HC coordena estudo que avalia o impacto da obesidade nos casos de Covid-19

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Estão sendo analisados dados clínicos e de imagem de pacientes em estado grave, internados no HC, Imip, Barão de Lucena e Agamenon Magalhães

A influência da obesidade na evolução para as formas graves da Covid-19 está sendo analisada por uma equipe de professores, alunos e profissionais do Hospital das Clínicas da UFPE. Os pesquisadores acreditam que a inflamação no organismo gerada pelo excesso de peso apresenta relação com as complicações da doença pandêmica. O HC é unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e está tratando as pessoas com a Covid-19 desde abril.

A pesquisa clínica “Impacto da obesidade na evolução da Covid-19 grave” está analisando dados clínicos e de imagem de pacientes em estado grave internados no HC e nos hospitais Imip, Barão de Lucena e Agamenon Magalhães. “A obesidade também é considerada uma doença pandêmica do século 21. O consumo excessivo de nutrientes pode trazer sérios problemas para o nosso corpo. Assim, os resultados iniciais desta pesquisa alertam ainda mais para a importância de estratégias de tratamento no combate à obesidade”, explica a coordenadora do estudo, professora Simone Brandão, da UFPE, que é médica nuclear e cardiologista do HC. Participam também os professores da UFPE Esdras Marques, Emmanuelle Godoi e Lúcia Cordeiro.

“A pesquisa tem como foco avaliar possíveis fatores decorrentes da obesidade que possam contribuir para o desfecho grave verificado em alguns pacientes com a doença pelo novo coronavírus. Além de aspectos clínicos, vamos avaliar a relação com achados de exames de imagem, tendo em vista cruzar esses dados e traçar relações com a Covid-19”, explica a médica radiologista e mestranda da UFPE Camila Bezerra, que integra a pesquisa.

A exemplo de estudos realizados no Brasil e no mundo, a pesquisa no HC tem analisado que muitas pessoas gravemente afetadas pela Covid-19 apresentam Síndrome Metabólica, um conjunto de doenças associadas à obesidade por um vínculo comum: a resistência insulínica, que tem como alguns de seus critérios diagnósticos a obesidade central (circunferência da cintura superior a 88 cm na mulher e 102 cm no homem), hipertensão arterial, aumento dos triglicerídeos e glicemia alterada ou diagnóstico de diabetes. “Os achados parciais aparentemente corroboram com a suspeição inicial e com dados relatados em outros estudos realizados no mundo que associam a obesidade às formas graves da Covid-19”, destaca Camila Bezerra.

“A hipótese é que a obesidade ative o sistema imune e os mediadores de inflamação, com uma maior expressão de citocinas (proteínas) pró-inflamatórias, além de os adipócitos (células que compõem o tecido adiposo) serem alvos e reservatórios potenciais do novo coronavírus. A interação com a ECA2 (enzima conversora da angiotensina 2), utilizada como mecanismo de entrada para o vírus, bem como outros fatores (como as proteínas reconhecedoras de patógenos TLR4, interleucinas, TNF etc) contribuem na indução de respostas inflamatórias, fazendo parte da ‘tempestade de citocinas’, agravando o quadro do paciente com a Covid-19”, completa a pesquisadora Camila Bezerra.

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