
Imortalidade da Alma – Ciência e Religião
Paulo Eduardo de Barros Fonseca
Muito se discute sobre a imortalidade da alma.
Desde a antiguidade, filósofos como Sócrates e Platão já proclamavam a unicidade de Deus, a imortalidade da alma e a existência de vida futura.
Na teologia, alguns defendem a unicidade existencial e que a alma sucumbe com a morte do corpo. Esse raciocínio traz como consequência a incompreensão da figura divina que, ao invés de ser bondade e justiça, teria criado um mundo de desigualdades, injustiças sociais, impunidades, favorecendo alguns em detrimento de outros.
Outros pensam que a alma é o princípio da inteligência, agente universal que cada ser absorve uma porção.
E, também, há aqueles que, como eu, creem que o espírito transcende matéria e, mesmo estando na erraticidade, persiste em sua jornada rumo ao progresso.
Nesse conceito, a alma sem corpo é o espírito liberto da matéria, de modo que a vida continua sendo o que era, obviamente, sem os contornos mesquinhos e grosseiros do plano físico em que vivemos. Alma, portanto, é o ser imaterial e individual que reside em cada pessoa e sobrevive ao corpo.
Ao refletir sobre a morte disse Santo Agostinho, um dos pais da igreja, que “a morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do Caminho. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo. …”. Na mesma seara, o espírito de Joanna de Angelis ensina que “a intuição da vida, o instinto de preservação da existência, as experiências psíquicas do passado e parapsicológicas do presente atestam que a morte é um veículo de transferência do ser energético pensante, de uma fase ou estágio vibratório para outro, sem expressiva alteração estrutural de sua psicologia.”.
Essa tese ganha relevância a partir de estudos científicos que demonstram a sobrevivência da alma após a morte do corpo. Em pesquisas recentes, desenvolvidas a partir de experimentação e de outros estudos, cientistas americanos e ingleses sustentam conceitos de alma e consciência, criando a teoria quântica da consciência, pela qual a alma está contida em pequenas estruturas no interior das células cerebrais. Sinteticamente, concluem que a alma é parte do universo e a morte um retorno a ele.
Se toda pessoa nasce, cresce, vive, cumpre sua jornada material para, finalmente, ceder à morte, o mesmo não se pode dizer da alma que, respeitada sua individualidade, segue sua jornada ininterrupta em busca do progresso, que a lei basilar do universo.
Quando discorre sobre os elementos gerais do Universo, no Livro dos Espíritos, Allan Kardec enfoca essa questão resumindo, há 160 (cento e sessenta anos), esta teoria da física moderna ao consignar a questão 27, nos seguintes termos: “Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito? Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá”.
A reflexão racional sobre esse tema, sobretudo com o auxílio da ciência, certamente implica numa mudança comportamental individual e, por consequência, coletiva, porque aquele que entende que sua alma é imortal procura pautar sua conduta segundo os ensinamentos morais exemplificados por Jesus.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca é Vice-Presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.







