Causa Primária de Todas as Coisas, é o artigo de Paulo Eduardo de Barros Fonseca

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Paulo Eduardo de Barros Fonseca é vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Causa Primária de Todas as Coisas

Paulo Eduardo de Barros Fonseca

Desde tempos remotos a humanidade busca entender e explicar o mistério da figura de Deus, simplesmente porque dela dependem não só a existência do cosmos (ordem) como também a possibilidade de seu conhecimento. A compreensão sobre essa temática ganha relevância e é facilitada quando essa reflexão leva em consideração os aspectos da filosofia, a ciência e a religião, portanto, com o entrelaçamento da fé e da razão.

Santo Agostinho, um dos filósofos do cristianismo, ao dizer que a razão “relaciona-se duplamente com a fé: precede-se e é sua consequência”, bem como que “é necessário compreender para crer e crer para compreender” –  “intellige ut credas, crede ut intelligas” -, sustentou em seus escritos que a fé deve ser precedida por um trabalho intelectual voltado à razão, sendo, portanto, um dos precursores de uma forma de pensamento que consegue fazer o entrelaçamento entre fé e razão.

Tomaz de Aquino, outro filósofo do cristianismo, ao discorrer sobre Deus incluiu em um só conjunto a filosofia e a fé, e O apresenta como a revelação divina que possibilita formularmos enunciados sobre a condição humana e sobre o mundo em que vivemos. Pode-se dizer, em síntese, que a justificativa do pensamento do filósofo e teólogo é no sentido de que primeiro: é Deus e posteriormente o homem e o mundo.

Nesse contexto, se, de um lado, a filosofia por si só não consegue esgotar os conhecimentos que podemos ter do mundo e de nós mesmos; de outro lado, para que seja possível explorar de maneira mais abrangente a compreensão e a percepção do mundo e dos homens, necessário se faz refletir sobre as  leis morais, que emanam de Deus.

Assim, a fé, enquanto um sentimento inato no homem, ganha relevância ao aperfeiçoar a condição de entendimento da razão e a razão é o argumento aceito por todos os homens para esclarecer os assuntos da fé. A doutrina espírita também entende que “fé inabalável é aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”.

Com base no conceito de que Deus dá a luz, mas o arbítrio do que fazer dela é de casa pessoa, lembro-me que Albert Einstein afirmou que “a matéria não explica a matéria e o universo não explica a si mesmo” e que “quanto mais me aprofundo na ciência mais me aproximo de Deus”, pois “cada descoberta nova da ciência é uma porta nova pela qual encontro mais uma vez Deus, o autor dela”, mesmo porque “sem Deus, o universo não é explicável satisfatoriamente”.

Se a natureza divina escapa ao completo entendimento humano, pois Deus é inefável, a luz divina dada ao homem não dispensa a este um raciocínio próprio, muito ao contrário, supõe a sua existência.

É por isso que ao observar, interrogar e conceber não creio no Deus limitado e criado pela ignorância humana, mas creio no Deus cósmico que transcende a capacidade do homem de o entender, que é preexistente ao conceito da vida, que fez o homem e que será sobrevivente ao passar do tempo.

A partir desse posicionamento é plausível afirmar que mesmo que as verdades da fé não sejam experimentalmente demonstráveis, pelo uso do raciocínio lógico, é possível demonstrar o acerto de nelas crer, notadamente porque “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.

Paulo Eduardo de Barros Fonseca é vice-presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

 

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