Oficina Francisco Brennand inicia ciclo comemorativo do centenário do artista, com abertura inédita do seu ateliê e recepção de itinerância da 36ª Bienal de SP

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Francisco Brennand na olaria, ao lado das esculturas Pássaro, Fonte dos Desejos e O Cinto Necessário, 1989 / Foto Fritz Simons

Programação que inaugura a celebração dos 100 anos do pernambucano consolida projeto institucional do museu-ateliê, iniciado em 2019, que amplia seu legado por meio do diálogo com a produção contemporânea, educação, pesquisa e internacionalização da obra

Às vésperas do centenário de nascimento do seu patrono, celebrado em junho de 2027, a Oficina Francisco Brennand inicia, no próximo 8 de agosto, o primeiro ato do ciclo de comemorações dos 100 anos do pernambucano. A abertura inédita do ateliê do artista à visitação e a chegada da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo ao museu-ateliê, no Recife, marcam o início dessa programação, galvanizando um projeto institucional estruturado há sete anos para preservar a obra do artista e mantê-la em permanente diálogo com a produção contemporânea, a pesquisa, a educação e novos públicos.

Desde 2019, quando foi transformada em um instituto cultural sem fins lucrativos, a Oficina vem ampliando sua atuação para além da preservação de seu acervo singular. Ao longo desse período, consolidou uma estratégia que articula salvaguarda patrimonial, produção de conhecimento, programação artística, formação de públicos e fortalecimento institucional, reafirmando uma vocação presente desde sua criação: fazer do museu-ateliê um território de encontros entre diferentes linguagens, artistas e pensamentos.

Nessa régua histórica, projetos que aproximam a obra de Francisco Brennand das questões do tempo presente, a exemplo das exposições “Cosmo/Chão” (2024-2025), “Invenção dos Reinos” (2023-2024) e “CapiDançaBaribéNois” (2023-2024). Somam-se ao programa de mostras, a realização de residências e parcerias artísticas, as iniciativas mais recentes para internacionalização da obra do artista e o programa contínuo de Educação e Pesquisa, que posiciona a Oficina também como espaço de reflexão, criação e circulação de conhecimento.

A consolidação desse percurso passa pelo fortalecimento da governança da instituição, estruturada para conduzir o ciclo do centenário e os próximos planos da Oficina. A chegada de Fabio Frayha à vice-presidência do Conselho Deliberativo e de Camila Bechelany à Diretoria Artística fortalece uma estrutura que já contava com a liderança de Marcos Baptista, presidente da Oficina desde 2023, e de Marianna Brennand, presidente do Conselho Deliberativo. Essa convergência de múltiplas experiências orienta a instituição não só para a agenda do centenário, mas na expansão de seu projeto cultural.

A estrutura se reflete no impacto e na dimensão pública da instituição, evidenciados por indicadores sólidos, como as mais de 145 mil pessoas que já visitaram o museu desde sua reconversão como instituto cultural. “O fortalecimento da estrutura de governança reflete o compromisso de preparar o museu para o centenário à altura do seu artista fundador. Estamos em uma curva ascendente sólida, que reafirma a instituição não apenas como guardiã de um legado, mas como um centro ativo de geração de diálogos com a cena contemporânea”, observa Fabio Frayha, vice-presidente do Conselho Deliberativo da Oficina.

“Desde 2019, a Oficina vem consolidando um projeto institucional fiel ao desejo de Francisco: preservar um legado único no mundo, mantendo-o em permanente diálogo com o tempo presente. Nessa espiral, o museu-ateliê expandiu sua presença no cenário nacional e ampliou o diálogo com artistas de diferentes gerações a partir de projetos de exposições, residências e uma programação educacional que aproximou a obra do artista de diferentes perspectivas da produção contemporânea. A abertura inédita do ateliê e a recepção da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo inauguram o ciclo do centenário como expressão dessa trajetória, confirmando um projeto que aponta para uma instituição cada vez mais aberta ao mundo, às conversações atuais e à produção de conhecimento”, sublinha Marianna Brennand, presidente do Conselho Deliberativo da Oficina Francisco Brennand.

Itinerância da Bienal de São Paulo de volta ao Recife

É nesse contexto que a Oficina recebe, entre 8 de agosto e 18 de outubro, a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo, que retorna ao Recife após 15 anos. No museu, será apresentada a exposição “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, com organização dos curadores adjuntos André Pitol e Leonardo Matsuhei. A recepção da mostra sublinha a ítaca da Oficina: um espaço onde acervo e produção contemporânea se encontram. Na capital pernambucana, o recorte reunirá obras de 14 artistas, estabelecendo conversações com referências culturais de Pernambuco presentes na concepção curatorial da 36ª Bienal, entre elas o Manguebit e o estuário formado pelos rios Capibaribe e Beberibe, compreendidos como metáforas de encontro, negociação e convivência entre diferentes mundos.

Ateliê Francisco Brennand – Uma janela para o mundo

Ainda entre os marcos que inauguram esse novo ciclo, a abertura do ateliê do artista para visitação oferece ao público uma nova chave de leitura sobre a obra e o pensamento do artista. Sob curadoria da diretora Artística e de Programação da instituição, Camila Bechelany, o espaço expositivo “Ateliê Francisco Brennand – Uma janela para o mundo”, localizado nos Salões de Esculturas da Oficina, foi submetido a um cuidadoso trabalho de reforma, conservação e reorganização, recuperando seu mobiliário original e a disposição dos objetos conforme eram utilizados por Francisco. Biblioteca, materiais de pintura, escritos, documentos e objetos de uso cotidiano voltam a ocupar o ambiente, permitindo que o visitante compreenda o ateliê como um lugar de criação, pensamento e investigação.

Após a morte de Francisco Brennand, em 2019, a equipe de Acervo e Documentação realizou um amplo levantamento da coleção preservada no ateliê, identificando cerca de 17 mil itens entre livros, catálogos, fotografias, jornais, mobiliário, materiais de trabalho, objetos pessoais e obras até então inéditas ao público. Esse trabalho de pesquisa e documentação deu origem ao projeto de abertura do espaço, concebido para oferecer uma leitura ampliada do universo intelectual do artista.

A visita foi organizada em dois núcleos complementares. O primeiro apresenta uma área interpretativa, reunindo manuscritos, cartas, moldes, estudos, fotografias históricas, documentos e conteúdos audiovisuais que ajudam a compreender o processo criativo de Francisco Brennand. O segundo preserva o núcleo original do ateliê, mantendo praticamente inalterados o cavalete, pincéis, escrivaninha, cadeiras, mesas, bengalas e outros objetos que integravam sua rotina de trabalho.

“Em 2027, a Oficina comemora cem anos do nascimento de seu idealizador e queremos, na ocasião, oferecer uma leitura ampla e não-linear da obra de Francisco Brennand, articulando sua produção artística, sua escrita e a documentação entorno de sua vida e obra para revelar seu pensamento dentro de um tempo presente. Sempre foi desejo de Brennand manter o diálogo com os temas e os artistas contemporâneos e acolher novas perspectivas e produções na Oficina. A abertura do Ateliê à visitação e a recepção da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo reafirmam esse desejo original de fazer da Oficina um lugar vivo e de experimentação”, anota Camila Bechelany.

“O ateliê era o lugar onde o artista passava grande parte do tempo trabalhando, lendo e ouvindo música. Embora profundamente dedicado ao seu próprio universo artístico, Brennand nunca concebeu a Oficina como um espaço fechado, mas sim um lugar de diálogo com o mundo. O ateliê abrigava também a biblioteca do artista e pode ser entendido como o centro irradiador da sua poética, capaz de integrar tempos distintos em um mesmo espaço. Preservar este ambiente significa preservar não apenas a memória de uma produção excepcional, mas também os métodos e os modos de pensar que lhe deram origem”, finaliza.

SERVIÇO:
Aberturas do ateliê de Francisco Brennand e da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo
8 de agosto, entrada das 9h às 16h (bilheteria gratuita neste dia)

36ª Bienal de São Paulo – “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”
Período: de 8 de agosto a 18 de outubro
Ateliê Francisco Brennand – Uma janela para o mundo (exposição fixa)

Funcionamento: de terça a domingo, entrada das 9h às 16h
Ingressos: R$ 50 | Meia-entrada: R$ 25
Para moradores de Pernambuco: R$ 40 | Meia-entrada: R$ 20 Gratuidade às terças-feiras durante o período da Bienal
Endereço: Oficina Francisco Brennand (Propriedade Santos Cosme e Damião – R. Diogo de Vasconcelos, S/N – Várzea)

Sobre a Oficina Francisco Brennand

Transformada em um instituto cultural sem fins lucrativos em 2019, a Oficina atua para preservar o legado do artista Francisco Brennand, ao passo que fomenta e difunde práticas artísticas, educativas e culturais contemporâneas. No coração da Mata da Várzea, na capital pernambucana, o museu-ateliê salvaguarda um amplo conjunto de obras do artista, distribuídas em espaços expositivos, jardins — um deles projetado por Roberto Burle Marx — e reserva técnica. Fundada em 1971, a Oficina compreende também edificações fabris, ateliês e uma capela, cujo projeto é de autoria dos arquitetos Paulo Mendes da Rocha e Eduardo Colonelli, instalações de atendimento ao público, como café e loja, e unidade de apoio localizada no Bairro do Recife, na Casa Zero

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