NEURO: Estudo apresenta novo fármaco com potencial terapêutico para Paralisia Cerebral

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Atualmente, os portadores da doença são tratados principalmente por fisioterapia, órteses e cirurgia ortopédica, mas esses métodos têm impactos limitados para o bem-estar do paciente

Por Milena Galvão

A Paralisia Cerebral (PC), doença perinatal responsável por prejudicar funções importantes e ocasionar dependência funcional, é considerada a principal causa de disfunção motora crônica na infância. Atualmente, os indivíduos com PC são tratados principalmente por fisioterapia, órteses e cirurgia ortopédica, mas esses métodos têm impactos limitados para o bem-estar do paciente. Diante da baixa qualidade de vida a qual essas pessoas são submetidas, uma pesquisa desenvolvida pela professora Ana Elisa Toscano, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento (Posneuro) e da Unidade de Estudos em Nutrição e Plasticidade Fenotípica do Departamento de Nutrição da UFPE, aponta alternativas no âmbito das medidas terapêuticas.

No artigo científico de coautoria da professora Ana, intitulado “Fibroblast growth factor 19 as a countermeasure to muscle and locomotion dysfunctions in experimental cerebral palsy”, e publicado no prestigiado periódico Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle, pesquisadores demonstram que a intervenção farmacológica com FGF-19 recombinante pode restaurar a disfunção musculoesquelética e locomotora em um modelo experimental de PC, sugerindo que o insumo representa uma potencial estratégia terapêutica de combate aos distúrbios locomotores associados à doença. O FGF19, ou “fator de crescimento de fibroblastos 19”, é um hormônio produzido pelo intestino e já havia sido apresentado em 2017, em artigo publicado na Nature Medicine, por pesquisadores que também se envolveram com o atual estudo.

Com o propósito específico de verificar se o FGF19 poderia ser usado como uma contramedida para lutar contra a atrofia muscular e disfunção da mobilidade em um modelo de PC de rato, agora os estudiosos descobriram que a administração diária de FGF19 recombinante humano, entre os dias 22 e 28 após o nascimento em ratos com PC, melhorou a locomoção e os parâmetros musculoesqueléticos, como tamanho da fibra muscular e massa óssea da tíbia. “Além disso, o tratamento com FGF19 restaurou a expressão muscular de vários genes que foram previamente encontrados alterados no músculo do punho de crianças com PC”, relatam.

DESCOBERTA – Os pesquisadores que revelaram o FGF19 ao mundo, incluindo Ana Elisa e a equipe do Laboratório Cardiovascular, Metabolismo, Diabetologia e Nutrição (CarMeN), da Université Claude Bernard Lyon 1-França, sob a responsabilidade de Hubert Vidal e em parceria com Jérome Ruzzin, do Departamento de Medicina da Universidade de Oslo (Noruega), já haviam destacado a capacidade do fármaco de aumentar a massa muscular em camundongos assim como o tamanho das células musculares humanas em cultura. “No estudo atual, destacamos que aquela promissora constatação serviu para incentivar estudos experimentais sobre a Paralisia Cerebral, os quais funcionam como ferramentas para investigar potenciais terapias, como a manipulação farmacológica com FGF19”, afirma Ana Elisa.

O estudo mais recente demonstra que o modelo de rato com PC usado nos experimentos se aproximou bastante dos distúrbios motores e musculares observados em crianças afetadas. “Nossa análise da expressão gênica do músculo esquelético revelou um padrão de alterações semelhante ao relatado em um estudo de perfil genômico em músculos do punho de pacientes com PC”, justifica, e complementa: “Nossos dados sugerem, portanto, que o FGF19 pode ser um novo composto terapêutico potencial contra deficiências da atividade locomotora e fraqueza do musculoesquelético associada à PC”.

Mais informações

Programas de Pós-Graduação em Nutrição, em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento da UFPE
(81) 2126.8463
posnutricao@ufpe.br  | posneuro@ufpe.br

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