Mudanças de comportamento podem indicar depressão em crianças e adolescentes

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Foto: Divulgação

Segundo a OMS, transtorno atinge 1,3% dos adolescentes de 10 a 14 anos e 3,4% daqueles entre 15 e 19 anos; irritabilidade e isolamento estão entre os sinais de alerta 

Irritabilidade frequente, isolamento, queda no rendimento escolar e perda de interesse por atividades antes prazerosas podem ser sinais de depressão em crianças e adolescentes. Muitas vezes confundidas com comportamentos típicos da idade, essas mudanças merecem atenção de pais e professores, especialmente quando persistem e interferem na rotina. O alerta é do professor Fabrício Otoboni, do curso de Psicologia da Wyden.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão atinge 1,3% dos adolescentes entre 10 e 14 anos e 3,4% daqueles com idade entre 15 e 19 anos. Neste mês de outubro, período em que as atenções também se voltam para a infância, os dados reforçam a importância de reconhecer os sinais de sofrimento emocional, que nem sempre são facilmente identificados por familiares e educadores.

Nas crianças menores, a depressão pode se manifestar por meio de crises de choro, alterações no sono e no apetite, desinteresse por brincadeiras e queixas físicas recorrentes, como dores de cabeça ou de barriga. Na adolescência, sentimentos de vazio, baixa autoestima, desânimo e afastamento do convívio social podem se tornar mais evidentes.

“Nem toda mudança de comportamento significa que existe um quadro de depressão. O que precisa ser observado é se a criança ou o adolescente passou a agir de maneira diferente do habitual, por quanto tempo isso acontece e como essas alterações afetam sua vida. Muitas vezes, o sofrimento emocional aparece no comportamento antes mesmo de conseguir ser colocado em palavras”, explica Otoboni.

O médico pediatra Dr. Rafael Costa, professor de Medicina do IDOMED (Instituto de Educação Médica), chama a atenção para os sintomas físicos, que nem sempre são associados a questões emocionais. Segundo ele, queixas persistentes devem ser investigadas para identificar tanto possíveis causas orgânicas quanto fatores psicológicos.

“Dores de cabeça e de barriga recorrentes, alterações no sono e mudanças no apetite podem estar relacionadas ao sofrimento emocional. O acompanhamento pediátrico permite avaliar esses sinais, observar o desenvolvimento da criança e, quando necessário, encaminhá-la para uma avaliação especializada”, orienta Dr. Rafael.

Quando procurar ajuda 

Um dos critérios considerados na avaliação de um possível quadro depressivo é a persistência de sintomas, como humor deprimido ou perda de interesse, por pelo menos duas semanas, acompanhados de prejuízos na rotina. Isso não significa, porém, que os responsáveis devam esperar esse período para procurar orientação. Situações que envolvam automutilação, pensamentos suicidas ou outros comportamentos de risco exigem atendimento imediato.

A família e a escola têm papel importante na identificação do problema. Por acompanharem boa parte do cotidiano de crianças e adolescentes, pais e educadores podem perceber alterações que nem sempre são verbalizadas. Nesses casos, a recomendação é acolher, ouvir sem julgamentos e evitar minimizar o sofrimento com expressões como “isso é coisa da idade” ou “é só uma fase”.

“Nem sempre a criança sabe explicar o que sente, e o adolescente pode ter dificuldade ou receio de compartilhar suas emoções. É fundamental criar um ambiente em que eles se sintam seguros para conversar e buscar ajuda, sem medo de críticas ou cobranças”, destaca Otoboni.

Hábitos cotidianos também contribuem para o bem-estar emocional. Sono adequado, atividades físicas, convivência com amigos e familiares e tempo reservado ao lazer são medidas importantes. O uso excessivo de telas merece atenção, principalmente quando interfere no descanso e nas relações sociais.

O diagnóstico da depressão deve ser realizado por profissionais qualificados, considerando os sintomas, o desenvolvimento e o contexto de vida de cada paciente. O tratamento pode envolver acompanhamento psicológico e, conforme a avaliação clínica, atendimento psiquiátrico. A identificação precoce e o suporte adequado ajudam a reduzir os impactos do transtorno na aprendizagem, nas relações sociais e na qualidade de vida.

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