Segundo a cirurgiã cardiovascular do Real Instituto de Cirurgia Cardiovascular (Ricca) Dra. Fabiana Oliveira, o corpo reage ao estresse como se estivesse em constante estado de alerta
O impacto do estresse no coração não acontece de forma imediata. Ele se constrói ao longo dos dias, meses e anos, muitas vezes sem sintomas evidentes, até se manifestar em quadros mais graves. Em um cenário de rotina acelerada, pressão profissional e sobrecarga emocional, especialistas alertam que o estresse crônico se tornou um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares.
Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia mostram que as doenças do coração seguem como a principal causa de morte no Brasil, com cerca de 400 mil óbitos por ano. Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão hipertensão, colesterol elevado, sedentarismo e, cada vez mais, o estresse prolongado, que atua de forma silenciosa no organismo.
Segundo a cirurgiã cardiovascular do Real Instituto de Cirurgia Cardiovascular (Ricca) Dra. Fabiana Oliveira, o corpo reage ao estresse como se estivesse em constante estado de alerta. “Quando vivemos sob pressão contínua, há liberação frequente de hormônios como cortisol e adrenalina. Isso aumenta a frequência cardíaca, eleva a pressão arterial e favorece processos inflamatórios, criando um ambiente propício para doenças cardiovasculares”, explica.
Ao longo do tempo, esse estado persistente pode levar ao desgaste do sistema cardiovascular. A inflamação crônica, associada ao estresse, contribui para o acúmulo de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de doença arterial coronariana, infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, o estresse também está relacionado ao surgimento de arritmias e ao agravamento de condições já existentes.
Outro ponto de atenção é que o estresse muitas vezes não atua isoladamente. Ele costuma vir acompanhado de hábitos prejudiciais, como alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool, tabagismo, sedentarismo e alterações no sono — fatores que potencializam ainda mais o risco cardíaco. “O problema é que, na maioria das vezes, o paciente não percebe o impacto imediato. O corpo vai se adaptando até que surgem sinais mais graves”, alerta a Dra. Fabiana.
Entre os sintomas que podem indicar sobrecarga cardiovascular estão cansaço excessivo, palpitações, dores no peito, falta de ar, insônia e ansiedade constante. Em alguns casos, o estresse pode desencadear até a chamada síndrome do coração partido (Takotsubo), condição que simula um infarto e está diretamente associada a eventos emocionais intensos.
A especialista reforça que cuidar do coração vai além de exames e tratamentos. “Saúde cardiovascular também envolve qualidade de vida. É preciso olhar para o emocional, reduzir a exposição ao estresse, manter uma rotina equilibrada e buscar momentos de descanso e bem-estar. Técnicas de relaxamento como meditação e respiração guiada, assim como a prática religiosa, também podem ajudar a diminuir o stress”, orienta.
A prática regular de atividade física, alimentação balanceada, sono adequado e acompanhamento médico são medidas essenciais para reduzir os impactos do estresse no organismo. Técnicas de relaxamento, como meditação e respiração guiada, também podem ajudar no controle da ansiedade e na proteção do coração.
O alerta é claro: o estresse pode não causar sintomas imediatos, mas seus efeitos são cumulativos e podem comprometer a saúde ao longo do tempo. Cuidar da forma como se vive e se sente é, hoje, uma das principais estratégias para prevenir doenças cardiovasculares e garantir mais qualidade de vida.
SERVIÇO:
Real Instituto de Cirurgia Cardiovascular (RICCA)
Endereço: Av. Gov. Agamenon Magalhães, 4760 – Paissandu
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