O racismo, infelizmente, ainda é uma das feridas sociais mais profundas da humanidade. Ele se manifesta quando uma pessoa é inferiorizada, excluída ou violentada por causa da cor da pele, origem étnica ou traços físicos. Trata-se de um sistema histórico construído para estabelecer desigualdades e para perpetuar privilégios.
Desse modo, o racismo pode ser explícito, com insultos, agressões e discriminações abertas. Mas também pode ser sutil e naturalizado — presente em olhares, piadas, ditos populares, abordagens policiais e na desigual distribuição de oportunidades. Esse tipo de racismo estrutural é o mais difícil de combater, pois está enraizado no cotidiano.
Diversas pesquisas apontam que a principal etnia que sofre com o racismo são os negros. De acordo com Bond (2023), com base nos dados da pesquisa Percepções sobre o racismo no Brasil, realizada pelo Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (IPEC), a avaliação é que as pessoas pretas são as que mais sofrem com o racismo.
Essa é quase uma unanimidade entre os brasileiros, já que nove em cada dez pessoas (96%) compartilham dessa visão. Em segundo e terceiro lugares, estão os indígenas e os imigrantes africanos, respectivamente com 57% e 38%, são os que mais sofrem.
Racismo, portanto, é toda forma de discriminação ou tratamento desigual baseado na ideia de superioridade racial. Ele ultrapassa relações individuais e alcança instituições, políticas públicas, educação, mídia e espaços de poder. Assim, combatê-lo é responsabilidade coletiva, ética e humana.
Em termos históricos, o preconceito racial tem uma história longa e complexa, estendendo-se por séculos em todo o mundo. Para Lemos (2011), o preconceito racial é o resultado da construção social de hierarquias raciais e da discriminação sistêmica contra grupos étnicos específicos.
Nesse sentido, para que um dia possamos “enxergar almas”, é preciso entender as consequências que o racismo causa. É necessário falar, educar, acolher, reparar e agir. As cores da pele não são o problema — o problema é a forma como a sociedade as interpreta e valoriza, pois o preconceito racial traz consequências profundas para as vítimas.
Como exemplo, podemos citar danos emocionais, sociais e econômicos, intensificando a desigualdade racial, impedindo a construção de uma sociedade justa e inclusiva.
Que esse dia chegue. Que o amanhã seja mais justo e humano. Que possamos construir uma sociedade em que a cor não determine destinos, e em que todas as pessoas tenham dignidade, espaço e voz. E, quando esse dia chegar, veremos não apenas a cor da pele — veremos o brilho das almas.
Combater o preconceito racial exige um compromisso coletivo com a educação, a conscientização, a promoção da igualdade e a implementação de políticas públicas que protejam os direitos das pessoas independentemente de sua raça ou etnia.
Natália Lins é professora e psicanalista








