Oftalmologista do HC explica o que é o retinoblastoma

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Doença é determinada por uma mutação genética e pode acometer um ou ambos os olhos

Doença caracterizada pelo tumor maligno originado na retina (membrana do fundo do olho) e mais comum em crianças até os três anos de idade, o retinoblastoma exige atenção e cuidados e tem o 18 de setembro como o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce. Referência no tratamento no Nordeste, o Hospital das Clínicas da UFPE trata e acompanha os pequenos pacientes de Pernambuco e de estados vizinhos, em parceria com o Centro de Onco-Hematologia Pediátrica do Hospital Oswaldo Cruz, da Universidade de Pernambuco (UPE). O HC é unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

Como todos os tipos de câncer, o retinoblastoma tem como fator importante para garantir maior chance de sucesso do tratamento a detecção precoce da doença para eliminar o tumor, preservar o máximo da visão e salvar a vida da criança. “É uma doença que não tem prevenção, porém, o diagnóstico precoce permite uma alta chance de cura com mínimas sequelas físicas e mínimas complicações decorrentes do tratamento. O diagnóstico se faz por meio do exame de fundo de olho com a pupila dilatada (‘mapeamento de retina’ ou ‘fundoscopia’) complementado por ultrassonografia ocular”, explica a coordenadora do ambulatório de Oncologia Ocular do HC, Virgínia Torres.

A oftalmologista explica que o retinoblastoma é determinado por uma mutação genética e pode acometer um ou ambos os olhos e que a maioria do diagnóstico se faz em crianças até os três anos de vida, sendo os principais sinais oculares em ordem de frequência: a leucocoria (reflexo branco na pupila quando incide uma luz, como um flash fotográfico, por exemplo – em olhos saudáveis, esse reflexo é vermelho), estrabismo e sinais inflamatórios como olho vermelho e edema (inchaço). “Em casos avançados, o tumor pode invadir os tecidos ao redor do globo ocular e se apresentar como uma massa tumoral na órbita ou nos linfonodos regionais (gânglios linfáticos próximos)”, completa Virgínia Torres.

Casos da doença na família e a observação de alterações nos olhos das crianças exigem a rápida busca pela assistência oftalmológica ou por um serviço de saúde. No HC, esse acesso se dá por meio da Secretaria Estadual, que encaminha as pessoas que procuram a Unidade Básica de Saúde mais próxima de suas casas. “O retinoblastoma familiar ocorre em cerca de 10% de todos os casos e, nesse cenário, a possibilidade de a criança herdar o retinoblastoma do pai ou da mãe é de 50%”, afirma Virgínia Torres.

De acordo com a oftalmologista, a terapia é variável de acordo com o estágio da doença e compreende a enucleação (remoção) do globo ocular, as quimioterapias venosa, intraocular ou intra-arterial, além do laser. “Com os métodos terapêuticos disponíveis, temos alcançado em torno de 90% de cura. Mais recentemente, o HC foi pioneiro no tratamento por Quimioterapia Intra-Arterial do Retinoblastoma (Quiare), método que permite liberar alta concentração de droga diretamente na cavidade ocular minimizando os efeitos da quimioterapia sistêmica. Esse projeto Quiare tem sido realizado pela Radiologia Intervencionista do HC e é reservado para casos selecionados”, conclui Virgínia Torres.

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