Dificuldade para enxergar a atividade de longe, aproximação excessiva de livros e caderno, além de histórico familiar são alguns dos principais sinais que merecem atenção
Com a volta às aulas, muitas crianças retomam a rotina de atividades que exigem atenção à leitura e escrita. É justamente nesse período que dificuldades visuais costumam se tornar mais evidentes, tornando o ambiente escolar um importante aliado na identificação de problemas como a miopia infantil.
Segundo a oftalmologista Ana Carolina Collier, do Instituto de Olhos do Recife (IOR), o número de crianças com miopia tem crescido de forma significativa nos últimos anos. Entre os principais fatores associados a esse aumento estão as mudanças no estilo de vida, especialmente o maior tempo de exposição às telas e a redução das atividades ao ar livre.
“O principal fator relacionado ao aumento da miopia no mundo inteiro é o uso cada vez mais frequente de eletrônicos e o menor contato com a luz natural. Hoje, as crianças passam mais tempo em ambientes fechados e menos tempo expostas à luz do dia, o que favorece o desenvolvimento da miopia”, explica a especialista.
A volta às aulas costuma ser o momento em que muitos casos começam a ser percebidos. Isso porque a dificuldade para enxergar ou acompanhar as atividades escolares chama a atenção tanto dos professores quanto dos pais.
“Realmente a sala de aula é um local comum para se identificar mais casos suspeitos de miopia. As crianças que sentam atrás e têm que copiar a tarefa, começam a perceber que têm dificuldade de enxergar e isso chama a atenção dos professores e pais para procurarem o oftalmologista”.
Além da dificuldade para enxergar de longe, alguns comportamentos também podem indicar a presença da miopia. A especialista orienta que os pais fiquem atentos caso a criança passe a aproximar excessivamente o rosto dos objetos.
“O principal sinal da miopia é a criança que realmente começa a se aproximar das coisas para enxergar. Ela aproxima do caderno e livro para ler, ela na sala de aula está lá atrás, vai para frente, fica muito perto da televisão para enxergar melhor”, explica Ana Carolina Collier.
O acompanhamento oftalmológico desde os primeiros meses de vida é fundamental para o diagnóstico precoce e para o tratamento adequado. A oftalmologista reforça que a avaliação ocular deve fazer parte da rotina da criança.
“A recomendação é realizar o teste do olhinho logo após o nascimento, feito pelo oftalmologista. Depois, fazemos avaliações periódicas até os dois anos de idade, geralmente a cada seis meses. A partir daí, o ideal é manter consultas anuais durante toda a infância. Nos casos em que a criança já apresenta miopia, essa frequência se torna menor e o acompanhamento pode ser feito a cada seis meses para monitorar a evolução desse grau.”
Outro fator que merece atenção é o histórico familiar. A predisposição genética aumenta significativamente as chances de desenvolvimento da miopia. “Quando pai e mãe são míopes, a criança tem aproximadamente 50% de chance de também desenvolver miopia. Se apenas um dos dois é míope, esse risco gira em torno de 25%. Além disso, pessoas com ascendência oriental também apresentam maior predisposição”.
Para Ana Carolina Collier, identificar a miopia precocemente faz diferença não apenas no desempenho escolar, mas também na qualidade de vida da criança. “Quanto antes o diagnóstico é realizado, mais cedo é possível iniciar o acompanhamento e adotar estratégias para controlar a progressão da miopia. Hoje temos um tipo de lente de óculos especial e colírio que podem reduzir a progressão da miopia, então esse acompanhamento é fundamental para, se for o caso, utilizar esses meios para evitar a progressão”.








