HC monta núcleo, para promover e acompanhar reabilitação de pacientes, que passaram pela UTI de Covid-19

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José Xavier foi o primeiro paciente a receber alta

Esses pacientes devem ser acompanhados por um período de seis a 12 meses

Um dia sob avaliação de uma equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos do Hospital das Clínicas da UFPE. É isso o que tem acontecido com os pacientes que receberam alta da UTI Covid-19 do hospital-escola e agora são acompanhados pelo Núcleo de Assistência Multidisciplinar para Pacientes Pós-UTI Covid, em operação desde o início de agosto. O HC é vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

“Os pacientes são acolhidos pela enfermagem, realizam exames laboratoriais e são avaliados em sequência pelos demais membros da equipe multidisciplinar. A partir daí, já com os resultados dos exames colhidos no início da manhã, discutimos o caso e montamos um plano terapêutico para cada paciente, além de um cronograma de retornos ao hospital para as diversas etapas da reabilitação. Tudo isso num único dia”, explica a médica intensivista do HC, Renata Beltrão, que coordena o Núcleo.

Essa agilidade na reabilitação do paciente é muito importante para lhe devolver qualidade de vida o mais rápido possível. “O objetivo é que o paciente reduza o seu tempo de busca pela assistência no sistema de saúde e receba suporte para marcação das consultas e exames, promovendo reabilitação física, cognitiva e psicossocial e devolvendo a eles as suas capacidades funcionais após a alta da UTI”, afirma Renata Beltrão.

Por meio de teleconsultas, dois pacientes (que passaram pela UTI de covid-19) são convidados a comparecer ao HC nas segundas-feiras – o número é limitado como parte do plano de retomada do hospital para garantir os cuidados necessários e evitar a propagação do novo coronavírus. As refeições dos pacientes são fornecidas pelo HC, e eles seguem à tarde para serem avaliados por médicos dos Serviços de Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP), Pneumologia e Nefrologia.

A programação é que esses pacientes pós-internamento na UTI de Covid-19 sejam acompanhados pelo núcleo por um período de seis a 12 meses, sendo a seguir encaminhados para a atenção primária ou, em casos selecionados, para os ambulatórios de especialidades do HC.

“Já na primeira consulta, a assistente social avalia as demandas sociais dos pacientes e ajuda no fortalecimento do vínculo deles com o serviço de atenção primária mais próximo à sua residência. Essa articulação favorece, por exemplo, a realização de curativos simples em posto de saúde e a busca pelos medicamentos prescritos, minimizando as idas e vindas dos pacientes e familiares ao hospital-escola”, completa Renata Beltrão.

O fisioterapeuta Cláudio Albuquerque, chefe da Unidade de Reabilitação do HC, destaca a importância da recuperação rápida dos pacientes que ficaram internados na UTI de Covid. “Geralmente, esses pacientes passam muitos dias internados e inativos, o que pode provocar a perda de algumas funções motoras que precisam ser recuperadas o quanto antes para não correr o risco de perdê-las. Notamos um déficit de força muscular nesses pacientes que dificulta a realização de tarefas simples do dia a dia, como se alimentar, andar e tomar banho”, relata Cláudio.

“Esse núcleo tem me ajudado muito na recuperação da covid-19, voltando a ter força para fazer as coisas de casa com as sessões de fisioterapia e terapia ocupacional”, relata a aposentada Maria Luiza de Souza, de 65 anos, que ficou 17 dias na UTI e uma semana na Enfermaria.

O aposentado José Xavier foi o primeiro paciente a receber alta do núcleo, após 12 sessões de fisioterapia. “Já estou totalmente recuperado e bem para seguir tocando a vida como estava fazendo antes dessa covid”, garante.

 

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