmpsia, instituído para aumentar a conscientização sobre a principal causa de morte materna no mundo. No Brasil, essa condição acomete de 7% a 10% das gestantes e, nas situações mais graves, pode levar à morte da mãe e do bebê por interferir no desenvolvimento saudável da placenta. Referência estadual em gestação de alto risco, o Hospital das Clínicas da UFPE trata as gestantes com a doença e com os seus fatores de risco no Ambulatório de Prevenção de Pré-Eclâmpsia. O HC é uma unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh)

“O Dia Mundial da Pré-Eclâmpsia é uma oportunidade de trazer informações sobre essa doença, que evolui de forma rápida e que, muitas vezes, não é diagnosticada e tratada em tempo oportuno por um centro especializado em gestação de alto risco. Em Pernambuco, por exemplo, temos um ‘vazio assistencial’ porque só temos unidades desse porte nos dois extremos do mapa, no Recife e em Petrolina”, explica a ginecologista e obstetra do HC Debora Leite.

A pré-eclâmpsia tem como principais fatores de risco a hipertensão arterial crônica (aquela já existente), diabetes, obesidade e sobrepeso, lúpus, trombofilia, gestação gemelar (de gêmeos), gravidez depois dos 35 anos e antes dos 18 anos e gestações com intervalos longos (mais de 10 anos). “O acompanhamento da gestante pelo pré-natal para a identificação precoce de fatores de risco e um tratamento rápido – não só da pré-eclâmpsia, mas de todas as outras doenças e complicações associadas – garante a sobrevida materna e neonatal”, afirma ela.

A especialista em gravidez de alto risco explica que a hipertensão arterial induzida pela gestação e a hipertensão arterial crônica podem evoluir para a pré-eclâmpsia, quando passam a apresentar complicações renais, sendo este o estágio inicial da doença. “Os outros dois estágios são a pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, quando a pressão arterial é igual ou superior a 160/110 mmHg e existem danos além do renal, como dor de cabeça, náuseas ou vômitos e anemia; e a eclâmpsia, quando ocorre a convulsão da gestante. Nesse estágio, há também o risco de Acidente Vascular Cerebral, de sangramento hepático e dos óbitos da gestante e do feto”, salienta Debora Leite.

Dados brasileiros estimam que a mortalidade materna por síndromes hipertensivas alcance até 170 óbitos maternos a cada 100 mil nascidos vivos em serviços especializados em alto risco obstétrico. “Isso reforça o entendimento de que a hipertensão na gravidez é uma das principais causas de morte materna evitável. Além disso, estima-se que cerca de 25% dos partos prematuros ocorram em casos de pré-eclâmpsia materna”, completa a médica.

Como a doença impede o desenvolvimento adequado da placenta, a monitorização da gestação deve ser feita de perto, uma vez que o único tratamento definitivo é o parto, procedimento que deve ser realizado para salvaguardar a vida da mãe e do feto no momento mais oportuno. No entanto, até que os riscos do parto prematuro possam ser diminuídos para o feto, o tratamento da mãe se baseia no controle da pressão arterial e das demais complicações associadas.

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