Doutrina das Vidas Sucessivas, é o artigo de Paulo Eduardo de Barros Fonseca

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Paulo Eduardo de Barros Fonseca é Vice-Presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Doutrina das Vidas Sucessivas

Paulo Eduardo de Barros Fonseca

Desde a antiguidade, tanto no campo da filosofia como na religião, a doutrina das vidas sucessivas tem sido debatida e aceita. Isso encontramos, por exemplo, no Bramanismo, antiga filosofia religiosa indiana; no Budismo, enquanto uma filosofia de vida baseada integralmente nos profundos ensinamentos do Buda para todos os seres, que busca revelar a face da vida e do universo; no Druidismo, religião dos celtas, que teve destaque entre o século II a.C. e o século II d.C.; e no próprio Cristianismo primitivo, isso até a realização do Segundo Concílio de Constantinopla, no ano de 553.

No entanto, quanto ao cristianismo, é inequívoco que a Bíblia retrata várias passagens que enfocam essa temática, das quais destacamos três delas, quais sejam:

1ª) “Após a transfiguração, seus discípulos então o interrogaram desta forma: Porque dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias? – Jesus lhes respondeu: É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas, mas eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como lhes aprouve. Então, seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara.” (Mateus-XVII:10-13) (Marcos-IX:11- 13). De fato, o Evangelho, reiteradamente, faz considerações de que João Batista era Elias reforçando a ideia de que os judeus tinham simpatia pela Teoria de Palingenética, enquanto uma teoria de ampliação no campo moral da lei de conservação de energia estabelecida pelos físicos, que no dizer de Pietro Ubaldi “está em harmonia com as leis da natureza que conhecemos, como a indestrutibilidade da substância, pela qual, se as mudanças se operam só na forma, a personalidade humana poderá mudar, mas não ser destruída. Aliás, se esse entendimento fosse equivocado Jesus o teria combatido, como fez em relação a vários outros.

2º) “Ao passar, viu Jesus um homem que era cego desde que nascera; – e seus discípulos lhe fizeram esta pergunta: Mestre, foi pecado deste homem, ou dos que o puseram no mundo, que deu causa a que ele nascesse cego? – Jesus lhes respondeu: não é por pecado dele, nem dos que o puseram no mundo; mas para que nele se patenteiam as obras do poder de Deus.” (João-IX:1-34). A pergunta dos discípulos: “foi algum pecado deste homem que deu causa aquele nascesse cego?” claramente revela que eles tinham a intuição de uma existência anterior, pois, do contrário, ela careceria de sentido, visto que um pecado somente pode ser causa de uma enfermidade de nascença se cometido antes do nascimento, portanto numa existência anterior.

3º) “Ora, entre os fariseus havia um homem chamado Nicodemos, senador dos judeus, que veio à noite ter com Jesus e lhe disse: “Mestre, sabemos que vieste da parte de Deus para nos instruir como um doutor, porquanto ninguém poderia fazer os milagres que fazes, se Deus não estivesse com ele”. Jesus lhe respondeu: “em verdade, em verdade, digo-te: ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.” (João-III:1-12).

Oportuno salientar que Santo Agostinho (354 a 430 d.C.), um dos maiores filósofos do cristianismo, em sua autobiografia – “Confissões” – indaga: “Não terei eu vivido em outro corpo, em alguma outra parte, antes de entrar no útero de minha mãe?  (…) “Dizei-me, eu vo-lo suplico, ó Deus, misericordioso para comigo, que sou miserável, dizei se a minha infância sucedeu a outra idade já morta, ou se tal idade foi a que levei no seio de minha mãe? (…) E antes desse tempo, quem era eu, minha doçura, meu Deus? Existi, porventura, em qualquer parte? Era Eu, por acaso, alguém?”

Refletindo sobre essas questões é plausível afirmar que desde há muito tempo os ensinamentos são dados à humanidade e o homem tem procurado entender a razão e finalidade de sua existência, que não é outra senão a de conseguir atingir a perfeição, a qual somente é possível se levarmos em conta a imortalidade do espírito e que por meio das vidas sucessivas, ou seja, da reencarnação, que propicia o aprendizado, a elevação e a reparação de erros do passado, nos é dada a oportunidade de  evoluirmos espiritualmente.

Paulo Eduardo de Barros Fonseca é Vice-Presidente do Conselho Curador da Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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