Praça Leonardo da Vinci será inaugurada no próximo dia 19, em parceria com o grupo O Pequeno Colecionador. As obras são assinadas pelo artista Narcélio Grud e propõem uma aproximação lúdica entre arte, conhecimento e imaginação
Entre engenhocas movidas pelo vento, esculturas interativas e experiências multissensoriais, a Usina de Arte amplia seu circuito de vivências ao ar livre com a inauguração da Praça Leonardo da Vinci, no próximo dia 19 de junho, em parceria com o grupo O Pequeno Colecionador. Inspirado na genialidade do polímata renascentista, o novo espaço reúne brinquedos-escultura assinados pelo artista cearense Narcélio Grud e propõe uma aproximação lúdica entre arte, conhecimento e imaginação.
Concebida para receber famílias e visitantes de todas as idades, o local reúne estruturas coloridas e atrativas tendo como destaques brinquedos sonoros, objetos movidos pelo vento, além de um túnel vertical de escalada, de estética moderna e futurista, estimulando não só a diversão, como o aprendizado, a descoberta e a convivência. Ao todo, apresenta três esculturas lúdicas, a primeira delas é a Roda Riacho, instalada no centro, que incorpora elementos característicos da usina de cana-de-açúcar em uma reinvenção que transforma a água em objeto de diversão. Seu movimento pode ser acionado pela força do vento, por meio de uma peça escultórica posicionada na parte superior, a partir de uma manivela acionada pelo público ou ainda por um motor, remetendo às engenhosas criações de Leonardo da Vinci.
A segunda obra são os Pêndulos Interativos, nos quais os visitantes poderão se balançar — sentados ou em pé — enquanto observam desenhos surgirem no ar a partir do movimento das pás. Já a terceira, intitulada Playground Eólicas, busca estimular as sensações a partir de objetos sonoros, eólicos e visuais, sendo possível balançar, escalar, tocar instrumentos e observar variados efeitos produzidos pela luz e pelo vento.

A parceria entre o projeto e o artista Narcélio Grud se deu por meio do grupo O Pequeno Colecionador, criado por Artur Lescher — autor da obra Óculo (2026), exposta na Usina de Arte — e Mariane Klettenhofer para aproximar a arte do universo do brincar em suas mais diversas formas, histórias e culturas. A aproximação abriu caminho para o desenvolvimento da iniciativa, que nasce de um desejo antigo da Usina de Arte: transformar a praça em um ambiente ainda mais atrativo e voltado à experimentação, tendo como referência um dos mais importantes artistas, inventores e pensadores do Renascimento, que deixou um amplo legado artístico e científico para humanidade.
A concepção dos brinquedos-esculturas partiu dos elementos já existentes no local, especialmente do rio que corta a praça ao meio. A ideia foi aproveitar a força motriz da água corrente para colocar esse sistema em funcionamento conforme explica o artista Narcélio Grud.
“Esse processo também foi guiado e levou em consideração a energia eólica, que faz parte da minha pesquisa enquanto artista: sobre movimentos gerados por fatores diversos — seja pela mão humana, pelo vento ou pela água. A ideia é unir o ato de brincar à interação com o ambiente local, por meio de brinquedos que também são obras de arte. Ao integrar as esculturas a esse espaço, que já conta com a beleza da igreja e do rio, podemos trazer ainda mais vida e arte para o ambiente. Dessa forma, as obras não apenas compõem o cenário, como também proporcionam experiências lúdicas e podem ser utilizados por pessoas de qualquer idade”, comenta.
De acordo com Ricardo Pessôa de Queiroz, fundador da Usina de Arte, as obras foram pensadas e projetadas exclusivamente para a Praça, em mais uma iniciativa da instituição de promover novos espaços para a comunidade e abrir as portas para novos artistas.
“Trouxemos como referência Leonardo da Vinci, que por meio da curiosidade, da experimentação e do estudo transformou a história e deixou um vasto legado. Nosso intuito é despertar nos jovens a vontade de compreender como as coisas funcionam, inspirando-os a olhar para o mundo com o senso de inventividade — algo que também é muito próprio da arte. Então, a partir desse desejo, pensamos em trazer obras exclusivas, no formato site-specific, em total sinergia com a proposta da Praça. Com essa iniciativa, a Usina não apenas abre as portas para novos artistas e aproxima a comunidade das artes visuais, mas consolida um novo espaço de convivência e experiências para toda a Mata Sul”, explica.
Leonardo da Vinci, o inventor curioso
Integrando ainda as suas iniciativas voltadas às práticas educativas — que têm como eixos arte, cultura, meio ambiente e tecnologia —, a Usina de Arte também lança a revista ilustrada “Leonardo da Vinci, o inventor curioso”. O material traz informações sobre Da Vinci, suas criações e algumas curiosidades, além de um espaço para que o público infantil desenhe suas próprias invenções. Desenvolvido em diálogo com ferramentas de inteligência artificial, o projeto gráfico une a tecnologia ao conhecimento, mostrando que, quando utilizada de forma responsável, ela pode contribuir para o processo de aprendizado. O material será distribuído nas escolas da região.
Sobre O Pequeno Colecionador
O Pequeno Colecionador surgiu em 2018, fundado pelos artistas Arthur Lescher e Mariane Klettenhofer, com o intuito de aproximar as artes visuais da experiência do brincar em suas diversas formas, histórias e culturas. O grupo atua com pesquisa; com a difusão de brinquedos realizados por artistas — para múltiplas faixas etárias, em variados tamanhos e escalas —; com a realização de exposições; e com um amplo programa educativo realizado em parceria com empresas, escolas e instituições culturais.
Sobre Narcélio Grud
Narcélio Grud (1976, Fortaleza,) é uma figura emergente da escultura contemporânea, cuja prática se concentra em objetos e instalações que agregam elementos cinéticos, sonoros e interativos. Suas criações revelam as infinitas vertentes plásticas de materiais como aço, madeira, fibra de vidro e alumínio, frequentemente integrando dinâmicas naturais como luz, vento e som. Comumente, os trabalhos são acompanhados por uma intervenção orgânica ou espontânea no entorno, o que amplia ainda mais o alcance de sua abstração concreta. Seja ao trazer movimento e manipulação a elementos tradicionalmente vistos como fixos, seja ao convidar a participação do público, seu trabalho propõe novas formas de conexão com o mundo.
Sobre a Usina de Arte
Instalada onde funcionou a Usina Santa Terezinha (maior produtora de álcool e açúcar do Brasil nos anos 1950), na cidade de Água Preta, Mata Sul de Pernambuco, o projeto Usina de Arte conecta arte, cultura e meio ambiente, a partir de um museu de arte contemporânea ao ar livre, dentro de um Parque Artístico Botânico. Nele, estão instaladas mais de 45 obras e instalações de nomes como Marina Abramović, Regina Silveira, Alfredo Jaar, Geórgia Kyriakakis, Saint Clair Cemin, José Spaniol, Claudia Jaguaribe, Matheus Rocha Pitta, Juliana Notari, José Rufino, Flávio Cerqueira, Bené Fonteles, Hugo França, Rizza Bomfim, Paulo Bruscky, Denise Milan, Marcelo Silveira, Liliane Dardot, Maria Tereza e Thiago Sobreiro, Marcio Almeida, Frida Baranek, Artur Lescher, Carlos Vergara, Júlio Villani, Iole de Freitas e Vanderley Lopes.
Em meio a um trabalho de reflorestamento com plantas de mais de 1.000 espécies, em uma área com mais de 44 hectares, o Parque Artístico Botânico é eixo central da iniciativa que irriga outras ações de desenvolvimento para a criação de estruturas para geração de renda e valor para a comunidade de 6 mil moradores no entorno do projeto. São exemplos o Fab Lab Mata Sul – Usina de Arte com terminais de computadores conectados à internet, impressoras em 3D e cortadora a laser para projetos da comunidade, a Escola de Música, a Biblioteca e Centro de Conhecimento público com mais de 5 mil títulos, além de parceria com as unidades escolares no apoio de novas práticas pedagógicas.
O objetivo é estimular o turismo, e a consequente atividade econômica na região da Mata Sul de Pernambuco, criando um ambiente favorável ao empreendedorismo na localidade, que viu nascer restaurantes, pousadas, pesque-e-pague, centro de artesanato, guias para passeios ecoturísticos, camping e a cultura de hospedagens domiciliares. “Essa guinada não seria possível sem o intenso envolvimento da comunidade, parte efetiva de todo o processo, e que, ao se sensibilizar com o potencial transformador da arte, tem contribuído sistematicamente com o projeto, desde a sua gestação até a atual condição de pilar de sustentação dele”, explica Bruna Pessoa de Queiroz, presidente da Associação Socioambiental e Cultural Jacuípe, que gere a Usina de Arte. O grupo reúne mais de 40 membros de segmentos plurais da comunidade da Usina Santa Terezinha, sendo viabilizado a partir do apoio de pessoas físicas e jurídicas.
Visitação
A cerca de 150km do Marco Zero do Recife, o Parque Artístico-Botânico da Usina de Arte é aberto à visitação do público, das 5h30 às 18h, e tem acesso gratuito. Saindo do Recife, os visitantes devem seguir pela BR 101 Sul, sentido Alagoas, até o centro da cidade de Xexéu. De lá, o público segue pela rodovia PE99, que começa em frente à Paróquia de São Sebastião, e leva até a Usina, situada no Km 10. Entre as opções de alimentação, estão os restaurantes Jardim Botânico, a Pizzaria Estação dos Sabores, Mandacaru Abacate, Ró Lanches, Restaurante Alquimia e Restaurante Capim de Cheiro.
SERVIÇO:
Usina de Arte inaugura a Praça Leonardo da Vinci
Quando: 19 de junho, às 16h
Onde: No Centro da Vila da Usina Santa Terezinha, Água Preta – PE








