Professoras de Nutrição falam sobre presença de anticorpos, no leite materno de mulheres recuperadas do novo coronavírus

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Conversa busca esclarecer incertezas causadas pela pandemia de Covid-19

Com o objetivo de produzir conteúdos sobre cuidados com a saúde e bem-estar, o projeto de extensão “Fluir com a Vida”, lançado pela Diretoria de Qualidade de Vida (DQV) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), tirou algumas dúvidas com Alda Livera, Maria da Conceição Chaves de Lemos, Nathalia Melo e Elizabeth do Nascimento, professoras do Departamento de Nutrição da UFPE, a respeito de algumas incertezas acerca das implicações causadas pela Covid-19, em mulheres que estão amamentando.

Até o momento, não há evidências científicas de que uma mãe possa transmitir o vírus através do leite materno. No entanto, foi observado que em lactantes que conseguiram se recuperar da contaminação viral, foi possível detectar a produção e presença de anticorpos reativos a subunidades (S1 e S2) da proteína spike do vírus em seu leite, o que pode refletir diretamente na saúde de seus descendentes.

As professoras do Departamento de Nutrição da UFPE destacam que a detecção desses anticorpos foi caracterizada pelo aumento da atividade das imunoglobulinas G (IgG), M (IgM) e, em maior proporção, a imunoglobulina A (IgA), a qual tem sua síntese e secreção graças a ação de células B, e possui como alvo a proteção das mucosas, sobretudo a respiratória e intestinal, e é ativamente secretada no leite materno.

As células B são “lançadas” na circulação sanguíneas chegando nas glândulas mamárias, onde passam a secretar quantidades aumentadas de IgA, a qual é protegida e transportada para o leite materno com ajuda de moléculas proteicas conhecidas como componentes secretores, responsáveis por impedir a degradação da molécula de IgA na boca e trato gastrointestinal dos lactentes.

Segundo elas, os anticorpos do leite materno parecem ter maior tempo de meia vida, quando comparados aos anticorpos sanguíneos, e ainda podem ser extraídos e inalados pelo trato respiratório, atuando exatamente onde o Sars-CoV-2 atinge primeiramente, sendo considerados uma possível opção terapêutica.

Diante desses achados, é possível incluir a transmissão de imunidade viral à lista de benefícios associados ao ato de amamentar, o que reforça a orientação de que as mães iniciem e/ou mantenham a amamentação durante o período da pandemia, reforçando a saúde imunológica de seus bebês.

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