Obra “Injusta Justiça”, de Rosângela Politano, é o artigo de Oscar D’Ambrosio

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“Injusta Justiça”

Oscar D’Ambrosio

Pode a justiça ser injusta? O que pode parecer um mero trocadilho vai muito além disso. Trata-se de um início de reflexão sobre muito do que vemos acontecer tanto no Brasil como no exterior, com processos que acabam tendo finais regidos por preconceito e outros tipos de viés, mudando para sempre a vida de pessoas inocentes.

Há ainda a questão da injustiça social que é um dos grandes problemas do mundo, com poucos tendo muito; e muitos, muito pouco. Nesse contexto, a obra “Injusta Justiça”, de Rosângela Politano, de Socorro, SP, mostra um sem-teto dormindo em uma praça junto a uma estátua de Atenas (Minerva, para os romanos), que aparece com seus símbolos tradicionais, a espada, a balança e os olhos vendados.

Sobre a sua cabeça, há uma sutil pomba. A ave parece representar o sentimento que muitas vezes se tem em relação ao sistema judiciário e ao conceito de Justiça, mas, se bem administrado e praticado, não há dúvidas de que o Direito é uma das bases de uma sociedade mais justa e equilibrada.

No verso da tela, a artista escreveu um pensamento do filósofo grego Pitágoras: “Anima-te por teres que suportar as injustiças, pois a verdadeira desgraça consiste em cometê-las”. Com essa ideia em mente, o morador de rua cuida de seus cães (branco, negro e cinza), para que não lhe falte local para dormir, por mais simples que seja, e alimento. E a vida prossegue…

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br

 

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