João Campos prestigia missa de reabertura da Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares

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FOTO: Rodolfo Loepert / PCR

O prefeito destacou o potencial histórico e turístico da reabertura da igreja datada do século 18, que fica na Rua Nova, no bairro de Santo Antônio. A cerimônia foi celebrada pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido. 

O Centro do Recife ganhou um reforço para o seu conjunto arquitetônico e histórico, e também para a fé dos recifenses. Após 15 anos fechada para reforma, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares abriu as portas para a primeira celebração religiosa. Nesta terça-feira (6), o prefeito do Recife, João Campos, prestigiou a missa de inauguração da igreja, que foi celebrada pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido.  O templo religioso foi reaberto em junho para visitação, mas só agora recebeu pela primeira vez uma missa em seu interior. Com a característica de estar no coração do Recife, a nova pastoral é voltada para as pessoas que passeiam pelo centro e querem ver uma celebração. A igreja funcionará em horário comercial, das 8h às 18h.

“Esse é um importante patrimônio da nossa cidade que está completamente restaurado. Foram 15 anos de fechamento, em processo de restauro. E, hoje, quem puder visitar aqui na Rua Nova, no Bairro de Santo Antônio, e conhecer a Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares vai ver a beleza desse patrimônio e ainda poder ter aqui um momento de fé e de esperança, sobretudo num momento como esse da pandemia, que a gente não pode deixar de ter fé e esperança no futuro”,  declarou o prefeito João Campos.

“O turismo religioso é muito forte no Recife. Aqui a gente tem construções como essas que datam no século 18, que representam um ponto importante da nossa história. Então, quando a gente faz a manutenção, faz o restauro de patrimônios históricos, a gente aponta um compromisso que a cidade tem com a preservação do patrimônio. Que a gente, a partir dessa preservação, estimule que os recifenses e os turistas possam também conhecer. Aqui foram investidos R$ 11,7 milhões, através do PAC Cidades Históricas. Um trabalho conduzido pela regional do Iphan no Recife, que pode entregar esse patrimônio completamente restaurado de uma beleza histórica incrível”, acrescentou o gestor.

Também presente na celebração, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, destacou o trabalho das pessoas envolvidas no processo de restauração. “Essa igreja está totalmente recuperada. Tem um estilo diferente. Foi um trabalho de muita gente envolvida, que preservou toda a originalidade de um século. Esse é um presente para o povo pernambucano, para o povo recifense. Uma igreja tão bonita, que vai dar mais uma oportunidade para todos nós termos um ambiente pra poder pedir a Deus por dias melhores, num momento tão difícil que passa o mundo”, declarou o governador.

A restauração teve início em maio de 2017. Dentre os serviços realizados pela requalificação estão: a retomada do colorido da arte rococó, que foi raspado no século XIX, nos tons dourado, azul e bege. Além disso, 74.400 folhas de ouro 24 quilates medindo 8 centímetros por 8 centímetros foram usadas para recuperar o douramento perdido pelo desgaste do tempo. Os trabalhos começaram com a remoção das três camadas de tinta branca sobre a pintura colorida e com o preenchimento de partes das talhas carcomidas por cupins.

“Hoje é um dia de emoção, porque vamos retomar a caminhada pastoral no centro da cidade. Essa é uma pastoral específica para o público que passa, então todos os horários serão adaptados a essa realidade. É uma igreja monumental, que nós temos a graça de ter de volta para o bem e da religiosidade e da cultura pernambucana. Aqui é conhecida como a Capela Sistina do Brasil, por causa das pinturas do barroco e do rococó”, declarou o arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido.

RESTAURAÇÃO – Na Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares foi recuperado a pintura e o dourado dos três balcões da tribuna (local para oradores); um guarda corpo de púlpito (local onde os padres fazem pregação); três sanefas (enfeite sobre a tribuna, púlpito e portas) e o coro completo. Detalhes antes escondidos agora se sobressaem, como a coroa e o brasão do Império no centro o arco cruzeiro, peça que separa a nave da capela mor; as figuras humanas que simbolicamente seguram o forro e decoram talhas; e cortinas entalhadas nos retábulos que mais se parecem veludo cor de vinho pela riqueza das dobraduras. A restauração da igreja custou R$ 11,7 milhões e foi contratada pelo Iphan, com recursos do PAC Cidades Históricas, programa do Governo Federal para recuperação de áreas e prédios tombados.

IGREJA DE N.S. DA CONCEIÇÃO DOS MILITARES – A irmandade da Conceição dos Militares foi organizada no Recife por oficiais, sargentos e praças dos corpos de fuzilaria e cavalaria, no início do século XVIII, e tinha como objetivo promover o culto divino e a ajuda mútua entre seus membros. Tombada como monumento brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), o templo católico levou 58 anos para ser construído, entre os anos de 1723 e 1781. A capela-mor, com sua arquitetura religiosa barroco-joanino, é da primeira metade do século 18. O forro da nave, um híbrido de rococó e barroco decorado com medalhões que contam diversas passagens da vida de Nossa Senhora, é um pouco mais novo. Foi produzido de 1760 a 1770. Foram os militares que solicitaram a criação da Irmandade que leva seu nome e da igreja sob invocação de Nossa Senhora da Conceição, inclusive pedindo para isso ajuda ao rei de Portugal.

A igreja possui uma só nave e corredores laterais aos quais se pode ter acesso através de cinco portas.  Logo na entrada, chama a atenção o forro pintado do coro que retrata a Primeira Batalha dos Montes dos Guararapes, realizada em 1781.  No painel se lê o seguinte escrito (originalmente em caixa alta, com uma grafia que hoje nos causa estranhamento): “Victoria alcançada pelos portugueses na primeira batalha dos montes Guararapes em 19 de abril de 1648, contra os holandeses, que contavam 10.500 homens, e nossos 2.500 com índios e henriques, entre as mais batalhas honrosas que tiveram 7 anos contínuos, libertaram toda esta capitania da tirania dos bárbaros holandeses, e a ofereceram como fiéis vassalos ao nosso augusto e soberano rei”.Desde outubro de 2014, as atividades religiosas foram suspensas na Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares.

 

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