De acordo com a coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Pernambucana de Saúde, professora Maria Cristina Figueira, a enfermagem está no centro de todo o cuidado na saúde do ser humano
O Brasil vive uma transformação demográfica acelerada: a população idosa (acima de 60 anos) saltou de 14 milhões em 2010 para mais de 32 milhões em 2025, segundo o IBGE. Daqui a 45 anos, os brasileiros com mais de 60 anos deverão corresponder a cerca de 37,8% da população do país, ou 75,3 milhões de pessoas idosas, de acordo com projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já a Organização das Nações Unidas (ONU) informa que o Brasil é à sexta nação com o maior número de idosos no mundo. Então, quem atua no setor de saúde tem de estar preparado para a grande demanda que está por vir.
Nesse sentido, as Unidades básicas de saúde(UBS); postos de saúde; Unidades de Pronto Atendimento (UPAs); hospitais; gestão de serviços de saúde; docência; consultórios e clínicas especializadas são campos de atuação do profissional enfermeiro. Além desses, ganham destaque áreas como o atendimento domiciliar (home care), assistência em instituições de longa permanência para idosos, empresas (na promoção de saúde ocupacional), escolas e até mesmo na gestão e auditoria em saúde.
A atenção primária, considerada porta de entrada do sistema de saúde, é o campo de atuação do enfermeiro. Nesse contexto, ele assume papel estratégico no acompanhamento contínuo de pacientes, na prevenção de doenças e na promoção da saúde, contribuindo diretamente para a redução do adoecimento da população, o que, em alguma medida, diminui a sobrecarga nos hospitais e emergências.
O avanço do envelhecimento populacional, aliado ao aumento de doenças crônicas e à ampliação do acesso aos serviços de saúde, exige do enfermeiro qualificação contínua para atuar em diferentes frentes de cuidado e tem impulsionado a demanda por profissionais da enfermagem em todo o país. A tendência é que, nos próximos anos, o mercado de trabalho para enfermeiros se torne ainda mais aquecido, exigindo não apenas maior número de profissionais, mas também qualificação cada vez mais especializada.
PREPARAÇÃO
De acordo com a coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Pernambucana de Saúde, professora Maria Cristina Figueira, o cenário exige profissionais cada vez mais preparados para lidar com demandas complexas. “A enfermagem está no centro de todo o cuidado na saúde do ser humano. Com o envelhecimento da população e o aumento das doenças crônicas e degenerativas, o enfermeiro precisa desenvolver competências técnicas, humanistas, científicas, habilidades essas necessárias para entender e cuidar da população”, afirma.
A professora ressalta que a formação contínua é um diferencial competitivo para todo enfermeiro. “Não basta apenas a graduação. É fundamental que o profissional busque especialização como mestrado profissional, pós-graduação e cursos de aperfeiçoamento, para que esteja atento às inovações tecnológicas na área da saúde, como a telemedicina e o uso de prontuários eletrônicos”, completa Maria Cristina Figueira.
Além da qualificação técnica, habilidades como gestão de equipes, tomada de decisão e capacidade de atuar em diferentes contextos também ganham relevância. Isso porque o enfermeiro ocupa posições de liderança da equipe de enfermagem e muitas vezes, coordenação de serviços de saúde.
Neste cenário promissor, a enfermagem se consolida como uma das carreiras mais essenciais para o futuro do país. Diante das transformações demográficas e dos novos desafios da saúde pública, investir na formação e na valorização desses profissionais será fundamental para garantir um atendimento de qualidade à população.
500 MIL NOVOS ENFERMEIROS ATÉ 2030
Com essa tendência de transformação demográfica acelerada, impulsionada por maior expectativa de vida (hoje em 76 anos) e queda na taxa de natalidade, cria um “bônus demográfico invertido” que pressiona o mercado de trabalho em saúde. O Ministério da Saúde estima que o país precisará de 500 mil novos enfermeiros até 2030 para atender o SUS e o setor privado. Clínicas de longa permanência, home care e telesaúde crescem 15% ao ano, gerando vagas em regiões como Sudeste e Nordeste.








